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A geração que não quer acordar com ressaca nas férias: Gen Z lidera o turismo sóbrio

Hotéis e resorts de Las Vegas a Bali reformulam menus e experiências para atender viajantes que trocaram o álcool pelo wellness

O mocktail virou item obrigatório nos menus de resorts e hotéis que buscam atender viajantes da Geração Z, cada vez mais avessos ao álcool nas férias (Pexels)

O mocktail virou item obrigatório nos menus de resorts e hotéis que buscam atender viajantes da Geração Z, cada vez mais avessos ao álcool nas férias (Pexels)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 13 de junho de 2026 às 09h09.

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O chamado "sober tourism" ganhou força nos últimos anos como parte de um movimento mais amplo de viagens orientadas ao bem-estar. O mercado global de turismo de wellness foi avaliado em cerca de US$ 975 bilhões (R$ 5,6 trilhões) em 2025 e deve chegar a US$ 1,06 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em 2026, crescimento de 9,6% em um ano, segundo levantamento da Research and Markets. Spas, retiros de meditação e programas de detox figuram entre os segmentos que mais crescem dentro do setor.

A Geração Z está na origem desse movimento. Uma pesquisa da NCSolutions de 2025 aponta que 65% dos jovens da geração planejam beber menos, e 39% pretendem adotar um estilo de vida completamente sem álcool. O dado ganha mais peso quando comparado a gerações anteriores: levantamentos da Gallup mostram que o percentual de adultos americanos abaixo dos 35 anos que afirmam consumir álcool caiu dez pontos percentuais em duas décadas, de 72% em 2001-2003 para 62% em 2021-2023.

Por que eles estão parando

Os motivos vão além de uma questão de saúde pontual. Uma pesquisa da plataforma Attest com mil jovens americanos entre 21 e 27 anos identificou que quase metade, 46%, simplesmente não tem interesse em beber. Um terço cita preocupações com saúde mental. Entre os britânicos, pesquisa da Drinkaware mostra que 49% dos jovens adultos já optam por bebidas zero ou low alcool para moderar o consumo, proporção que era 28% em 2018.

O fenômeno não é inteiramente linear. Dados da IWSR, empresa especializada em análise do mercado de bebidas, indicam que o consumo entre jovens americanos em idade legal voltou a crescer de 2023 para 2025, sugerindo que parte da queda anterior estava ligada a restrições financeiras, não necessariamente a uma mudança cultural permanente. O quadro mais preciso, segundo analistas, é o de uma geração que bebe de forma mais seletiva e consciente, não necessariamente de forma nenhuma.

Como hotéis e resorts estão se adaptando

A indústria hoteleira começou a reagir. O mercado global de mocktails foi avaliado em US$ 8,38 bilhões (R$ 48 bilhões) em 2025 e deve dobrar de tamanho até 2035, segundo dados da Business Research Insights. Uma pesquisa de 2024 com 5 mil frequentadores de bares nos Estados Unidos, realizada pela Local Bartending School, revelou que 29% dos entrevistados pediram mocktails ou drinques sem álcool na última visita. Cerca de 36% das redes de hospitalidade premium já incorporaram menus dedicados a bebidas sem álcool, segundo a National Beverage Association.

O Wynn Las Vegas lançou em 2023 o programa "Drinking Well", com opções sem álcool disponíveis em todo o resort, desenvolvidas por uma mixologista com ingredientes do universo wellness como cogumelo reishi e ashwagandha. O Venetian, também em Las Vegas, passou a dar destaque a mocktails nos menus dos seus restaurantes. Em destinos como Bali, propriedades voltadas ao bem-estar reformularam parte da oferta noturna para incluir workshops, caminhadas em jardins e experiências culturais no lugar de boates.

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