Carreira

O conselho de uma supermodelo para tomar decisões melhores de carreira

Para Christy Turlington Burns, ouvir menos o ruído externo pode ajudar a identificar o próximo passo profissional

 Christy Turlington Burns (Fonte: Instagram | Reprodução)

Christy Turlington Burns (Fonte: Instagram | Reprodução)

Publicado em 14 de setembro de 2026 às 05h22.

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Christy Turlington Burns já havia construído uma das carreiras mais reconhecidas da moda quando começou a direcionar parte de sua atuação para outra frente: a saúde materna. Anos depois, ao refletir sobre as decisões que tomou profissionalmente, resumiu uma das ideias que orientaram esse movimento em uma palavra: autoconhecimento.

Em entrevista publicada pela emissora, a modelo afirmou que as pessoas frequentemente dão peso excessivo às informações externas quando precisam decidir o que fazer. Para ela, reservar espaço para reflexão ajuda a perceber “qual é o próximo passo certo a dar”.

A frase ganha outra dimensão quando observada à luz da própria trajetória de Turlington Burns. Descoberta ainda adolescente, ela estampou mais de mil capas de revistas e se tornou uma das chamadas supermodelos originais. 

Décadas depois, uma experiência pessoal durante o nascimento da primeira filha levou sua carreira para uma direção que dificilmente poderia ser prevista no início. As informações foram retiradas da ABC News.

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Uma complicação no parto mudou o rumo de sua atuação

Em 2003, depois do nascimento da filha Grace, Turlington Burns sofreu uma complicação relacionada ao parto e teve uma hemorragia. Ela recebeu atendimento adequado, mas a experiência despertou uma pergunta sobre o que aconteceria com mulheres que enfrentassem a mesma situação sem acesso rápido a profissionais preparados.

O episódio começou a deslocar seu foco profissional. Em 2010, ela dirigiu e produziu o documentário No Woman, No Cry, sobre experiências de gravidez e parto em diferentes partes do mundo. 

O projeto deu origem a uma campanha de conscientização e, posteriormente, à organização sem fins lucrativos Every Mother Counts, fundada por Turlington Burns para atuar na promoção de cuidados maternos seguros, respeitosos e equitativos.

Hoje, ela segue como fundadora e presidente da organização. A Every Mother Counts completou 15 anos de atuação em 2025 e afirma ter investido dezenas de milhões de dólares em soluções e políticas ligadas à saúde materna desde sua criação.

Autoconhecimento não significa ter a carreira inteira planejada

O ponto mais relevante da trajetória não é uma suposta capacidade de prever o futuro.

Quando começou a trabalhar como modelo, Turlington Burns não tinha um plano traçado para comandar uma organização dedicada à saúde materna.

Ela conta que a entrada na moda aconteceu de maneira inesperada: um fotógrafo a viu enquanto ela cavalgava com a irmã e perguntou se elas já haviam pensado em trabalhar como modelos. Turlington Burns afirmou que, naquele momento, sequer tinha grande confiança na atividade.

A carreira foi se construindo a partir daí. O autoconhecimento aparece depois como uma forma de interpretar experiências e tomar decisões quando novos caminhos surgem, e não como a capacidade de descobrir antecipadamente qual profissão alguém deverá exercer durante toda a vida.

Essa diferença importa especialmente para profissionais em início de carreira.

Ouvir conselhos é diferente de terceirizar uma decisão

Mercado aquecido, salário, prestígio da empresa, opinião dos pais, expectativas de colegas e tendências profissionais entram naturalmente no cálculo de uma decisão de carreira.

São informações importantes. O problema começa quando elas substituem completamente a reflexão individual.

Foi esse ponto que Turlington Burns destacou ao dizer que, muitas vezes, as pessoas dão mais crédito ao que vem de fora do que deveriam. Na prática, duas pessoas podem receber exatamente a mesma proposta e chegar a respostas diferentes.

Para uma delas, assumir uma posição de liderança pode representar o próximo desafio desejado. Para outra, pode significar abandonar uma trajetória técnica que faz mais sentido para seus objetivos.

Nenhuma dessas decisões pode ser tomada apenas olhando o cargo no organograma. É preciso entender o que se busca, quais concessões são aceitáveis e que tipo de rotina profissional se deseja construir.

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Experiências ajudam a revelar prioridades que antes não estavam claras

A história de Turlington Burns também mostra que algumas respostas aparecem depois que a carreira já começou.

Foi uma experiência concreta — a complicação após o parto — que despertou seu interesse pela saúde materna. Depois vieram o documentário, a atuação como defensora do tema e a criação da organização.

Isso contraria uma ideia comum sobre autoconhecimento: a de que primeiro é necessário descobrir exatamente quem se é para só então começar a agir.

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