Pedro da Cunha Brandão, gerente executivo financeiro da Impulso Educação, do Grupo Salta
Redatora
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 14h31.
Todos os dias, uma rotina automatizada reúne duas versões da mesma informação: qual professor dá aula em qual turma e com qual carga horária. Uma delas está no sistema da Secretaria de Educação. A outra, no sistema de pagamento de folha. Quando os dois registros não coincidem, o salário de quem está em sala de aula pode ser afetado.
Essa conferência diária é um dos projetos que Pedro da Cunha Brandão considera mais relevantes à frente das finanças da Impulso Educação, uma das marcas do Grupo Salta.
Gerente executivo financeiro da marca desde janeiro de 2025, o engenheiro de produção formado pela UFRJ passou quase uma década redesenhando processos de outras empresas antes de assumir orçamento, gestão financeira e análises operacionais de uma operação educacional. No caminho, foi buscar no MBA Executivo em Finanças da Saint Paul a base técnica que a prática ainda não tinha dado.
A carreira começou em 2011, como analista de sistemas na Denke, apoiando o desenvolvimento de sistemas financeiros. No mesmo ano, Pedro entrou na EloGroup, consultoria em que ficou até 2021 e onde passou de consultor júnior a gerente de projetos.
Nesse período, conduziu projetos de transformação de processos em empresas de logística, construção naval, mineração, varejo, gás natural e setor financeiro, além de órgãos públicos, e ministrou cursos de gestão por processos.
Em 2021, chegou ao Grupo Salta como gerente de projetos. No ano seguinte, assumiu também a controladoria. Em 2025, passou a responder pelas finanças da Impulso.
Pedro trabalha na holding do grupo, de onde acompanha de perto a operação da marca. Segundo ele, esse arranjo diz muito sobre como o Salta funciona. “As diretrizes, as políticas e os padrões de governança são definidos de forma corporativa. Dentro desse modelo, cada marca tem espaço para conduzir a própria operação, com seu planejamento, suas prioridades e seus processos, sempre muito perto das escolas”, diz.
Ele descreve o próprio papel como o de ponte entre esses dois níveis: entender a realidade da operação e garantir que ela siga alinhada à estratégia do grupo. As decisões mais estruturais são construídas com as áreas corporativas. “Para mim, isso não limita a autonomia. Ao contrário, permite decidir com mais informação, mais apoio técnico e mais segurança”, diz.
Na avaliação de Pedro, o principal ganho de pertencer a um grupo é a estrutura: áreas de compras, gente e gestão, controladoria e tecnologia atendem todas as marcas. O outro é o repertório acumulado em gestão escolar, infraestrutura, pessoas e dados. “Quando surge um desafio novo, quase sempre há alguém no grupo que já lidou com algo parecido”, afirma.
Pedro da Cunha Brandão, gerente executivo financeiro da Impulso Educação, do Grupo Salta
O projeto de conciliação da alocação e da carga horária dos professores nasceu de um objetivo direto: garantir a maior assertividade possível no pagamento. A equipe automatizou a coleta diária das informações, criou uma rotina estruturada de comparação entre os registros e passou a encaminhar cada ponto de atenção à escola responsável, com orientação sobre como tratá-lo.
O resultado, segundo Pedro, foi uma mudança de lógica. A conferência, antes pontual, tornou-se contínua e preventiva.
Quando decidiu fazer o MBA Executivo da Saint Paul, Pedro estava havia menos de um ano como gerente de controladoria. Já dominava os processos da área, mas queria ir mais fundo em temas vizinhos, como FP&A, contabilidade e a área fiscal.
O curso, concluído em setembro de 2025, deu a ele uma visão mais integrada das finanças, do planejamento ao fiscal.
Dois módulos tiveram aplicação direta. O de Data Science para líderes reforçou uma convicção que ele já tinha: a gestão melhora quando a informação chega confiável, organizada e às mãos de quem decide. É o olhar presente nas automações, conciliações e no acompanhamento por indicadores que o grupo vem desenvolvendo.
O módulo de reforma tributária tratou de um tema que Pedro considera obrigatório para quem trabalha com finanças. A transição vai de 2027 a 2033, e o setor de educação tem tratamento específico. Segundo ele, o curso deu base para incorporar o novo modelo ao planejamento de longo prazo, sempre em conjunto com os especialistas da área.
Em uma turma com executivos de setores muito diferentes, Pedro diz que adaptar as ferramentas a cada realidade é um exercício natural. Na educação, quem dita o ritmo é o calendário letivo: o planejamento de matrículas, a formação de turmas e a alocação de professores no início de cada ano exigem antecipação.
Planejamento, orçamento, análise de cenários e gestão por indicadores se encaixam nessa rotina. “O trabalho está em traduzi-los para a rotina escolar”, afirma.
É essa tradução que leva de volta à conferência diária da folha. “Pagar corretamente quem está em sala de aula é uma questão de respeito ao professor e de responsabilidade com a parceria”, diz Pedro.