carreira de mulheres impedida por questões de gênero (Brasileira/Getty Images)
Redatora
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 16h44.
No Brasil, mulheres ocupam apenas 16% dos assentos em conselhos de administração, segundo levantamento de 2025 do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
O número chama atenção justamente no momento em que os conselhos ganham peso estratégico nas empresas, e com eles cresce também a disputa por essas cadeiras.
O salto de executiva para conselheira não é uma promoção comum. É uma mudança de função inteira. Enquanto a executiva opera, planeja e executa na linha de frente, a conselheira precisa deixar de olhar a empresa pela lente da execução e passar a enxergá-la pela estratégia, pelos rumos de longo prazo.
Isso exige um domínio mais amplo do negócio do que muitas carreiras executivas entregam. Uma especialista em sustentabilidade que assume uma cadeira de conselho, por exemplo, passa a ser chamada a opinar também sobre demonstrações financeiras, matriz de risco e gestão de pessoas, temas fora da sua área de origem.
A lacuna de 16% tem raiz histórica, não técnica. A sociedade aprendeu, ao longo de séculos, a associar poder e capacidade de decisão ao masculino, o que ainda molda de forma inconsciente quem é convidado a ocupar essas cadeiras.
Não é uma questão de competência, mas de viés. E vieses inconscientes, segundo a conselheira, só perdem força com tempo, repertório e visibilidade de referências femininas em posições de decisão.
O ponto de partida do livro é uma pergunta que, segundo Consiglio, toda executiva deveria se fazer antes de uma transição de carreira: quem sou eu sem um sobrenome corporativo?
A resposta, para ela, está no autoconhecimento. Mapear competências, valores e o que realmente se domina fora do cargo é o que prepara uma executiva para assumir um papel colegiado, em que a decisão nunca é individual e a habilidade de ouvir pesa tanto quanto a de opinar.