(Magnific/Reprodução)
Redatora
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 16h55.
Uma pesquisa da consultoria McKinsey, divulgada em julho, mostra que 84% dos líderes de empresas ainda na fase de capacitação das equipes para o uso de inteligência artificial dizem não estar preparados para as mudanças de cultura e pessoas que a tecnologia exige.
Entre os que já avançaram para a automação de processos, o índice de despreparo cai, mas segue alto: 68%.
O descompasso não é novo, mas está se aprofundando. Levantamentos anteriores da própria McKinsey já mostravam que executivos subestimam o quanto suas equipes usam IA no dia a dia: a liderança estimava que só 4% dos funcionários usavam ferramentas de IA generativa em pelo menos 30% do trabalho diário, quando o número real, segundo os próprios funcionários, era mais do que o triplo, 13%.
O resultado é uma empresa dividida em dois ritmos. Setenta por cento dos funcionários dizem se sentir pessoalmente preparados para trabalhar com IA, mas apenas 27% dos líderes acreditam que suas empresas estão prontas para as mudanças estruturais e culturais que a tecnologia exige.
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O problema, segundo a McKinsey, não é a adoção da IA pelos funcionários. É a falta de estrutura para transformar esse ganho individual em resultado para o negócio inteiro. Times inteiros já usam IA para redigir e-mails, resumir reuniões e analisar dados.
Só que isso continua restrito à rotina de cada um, sem virar processo, política ou vantagem competitiva para a empresa.
É exatamente o ponto cego que separa usar uma ferramenta de liderar uma mudança: entender onde a IA gera valor, avaliar riscos antes de implementar e preparar a equipe para trabalhar de um jeito novo.
Enquanto a maioria das empresas ainda discute política de uso de IA, o gargalo mudou de lugar. Não está mais na resistência dos times, está na falta de repertório de quem lidera.
Gerentes e heads que não sabem identificar onde aplicar a tecnologia, nem como conduzir a adoção das equipes, seguram um processo que já está em andamento com ou sem eles.