Brasil 2002 – Os Bastidores do Penta: quatro lições de carreira do documentário da Netflix

Documentário que estreou na Netflix traz valiosas lições que podemos tirar com a trajetória da seleção, que começou desacreditada e acabou pentacampeã. Além de, claro, ser um ótimo esquenta para a Copa do Mundo do Catar
Final da Copa do Mundo de 2002: há exatos 20 anos o Brasil era campeão mundial pela última vez (Shaun Botterill/Getty Images)
Final da Copa do Mundo de 2002: há exatos 20 anos o Brasil era campeão mundial pela última vez (Shaun Botterill/Getty Images)
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Luciana LimaPublicado em 05/11/2022 às 11:03.

Há um mês, estreou na Netflix o documentário "Brasil 2002 – Os Bastidores do Penta", sobre a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo há exatos 20 anos.

Do diretor Luis Ara, que também dirigiu o filme Para Sempre Chape, de 2018, sobre a tragédia da Chapeconse, o filme traz imagens inéditas gravadas pelos próprios jogadores. Além de entrevistas com os craques da seleção de 2002 como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e Cafu.

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O longa-metragem de 1h30 conta a trajetória da seleção que começou a Copa do Mundo de 2002 desacreditada e acabou campeã. Mas, ao invés de começar com a vitória, a obra escolhe dar um passo atrás e mostrar o caminho que a seleção brasileira teve de percorrer antes que Cafu levantasse a taça.

Nas primeiras cenas, somos levados para 1998, durante a derrota do Brasil para a França, com o clima de tensão acerca da saúde de Ronaldo Fenômeno, que teve convulsões poucas horas antes da partida final.

Logo em seguida, relembramos os dilemas que a seleção enfrentou durante as eliminatórias da própria Copa de 2002, com a troca de dois técnicos e um desempenho que quase a deixou fora do mundial da Coreia do Sul e Japão.

Na última metade do filme, relembramos os principais confrontos do Brasil durante o campeonato além de ouvir depoimentos dos principais rivais das partidas, como David Beckham (capitão da Inglaterra), Oliver Kahn (goleiro e capitão da Alemanha) e Marc Wilmots (capitão da Bélgica). Até Pierluigi Collina, italiano responsável por apitar a final, também aparece.

Por fim, encerramos com a vitória do Brasil contra a Alemanha por 2x0. Além de ser um bom esquenta para a Copa do Mundo do Catar, o documentário “Brasil 2002 – Os Bastidores do Penta”, também é uma boa oportunidade para refletir sobre a carreira.

A pedido de EXAME, Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, separou quatro lições que podemos aprender com a trajetória de ascensão da seleção durante o campeonato.

Veja, a seguir, quatro lições de careira do documentário Brasil 2002 – Os Bastidores do Penta

1) Trabalho em equipe

"Felipão como comandante daquele esquadrão sempre se pautou em construir um grupo de jogadores complementares em campo mas diferentes fora dele. Acreditou sempre que nas suas equipes, pessoas multidisciplinares e com perfis diferentes formavam um grupo mais coeso e complementar.

"Ali, naqueles 22 jogadores tínhamos grupos distintos, que fora do campo eram mais próximos mas dentro do campo sem nenhuma distinção jogavam juntos e se doavam pensando num bem maior. Essa EQUIPE na sua essência foi fundamental para o sucesso em 2002 – Todos jogaram (Exceto Kaká, Dida e Rogério Ceni) e foram recompensados com o Penta", diz Viana.

2) Liberdade com responsabilidade

Algo pouco comum nas equipes profissionais naquela época se tornou uma marca daquela seleção: a liberdade com responsabilidade o que, no jargão corporativo atual, significa tratar as pessoas como adultas entendendo que elas possuem consciência das suas escolhas.

"A liberdade consciente. Os jogadores eram premiados e recompensados a cada jogo com o direito de fazer o que bem entender nas folgas, bem como ao final dos jogos poder celebrar a vitória como num Happy Hour. Isso era algo que Felipão colocou na cabeça de todos os atletas, que com liberdade era possível unir o profissionalismo com o lado pessoal dos atletas", afirma o especialista da Mappit.

3) Igualdade entre os membros do time

"Diferente da Copa de 2006 em que eu estive presente e próximo da seleção, em 2002 não havia “distinção” dos atletas no time. Todos tinham o mesmo tratamento, sem regalias para uns e não para outros. A hierarquia nesse sentido funcionou muito bem, pois dava poder a comissão técnica, mas colocava todos os atletas num mesmo patamar. Desde o Capitão até o Artilheiro e melhor do Mundo, como aos reservas e que pouco entraram em campo", afirma Viana.

4) Importância do equilíbrio emocional

Além de começar desacreditada, como em qualquer Copa do Mundo, o Brasil enfrentou partidas muito desafiadoras. E foi preciso que os jogadores suportassem a pressão e tivessem "nervos de aço", controlando as emoções para não sucumbir diante dos desafios.

"Foi assim logo na estreia, mas 2 jogos marcantes foram contra a Bélgica e Inglaterra. Em ambos os adversários saíram mais fortes, pressionando muito o time e no caso da Inglaterra até com um gol com uma falha do Lucio, que era um dos nossos mais sólidos defensores. Logo o talento individual de uma seleção mágica fazia diferença, mas que sem esse equilíbrio e força mental poderia ter sido trágico para nossos objetivos", completa o especialista.

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