• AALR3 R$ 19,90 1.07
  • AAPL34 R$ 70,01 -4.62
  • ABCB4 R$ 16,47 -2.72
  • ABEV3 R$ 14,28 -3.05
  • AERI3 R$ 3,79 -2.57
  • AESB3 R$ 10,71 -0.93
  • AGRO3 R$ 30,53 -3.51
  • ALPA4 R$ 20,91 -2.70
  • ALSO3 R$ 19,40 -3.58
  • ALUP11 R$ 26,45 0.34
  • AMAR3 R$ 2,34 -4.10
  • AMBP3 R$ 30,70 1.29
  • AMER3 R$ 22,81 -0.91
  • AMZO34 R$ 68,04 -5.94
  • ANIM3 R$ 5,49 -3.85
  • ARZZ3 R$ 81,45 -1.59
  • ASAI3 R$ 15,46 -2.34
  • AZUL4 R$ 21,21 -4.42
  • B3SA3 R$ 11,56 -2.86
  • BBAS3 R$ 35,94 -1.35
  • AALR3 R$ 19,90 1.07
  • AAPL34 R$ 70,01 -4.62
  • ABCB4 R$ 16,47 -2.72
  • ABEV3 R$ 14,28 -3.05
  • AERI3 R$ 3,79 -2.57
  • AESB3 R$ 10,71 -0.93
  • AGRO3 R$ 30,53 -3.51
  • ALPA4 R$ 20,91 -2.70
  • ALSO3 R$ 19,40 -3.58
  • ALUP11 R$ 26,45 0.34
  • AMAR3 R$ 2,34 -4.10
  • AMBP3 R$ 30,70 1.29
  • AMER3 R$ 22,81 -0.91
  • AMZO34 R$ 68,04 -5.94
  • ANIM3 R$ 5,49 -3.85
  • ARZZ3 R$ 81,45 -1.59
  • ASAI3 R$ 15,46 -2.34
  • AZUL4 R$ 21,21 -4.42
  • B3SA3 R$ 11,56 -2.86
  • BBAS3 R$ 35,94 -1.35
Abra sua conta no BTG

Vacina, economia e a ética

“Com o início da vacinação, temos mais uma vez episódios de afronta à ética, com poderosos furando a fila e idosos sendo enganados com vacina de vento”
É evidente que só a vacinação em massa viabiliza a retomada do ritmo da economia (Reuters/Ricardo Moraes)
É evidente que só a vacinação em massa viabiliza a retomada do ritmo da economia (Reuters/Ricardo Moraes)
Por Edson Luiz Vismona*Publicado em 25/02/2021 13:23 | Última atualização em 25/02/2021 13:32Tempo de Leitura: 4 min de leitura

No início da pandemia ninguém tinha ideia sobre a extensão que essa contaminação pela Covid-19 teria. Imaginávamos que, como ocorrera com outras epidemias, não haveria consequências muito profundas e que logo seriam identificados seus limites.

Entretanto, a situação tomou um rumo assustador, com o crescimento geométrico de doentes e mortes, afetando duramente a saúde e a economia mundial. As difíceis e necessárias medidas indicadas pela ciência foram adotadas, determinando o isolamento, o uso de máscara e a higiene constante das mãos como as únicas ações capazes de mitigar os riscos.

A saúde de todos, como deve ser, foi a prioridade, e governantes de todo o mundo, com pontuais exceções negacionistas, assumiram posturas inéditas de lockdown com forte impacto na economia, afetando a produção, o comércio, serviços e causando a perda de empregos.

Já em terras brasileiras, as primeiras reações foram desde o incentivo às ações humanitárias até críticas às medidas de contenção indicadas, passando por ações criminosas de alguns que tiraram proveito do momento delicado - empresários que falsificaram produtos, superfaturaram preços e políticos que aproveitaram para ganhar com a desgraça.

Essas foram as iniciais demonstrações de que a ética estava sendo afrontada e que a sociedade precisava reagir diante de tamanha desumanidade. Diversos políticos foram denunciados e um governador teve seu processo de impeachment iniciado.

As medidas de isolamento no Brasil foram, em comparação com outros países, mais brandas, mas causaram grande impacto no comércio, turismo, bares e restaurantes, com a indústria e os serviços essenciais mais preservados. Entretanto, o avanço da contaminação em ondas, causando milhões de infectados e mortes, demonstrava que só com uma vacina - na verdade, muitas - seria possível viabilizar a chamada imunidade de rebanho pelo combate à contaminação e não pela morte, como alguns absurdamente defendiam.

Tivemos nesse momento de urgência a demonstração de que famosa frase “O Brasil não é para amadores” não é acertada. O Brasil, em termos de planejamento, especialmente em alguns setores públicos, é de amadores, que perderam a oportunidade de estruturar, com antecedência, a aquisição de vacinas em volume adequado e fortalecer a ação do reconhecido SUS, com equipamentos, leitos e, pasmem, oxigênio.

Em total contradição, há movimentos irresponsáveis que, ao mesmo tempo que defendem a economia acima de tudo, surpreendem, de um lado, com ataques, sem qualquer fundamento, às vacinas com insumo ativo chinês - que, ironicamente, são as únicas que foram negociadas pelos governos federal e de São Paulo - e, de outro, combatem todas as medidas de isolamento, ainda que não tão profundas.

Uma verdadeira sandice tropical, um delírio insustentável: não ao isolamento, não às máscaras, não às vacinas, mas sim à economia. Ou seja, nenhuma seriedade, restando um vergonhoso veredicto: morram, mas preservem a economia, afinal, assim é a vida.

É evidente que só a vacinação em massa viabiliza a retomada do ritmo da economia.

Felizmente, a sociedade, de modo avassalador, entendeu que a vacina é o único caminho, porém, as teses absurdas, o total descaso e o cansaço das medidas de isolamento fizeram estragos e todos os alertas foram menosprezados, fomentandoo crescimento da contaminação.

Não bastasse tanto descalabro, mais uma vez, com o início da vacinação, temos a afronta à ética, com poderosos furando a fila, e inovamos com a vacinação sem vacina, ludibriando criminosamente os idosos.

A situação, antes de melhorar, está piorando. A retomada da economia na velocidade necessária está atrelada à vacina, que deve ter acelerada a sua produção e distribuição, não há outro caminho.

Em meio a esse quadro insano o Brasil está diante do espelho, mostrando a nossa cara pasma. Em um momento que exige absoluta necessidade de termos coesão e lideranças firmes e responsáveis, nos deixamos levar por crendices, por teorias da conspiração que afetam o julgamento, desperdiçando tempo precioso e recursos que não temos em ações atabalhoadas. Triste retrato.

Resta saber se, em meio a tanta dor e perdas, vamos aprender. Oxalá!

 

*Edson Vismona é advogado, presidente do Instituto ETCO (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial) e do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade). Foi secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo.

 

Assine os Boletins da Bússola

Siga Bússola nas redes:  InstagramLinkedin  | Twitter  |   Facebook   |  Youtube 

 

Mais da Bússola: