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Como evitar o greenwashing, o destruidor de reputações

Empresas precisam de uma boa dose de autoanálise antes de pular dentro da torrente duradoura do ESG

 (Roman Synkevych/Divulgação)

(Roman Synkevych/Divulgação)

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Renato Krausz*

25 de março de 2021, 16h23

O ESG nasceu em 2004 como uma ferramenta de análise que investidores passaram a fazer sobre riscos e oportunidades relacionados às questões ambientais, sociais e de governança nas companhias para decidir se colocariam ou não dinheiro nelas.

Diante do fato de esta sigla ter virado febre nos últimos anos e da vontade das empresas de não deixar o bonde passar, há para elas igualmente riscos e oportunidades na decisão de se engajar e propagandear aos quatro ventos seu compromisso com as três letras.

Vamos começar com as oportunidades: ao adotar uma agenda ESG na essência do empreendimento, elas podem encontrar novas oportunidades de negócio e assim se perenizar, além de gerar valor crescente para muita gente, incluindo os públicos que anteriormente ficavam à margem da bonança acumulada.

E os riscos? Elas podem ver seus mercados desaparecerem em razão dos impactos negativos que causam. Ou podem ser arrastadas para a vala comum da baixa reputação se decidirem surfar o ESG sem fazer devidamente a lição de casa. Essa vala comum se chama greenwashing.

Além de desmantelar reputações, o greenwashing afugenta clientes, investidores e até uma parte dos próprios funcionários, sobretudo aqueles que não topam sentir vergonha alheia. Tem-se visto por aí empresas listadas traçando planos de abraçar o ESG sem pelo menos ter uma matriz de materialidade nem divulgar relatórios anuais de sustentabilidade. Isso pode ser arriscado.

Um bom termômetro para qualquer organização que deseje fazer uma autoanálise neste departamento é o edital lançado na semana passada para participação no novo Guia EXAME de ESG, que a partir deste ano substitui o Guia EXAME de Sustentabilidade. Vale a leitura do edital, inclusive para empresas que não tenham interesse em disputar neste ano uma menção no guia que será publicado em maio pela revista.

Elaborado pela consultoria ABC Associados, o edital logo de saída já elimina as empresas em cujos conselhos deliberativos ou consultivos não participe pelo menos um membro externo que não seja executivo, funcionário ou sócio com um quinhão relevante no negócio. E elimina também as organizações que não possuam demonstrações financeiras da operação brasileira publicadas aqui mesmo, no Brasil, incluindo os pareceres de auditoria externa independente.

Após outros cinco itens eliminatórios, vêm as perguntas. São dez questões abertas sobre temas diversos, como os impactos da operação, o gerenciamento da cadeia de valor, a política de incentivos e remuneração para executivos e a adesão a iniciativas coletivas cruciais para o planeta continuar habitável, como o Pacto Global, a Agenda 2050 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Por fim, são mais dez questões temáticas fechadas, que juntas somam 37 itens para os pretendentes assinalarem check ou deixarem em branco. Um exemplo: “A empresa considera os riscos ESG, inclusive os apresentados pela mudança do clima, em seu planejamento estratégico?” Outro: “A empresa utiliza critérios ESG para qualificação, seleção, contratação e monitoramento de seus fornecedores de bens e serviços?” E por aí vai.

Se sua empresa se sente bem em responder essas questões, corra. As inscrições continuam abertas.

* Renato Krausz é sócio-diretor da Loures Comunicação

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