Equipe em escritório de startup buscando o breakeven nos serviços financeiros: maturidade das fintechs brasileiras exige foco e muita eficiência (zf L/Getty Images)
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Publicado em 12 de outubro de 2026 às 15h00.
As fintechs de crédito no Brasil chegaram a uma fase de maturidade onde o foco no breakeven se tornou essencial desde a concepção do negócio. O estudo Fintechs de Crédito Digital 2026, da empresa PwC Brasil e da instituição ABCD, mostra forte expansão de operações existentes. Para o sucesso no setor, é vital aliar times multidisciplinares e tecnologia sem inflar despesas estruturais.
Por Felipe Sabino, CEO da Aurex*
O mercado brasileiro de fintechs já passou da fase em que o crescimento, sozinho, serve como prova de sucesso.
O estudo Fintechs de Crédito Digital 2026, da PwC Brasil e da ABCD, mostra que cerca de 40 empresas pesquisadas concederam R$53,8 bilhões em crédito em 2025, alta de 51%, e chegaram a 94,9 milhões de clientes pessoa física.
Mais interessante: 82% da expansão veio de operações já existentes. É um sinal de maturidade. Crescer melhor começa então a importar tanto quanto crescer mais.
Para quem constrói uma fintech do zero, o breakeven não pode ser um problema para depois.
Ele começa nas decisões anteriores ao lançamento como qual dor estamos resolvendo, para quem, quanto custa entregar a solução e se existe disposição real para pagar por ela.
Na minha experiência pessoal, a validação foi rápida porque o produto nasceu de uma dor que já conhecíamos. Os clientes já existiam e pudemos testar a solução desde o início.
Isso encurta um caminho conhecido de forma reversa por muitas startups: primeiro elas constroem, depois procuram quem precisa daquilo que foi construído.
Vejo que o produto deveria nascer menos de uma tese e mais de uma fricção real do cliente.
O segundo ponto é gente. Time enxuto não é simplesmente time pequeno. É reunir profissionais multidisciplinares, com autonomia, capacidade de execução e compromisso com o mesmo objetivo de longo prazo.
Quando esse grupo está junto de verdade, negócio, tecnologia, operação e visão de cliente deixam de funcionar em silos.
Para nós, foi essencial combinar um time de alto desempenho com tecnologia capaz de ampliar a capacidade de cada pessoa.
É aí então que a inteligência artificial e automação entram e fazem a diferença. Não apenas como funcionalidades, mas como instrumentos de eficiência.
Em serviços financeiros, podem reduzir tarefas repetitivas, acelerar análises e onboarding e liberar profissionais para decisões mais estratégicas e relacionamento com clientes.
A conta precisa ser simples: o volume deve conseguir crescer sem exigir que equipe e custo cresçam no mesmo ritmo. Tecnologia, porém, não corrige uma economia unitária ruim.
Métricas como CAC, LTV, margem de contribuição e prazo de retorno do cliente precisam ser acompanhados cedo.
Crescer adquirindo clientes que custam mais do que devolvem em margem é apenas uma forma mais rápida de aumentar o prejuízo.
Para além de tudo isso, olhar somente uma média é perigoso, pois esses indicadores precisam ser entendidos por canal e perfil de cliente. Também é preciso escolher o que realmente vale construir.
Infraestrutura, liquidação, identidade, prevenção a fraude e outras camadas podem exigir parceiros especializados.
A pergunta não é “o que conseguimos fazer internamente?”, mas “o que precisa ser nosso para gerar vantagem?”. Capital e tempo de engenharia são recursos escassos.
Já risco, governança e compliance não podem ser terceirizados como preocupação. Em serviços financeiros, regulação faz parte da arquitetura do negócio.
Estruturar controles depois que a operação já ganhou volume custa mais e pode se tornar justamente o gargalo que impede a escala.
Chegar cedo ao breakeven, portanto, tem menos a ver com cortar despesas indiscriminadamente e mais com foco.
É preciso saber qual problema merece ser resolvido, quais pessoas precisam estar na mesa, onde a tecnologia cria alavancagem e quais custos realmente fazem a operação avançar.
Crescer de forma saudável exige uma disciplina pouco glamourosa, mas decisiva: extrair mais da estrutura que já existe antes de simplesmente aumentá-la.
*Com mais de 12 anos de experiência em câmbio e pagamentos internacionais, Felipe Sabino é CEO e cofundador da Aurex, fintech especializada em câmbio corporativo. Passou por instituições como Itaú BBA, XP Inc e Montebravo. Antes de fundar a Aurex, atuou em operações de M&A e serviços financeiros no setor de fintechs e pagamentos digitais.
Segundo o estudo Fintechs de Crédito Digital 2026, realizado pela PwC Brasil e ABCD, o setor concedeu R$ 53,8 bilhões em crédito em 2025, representando alta de 51% e chegando a 94,9 milhões de clientes pessoa física.
Felipe Sabino, CEO da Aurex, afirma que o breakeven deve ser pensado antes do lançamento, compreendendo uma dor real do mercado e planejando rigorosamente os custos de operação sem inflar as despesas iniciais.
No ecossistema financeiro, a IA e a automação são descritas no texto como instrumentos de eficiência que ajudam a reduzir tarefas repetitivas e acelerar análises de dados, liberando as equipes para posições estratégicas.
A regulação faz parte estrutural da arquitetura do negócio em serviços financeiros. Tentar estruturar esses controles regulatórios após a operação já ganhar volume custará muito mais e poderá gerar gargalos que impedem a expansão do negócio.