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Temporal em Petrópolis, no Rio, deixa ao menos 44 mortos

Em seis horas, a chuva atingiu 175 milímetros, equivalente a um mês. Além de dezenas de pontos de alagamento, o temporal arrastou carros e causou a queda de barreiras

Petropolis: veja vídeos de deslizamentos e alagamentos causados pelas fortes chuvas (Bruno Kaiuca/Zimmer Press/Estadão Conteúdo)

Petropolis: veja vídeos de deslizamentos e alagamentos causados pelas fortes chuvas (Bruno Kaiuca/Zimmer Press/Estadão Conteúdo)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 16 de fevereiro de 2022 às 08h59.

Última atualização em 16 de fevereiro de 2022 às 14h10.

Pelo menos 44 pessoas morreram em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, após deslizamentos e alagamentos causados pelas fortes chuvas que atingiram a cidade na tarde desta terça-feira, 15, conforme a Defesa Civil da cidade fluminense. Vários pontos do centro estão bloqueados e as aulas da rede pública foram suspensas. A prefeitura orienta que os moradores evitem sair de casa e é prevista chuva de fraca ou moderada intensidade nesta quarta-feira, 16.

Segundo o órgão, foram contabilizados 207 ocorrências, dos quais 171 são por deslizamentos. Mais de 180 militares trabalham no atendimento à população. Equipes especializadas em busca e salvamento foram enviadas para reforçar o socorro, com apoio de viaturas do tipo 4x4 e botes. Oito ambulâncias extras foram empenhadas para atender a região e outras 10 viaturas do Corpo de Bombeiros do Estado estão sendo enviadas para a cidade. Pela manhã, há previsão de envio de cerca de 10 aeronaves das forças de segurança do Estado para auxiliar nos trabalhos.

No local conhecido como Morro da Oficina, no Alto da Serra, a Defesa Civil estima que 80 casas tenham sido afetadas. Em outras regiões, como 24 de Maio, Caxambu, Sargento Boening, Moinho Preto, Vila Felipe, Vila Militar e nas ruas Uruguai, Washington Luiz e Coronel Veiga também há registros. Foram mobilizados agentes de diversas secretarias, como de Obras, Serviço, Segurança e Ordem Pública, Saúde, Educação, além da Companhia Municipal do Desenvolvimento de Petrópolis e CPTrans para atender a população.

Até a última atualização da Defesa Civil, 184 pessoas estão recebendo suporte da prefeitura nos pontos de apoio, que foram abertos no Centro, São Sebastião, Vila Felipe, Alto Independência, Bingen, Dr. Thouzete e Chácara Flora.“Orientamos a população que ao sinal de qualquer instabilidade nas áreas em que residem, que procure o ponto de apoio e nos acionem”, destacou o secretário de Defesa Civil, o Tenente Coronel Gil Kempers. Em caso de emergência, a Defesa Civil orientar ligar 199.

Em uma hora choveu 113 milímetros em Petrópolis - em seis horas, a chuva atingiu 175 milímetros, o equivalente a um mês inteiro. Além de dezenas de pontos de alagamento, o temporal arrastou carros e causou a queda de barreiras.

A rodovia Rio-Petrópolis foi parcialmente interditada na altura do km 82, nas imediações do terminal rodoviário do Bingen, devido à queda de uma barreira. A prefeitura informou ainda ter decretado estado de calamidade pública em virtude das fortes chuvas que afetaram a cidade. “Equipes dos hospitais foram reforçadas para o atendimento de vítimas. Além da Defesa Civil, agentes da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis, de Serviços, Segurança e Ordem Pública, de Obras e de demais áreas do governo seguem no suporte às 95 ocorrências registradas até o momento”.

Segundo a prefeitura, trechos inundados ou alagados por causa do volume elevado de chuva começaram a ser liberados, facilitando o acesso do socorro por parte dos órgãos competentes, como Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. O núcleo de chuva que atuou no município nas últimas horas já se afastou da cidade, segundo a prefeitura, mas permanece a previsão de chuva nas próximas horas com intensidade fraca a moderada.

A maior parte dos deslizamentos foi registrada nas localidades do Quitandinha, Alto da Serra, Castelânea, Centro, Coronel Veiga Duarte da Silveira, Floresta, Caxambu e Chácara Flora. Houve alagamentos por diversos pontos da cidade - os 11 registrados pela Defesa Civil foram das regiões do Alto da Serra, Corrêas, Centro e Mosela.

Em 2011, as fortes chuvas na Região Serrana do Rio deixaram mais de 900 mortos. É considerada a maior tragédia climática da história do Brasil. Em 2001, foram 57 mortos em Petrópolis. Em 2013, outra tragédia por causa da chuva, com 33 mortos.

Tragédia em Petrópolis: temporal causa destruição e deixa mortos 16/2/2022

Tragédia em Petrópolis: temporal causa destruição e deixa mortos 16/2/2022 (WILTON JUNIOR/Estadão Conteúdo)

Corpos na rua

A dimensão da tragédia causada pelo temporal que caiu sobre Petrópolis nesta terça-feira, dia 15, só começou a poder ser medida quando as águas baixaram. Corpos de pessoas arrastadas pela enxurrada e pela cheia dos rios foram encontrados no Centro Histórico da cidade. Até o início da madrugada desta quarta-feira, dia 16, o Corpo de Bombeiros havia confirmado 23 mortes devido à chuva.

Uma equipe da Inter TV passou pelo Centro de Petrópolis à noite, quando o rio que corta a Rua do Imperador, uma das principais da cidade, começou a baixar e encontrou seis corpos. As imagens mostram bombeiros e policiais retirando as vítimas em sacos pretos, em meio a lixo e destroços que foram levados pela correnteza. Atônitos e parecendo ainda assustados, alguns moradores observam a destruição e a retirada dos mortos.

Quando a chuva estiou por volta das 23h30, o cenário visto na Rua Teresa, principal polo comercial da cidade, era de devastação. A via ficou coberta por lama, e todas as lojas sem luz.

A cidade entrou em estágio de crise, o mais alto numa escala de três. Até as 20h30, a Defesa Civil municipal registrava 80 pontos de deslizamento. Todas as sirenes instaladas em áreas de risco foram acionadas. Em seis horas, o acumulado pluviométrico atingiu 259 milímetros — acima da média esperada para todo o mês de fevereiro, de 238,2 milímetros. Na região do Morro da Oficina, carros foram arrastados pela enxurrada. Ruas viraram rios, deixando moradores em pânico. Já o centro de Petrópolis ficou debaixo d’água: até o quartel dos bombeiros foi completamente inundado. Na noite desta terça-feira, parte de Petrópolis continuava sem luz, e pessoas, isoladas à espera de socorro.

Situação de Petrópolis 'é quase de guerra', diz governador

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, está no Morro da Oficina, em Petrópolis, o local onde houve mais deslizamentos e vítimas, e onde estão concentrados os esforços de resgate. Ele descreveu o cenário como uma "situação quase que de guerra". Ao todo, segundo a Defesa Civil do Estado, foram registrados 44 mortos em contagem feita até as 12h20 desta quarta-feira, 16. Pelo menos 21 pessoas foram resgatadas com vida.

"Toda a nossa equipe está mobilizada: Corpo de Bombeiros, secretarias e demais órgãos do estado", afirmou o governador. "Atuamos no resgate e salvamento de vítimas, desobstruindo estradas, atendendo pessoas que perderam seus bens, com medicamentos e remoções, entre outras ações."

O secretário de Estado de Defesa Civil, coronel Leandro Monteiro falou sobre o trabalho de resgate. "Há uma grande equipe concentrada no Morro da Oficina, onde acreditamos ter o maior número de vítimas ainda soterradas", disse Monteiro. "Estamos com 400 militares mobilizados e atuando em 44 pontos atingidos pelo temporal. Montamos um hospital de campanha com 10 leitos onde as vítimas recebem o primeiro atendimento."

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras está mobilizada com maquinário na cidade: são 20 caminhões, 20 retroescavadeiras 10 escavadeiras hidráulicas, 5 caminhões vacoll e 10 carros pipas.

Dois caminhões com medicamentos e insumos da Secretaria Estadual de Saúde já estão na cidade serrana. Oito ambulâncias fazem remoção de pacientes e ações de socorro. A Central Estadual de Regulação está empenhada para transferências imediatas. Há doses extras de vacinas antitetânicas e equipes estão mobilizadas para emissão de certidões de óbitos.

Mais de 180 pessoas que moram em áreas de risco foram acolhidas em escolas que estão funcionando como abrigos. Equipes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos trabalham no cadastramento das famílias desalojadas e desabrigadas. O Núcleo de Assistência ao Cidadão (NAC) viabiliza documentação para a população que perdeu seus bens.

Bolsonaro pede auxílio imediato

O presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu aos ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) “auxílio imediato” às vítimas das chuvas em Petrópolis. “De Moscou tomei conhecimento sobre a tragédia que se abateu em Petrópolis/RJ. Fiz várias ligações para os Ministros @rogeriosmarinho e Paulo Guedes para auxílio imediato às vítimas bem como conversei com o @DefesaGovBr General Braga Netto, que me acompanha na Rússia”, publicou no Twitter o presidente, que está em visita oficial à Rússia.

De acordo com Bolsonaro, ele também conversou com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). “Retorno na próxima sexta-feira e, mesmo distante, continuamos empenhados em ajudar ao próximo. Deus conforte aos familiares das vítimas”, finalizou o chefe do Executivo, na mesma rede social.

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