São Paulo registra primeira morte por coronavírus no Brasil

Paciente era homem, com 62 anos, que não viajou e tinha histórico de diabetes e hipertensão

Brasil registra a primeira morte por coronavírus. Foto de São Paulo, 14 de março de 2020. Foto:  Alexandre Schneider/Getty Images) (Alexandre Schneider/Getty Images)
Brasil registra a primeira morte por coronavírus. Foto de São Paulo, 14 de março de 2020. Foto: Alexandre Schneider/Getty Images) (Alexandre Schneider/Getty Images)
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Clara Cerioni

Publicado em 17 de março de 2020 às 10h46.

Última atualização em 17 de março de 2020 às 15h20.

O estado de São Paulo registrou a primeira morte por coronavírus no Brasil. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde. O paciente era homem, com 62 anos e tinha um histórico de diabetes e hipertensão. Ele não tem histórico de viagem.

Existem, ainda, quatro outros óbitos no mesmo hospital, que ainda não se sabe qual o agente causador, segundo informações do coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip.

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, informou que a vítima está sendo tratada como caso de transmissão comunitária do vírus. "Temos de repensar cada vez mais as medidas de prevenção, principalmente por se tratar de um óbito comunitário", declarou o secretário.

Questionados sobre a quantidade de pacientes em estado grave, os representantes do governo afirmaram que não há, ainda, um levantamento consolidado.

"De forma geral, a situação em São Paulo segue o padrão: 80% são leves e 20% são pessoas que precisaram ser internadas. Das que foram internadas, 5% estão em situação grave, o que deve ser um contingente de 30 pessoas", disse Paulo Menezes, coordenador do Comitê de Operações de Emergência em SP.

São Paulo é o estado com maior número de casos da doença. Até o balanço da segunda-feira 16 eram 152 pacientes confirmados e mais de 1.000 suspeitos. Nesta tarde, haverá nova atualização e a tendência é o número ser maior.

Em entrevista mais cedo, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), lamentou a morte e destacou a gravidade da situação. "Isso mostra a gravidade desta pandemia, que não é uma marolinha, como muitos querem fazer crer."

A capital paulista decretou estado de emergência em saúde. Isso significa que a prefeitura pode requisitar bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, com pagamento posterior de indenização justa e poderá adquirir bens e serviços destinados ao enfrentamento da emergência sem a necessidade de licitação.

Já o governo do estado decretou a suspensão gradual das aulas em escolas públicas e expandiu a recomendação para escolas particulares. Também estão proibidos os eventos com mais de 500 pessoas, para evitar aglomerações. Serão fechados por 30 dias museus, bibliotecas, teatros e cinemas.

O Ministério da Saúde orienta a população a ficar em casa e só sair em caso de necessidade, para diminuir a velocidade de contágio. O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 17, um pacote emergencial de 147 bilhões de reais para atenuar os efeitos do coronavírus na economia.

Coronavírus no Brasil

O país já superou os 230 casos de infecção. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro também já registra transmissão comunitária do Covid-19, nome oficial da doença.

O estado, que tem 31 casos, decretou emergência de saúde pública, com a suspensão de eventos e da entrada de ônibus de estados que também apresentarem transmissão comunitária.

Estados como Minas Gerais, com cinco casos, Goiás, com três, e Espírito Santo, com apenas um, também decretaram situação de emergência em saúde. O objetivos dos estados é acelerar a compra de medicamentos e equipamentos hospitalares.

Em Minas, o governo criou um comitê para ampliar as ações de prevenção e combate à doença, além de determinar o recesso escolar. Em Goiás foram suspensos todos os eventos e a visitação a pacientes em hospitais e a presos nas cadeias do estado.

No Espírito Santo, o governo ainda não decidiu se vai fechar as escolas, mas já suspendeu atividades culturais por tempo indeterminado.

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