Quem é Nelson Teich, o novo ministro da Saúde, e o que ele defende

Médico oncologista já defendeu isolamento social em artigos e disse em primeiro pronunciamento que não haverá "decisão brusca" sobre o tema

O médico Nelson Luiz Sperle Teich assumiu nesta quinta-feira (16) o cargo de ministro da Saúde do Brasil no lugar de Luiz Henrique Mandetta, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Teich terá o desafio de enfrentar a pandemia do novo coronavírus, que tem mais de 30 mil casos confirmados e 1.924 mortes no país.

Em declaração curta, pouco específica e sem abertura para perguntas no Palácio do Planalto, ele disse haver um “alinhamento completo” com Bolsonaro, que instantes antes o anunciara como novo ministro.

Teich também disse que era preciso “trabalhar dados e inteligência” e destacou a necessidade de testagem para “conhecer melhor a doença”, assim como pesquisa com medicamentos e vacinas.

“Sobre distanciamento e isolamento. Não haverá qualquer definição brusca ou radical do que vai acontecer”, disse.

“Saúde e economia: as duas coisas não competem entre si. Quando polariza começa a tratar pessoas versus dinheiro, o bem versus mal, emprego versus pessoas doentes”, afirmou Teich.

Perfil

Teich é formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e se especializou em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Também é sócio da Teich Health Care, uma consultoria de serviços médicos, além de fundador do Instituto COI, que realiza pesquisas sobre câncer.

O novo ministro é próximo do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, de quem foi sócio, e chegou a ser consultor da secretaria entre setembro e março deste ano. Eles foram sócios no Midi Instituto de Educação e Pesquisa, empresa fechada em fevereiro de 2019.

A escolha de Teich foi considerada internamente no governo como uma vitória do secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajgarten, e do empresário bolsonarista Meyer Nigri, dono da Tecnisa. Os dois foram os principais apoiadores de seu nome para o cargo.

Teich teve o apoio da classe médica e contou a seu favor a boa relação com empresários do setor. O argumento pró-Teich foi de que ele trará dados para destravar debates “politizados” sobre a covid-19.

O médico já havia sido cogitado para o cargo ainda na transição do governo em 2018, quando estava sendo montado o ministério. O então presidente-eleito optou, no entanto, pelo ex-deputado Mandetta.

Posições

Em artigos publicados em sua página no LinkedIn nas últimas semanas, Teich defendeu medidas para conter a epidemia semelhantes às que o ministério está adotando atualmente, que são contrariadas por Bolsonaro e estão por trás da saída de Mandetta.

“A opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento”, escreveu em 02 de abril.

O médico também questionou a efetividade do “isolamento vertical”, defendida por Bolsonaro, com restrições à circulação apenas do “grupo de risco”, como aqueles acima de 60 anos ou com outras doenças.

“Essa estratégia também tem fragilidades e não representaria uma solução definitiva para o problema”, escreveu Teich, destacando que “teríamos pessoas assintomáticas transmitindo a doença para as famílias, para as pessoas de alto risco que foram isoladas e ficaram em casa”.

Teich fala ainda em um isolamento “inteligente”, com testagem em massa e monitoramento de aglomerações, mesma posição defendida pelo vice-presidente Hamilton Mourão esta semana.

“Não me coloco aqui como alguém que defende um lado ou outro, na verdade é o oposto, não pode existir lado”, escreveu ainda em março no texto “Covid-19: Histeria ou Sabedoria?”.

Sem citar o nome dele, Mandetta comentou, em uma live com o Fórum de Inovação Saúde (FIS) nesta manhã, sobre “um dos nomes que está saindo aí” como cotado para substituí-lo.

“O Denizar conhece bem, eu também o conheci em Londres, é um pesquisador. Mas não conhece bem o SUS. Não tem problema, o Denizar ajuda. Ninguém precisa sair em solidariedade, não tem isso”, disse.

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