PSB questiona investigação do acidente que matou Campos

Vice-governador de São Paulo, Márcio França, viu resultado das investigações da Aeronáutica com desconfiança e disse que esperava trabalho mais "esclarecedor"


	Eduardo Campos: PSB aguardará a conclusão do inquérito para se posicionar oficialmente
 (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Eduardo Campos: PSB aguardará a conclusão do inquérito para se posicionar oficialmente (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 16 de janeiro de 2015 às 17h06.

Brasília - Líderes do PSB reagiram com surpresa à conclusão das investigações da Aeronáutica que apontou a sucessão de falhas humanas como causa do acidente aéreo que vitimou o presidenciável Eduardo Campos em 13 de agosto de 2014, conforme revelou nesta sexta-feira, 16, o jornal O Estado de S. Paulo.

Os dirigentes questionam a falta de explicação para o desligamento da caixa-preta de voz e a razão pela qual o piloto Marcos Martins sofreu "desorientação espacial" sem que os aparelhos do moderno Cessna Citation ou o copiloto Geraldo Magela Barbosa percebessem que o jatinho estava em movimento de descida e não de subida.

O vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o líder do PSB na Câmara dos Deputados e vice na chapa presidencial de Marina Silva, Beto Albuquerque, contaram que voaram algumas vezes naquela aeronave e que nunca souberam de atritos ou indisposição entre piloto e copiloto.

Ao Broadcast Político, os líderes revelaram que Campos sempre voou na campanha com Martins e Magela e elogiaram a experiência destes profissionais.

"Ele (Campos) gostava muito deles. Se referia a eles como caras hábeis. Só ouvi elogios sobre eles", disse Albuquerque.

França viu o resultado das investigações da Aeronáutica com desconfiança e disse que esperava um trabalho mais "esclarecedor".

O vice-governador de São Paulo põe em dúvida a teoria da "desorientação espacial" do piloto e questiona se é possível que os instrumentos da aeronave e até o copiloto também tivessem perdido a referência do avião em relação ao solo.

"Era preciso que os dois (piloto e copiloto) entrassem em desorientação. Mas até onde sei, os aparelhos não desorientam", afirmou.

Os dirigentes acham difícil um piloto comercial com a experiência de Martins cometer os erros apontados pela Aeronáutica.

"Pode até ser, mas falha humana é uma conclusão simplista", opinou França.

O PSB contratou um técnico em acidentes aeronáuticos para acompanhar as investigações do acidente e avaliar o resultado da apuração oficial.

O partido vai pedir acesso ao relatório da Aeronáutica, mas aguardará a conclusão do inquérito para se posicionar oficialmente.

"Como morto não fala, tudo o que se imputar a quem morreu pode resolver para alguém, mas para nós não resolve", emendou Albuquerque.

Procurada, a candidata derrotada à Presidência da República Marina Silva não se pronunciou sobre o tema.

A assessoria da ex-senadora alegou que ela não tem conhecimentos técnicos sobre o assunto para se manifestar.

Já o porta-voz da Rede Sustentabilidade, Bazileu Margarido, que na época do acidente era um dos coordenadores da campanha, disse que o grupo espera por um posicionamento oficial da Aeronáutica sobre o que causou a queda do avião.

Nos bastidores, os pessebistas dizem que querem explicações para o não funcionamento da caixa-preta de voz, para o fato da mala de Eduardo Campos ser recuperada intacta dos destroços e de, até o momento, não se saber se alguém estranho à equipe de campanha teve acesso à aeronave antes do trágico voo.

Na época do acidente, militantes e simpatizantes do então candidato à presidência da República acreditavam que Campos tinha sido vítima de um "atentado" político.

Prestação de contas

O acidente aconteceu durante a campanha presidencial, quando Campos se deslocava do Rio de Janeiro para um compromisso em Santos. 

Logo após a tragédia, foram levantadas dúvidas sobre a propriedade do jato Cessna Citation e suspeitas de que a aeronave teria sido paga com dinheiro de caixa 2.

Três empresários de Pernambuco ligados ao presidenciável se apresentaram como compradores do jatinho.

O PSB chegou a informar que os valores pelo uso do jatinho seriam lançados na prestação de contas da campanha, o que não ocorreu.

Segundo França, que assumiu a tesouraria da campanha de Marina, para lançar o uso da aeronave na prestação de contas final seria necessário calcular os gastos com base nas horas voadas, mas os documentos se perderam no acidente.

Ele informou que o PSB pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) um levantamento sobre a quantidade de horas voadas pelo Cessna, mas não obteve resposta.

Mais de Brasil

Conflitos por terra batem recorde no Brasil no primeiro ano do governo Lula

Cármen Lúcia mantém condenação de Deltan por Power Point contra Lula

Risco fiscal está 'drenando oportunidades' do Brasil, diz Tarcísio

Fluxo de passageiros para o exterior cresce pelo 24º mês seguido mostra Anac

Mais na Exame