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Por que Josué Gomes foi destituído do comando da Fiesp? Entenda

Sindicatos estavam insatisfeitos com a falta de interlocução com o comando da maior federação industrial do país e se mobilizaram para substituição

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Josué Gomes: ele foi destituído do cargo de presidente da Fiesp por 47 votos a um (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Josué Gomes: ele foi destituído do cargo de presidente da Fiesp por 47 votos a um (Antônio Cruz/Agência Brasil)

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Agência O Globo

Publicado em 17 de janeiro de 2023 às, 16h12.

Última atualização em 17 de janeiro de 2023 às, 16h29.

Em assembleia nesta segunda-feira, os sindicatos que formam a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destituíram o presidente da entidade, Josué Gomes da Silva, por 47 votos a um. A oposição ao comando da federação começou no último trimestre do ano passado, capitaneado pelo ex-presidente da organização Paulo Skaf que comandou a Fiesp por mais de 17 anos.

Veja os motivos que levaram à queda de Josué Gomes, dono da Coteminas e filho do ex-vice-presidente José de Alencar.

1) O manifesto assinado pela Fiesp em apoio à democracia foi uma das razões, segundo dirigentes de entidades patronais. A postura de Gomes como articulador do manifesto empresarial pró-democracia, que foi lido publicamente no dia 11 de agosto na Faculdade de Direito da USP, foi visto pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) como uma afronta.

A atitude de Gomes contou com a oposição de Skaf e de parte significativa dos afiliados da Fiesp. O documento entregue pela oposição à presidência da entidade pede que Gomes esclareça “as razões pelas quais teria elaborado e publicado pela Fiesp” o manifesto “Em Defesa da Democracia e da Justiça”.

2) O documento entregue em novembro pela oposição à presidência, que contou com a adesão de 86 sindicatos dos 106 com direito a voto na entidade, pede que Gomes esclareça “as razões pelas quais teria elaborado e publicado pela Fiesp” o manifesto “Em Defesa da Democracia e da Justiça”.

3) Falta de interlocução com os sindicatos menores dentro da federação ajudou na mobilização para a deposição do presidente. Gomes teria colecionado inimizades ao longo de um ano na Fiesp por deixar de atender a pleitos de entidades patronais de menor porte, que tinham excelente relação com Skaf. Alguns reclamaram que nunca foram recebidos pela direção desde janeiro.

4) Os líderes sindicais reclamavam que os departamentos não estavam funcionando e que Gomes não sabia como operava a federação.

5) Em reação ao movimento insurgente dentro da federação, Gomes publicou edital convocando assembleia para 16 de janeiro, data posterior ao que a oposição havia determinado de 21 de dezembro.

O edital publicado por Gomes explicita o questionário feito a ele por esse movimento de oposição em um documento de 16 de novembro e entregue à Fiesp em 18 do mesmo mês.

6) Críticas à entidade também foram argumentos da oposição para querer afastar Gomes. O presidente teria questionado o processo eleitoral da Fiesp em reunião com a diretoria da entidade e sindicatos filiados a ela, realizada em 7 de novembro.

Ele teria dito que o processo é “antidemocrático” e que “o desenho é configurado para que não haja disputa real nem democracia”.

7) Há ainda questionamentos relativos ao número de viagens que Gomes teria feito a Brasília, considerando que “muitas das questões debatidas têm origem no Congresso Nacional e Executivo Federal e considerando que o presidente da entidade é considerada a figura máxima representativa da instituição”.

E pede que Gomes explique quantas entrevistas deu a veículos de imprensa “em prol da defesa e efetiva representação da categoria”.

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