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Uma turista brasileira foi vítima de um estupro coletivo cometido por sete homens, enquanto viajava de moto pela Índia com o marido, que também foi agredido, na última sexta-feira, 1º. Fernanda, que compartilha nas redes sociais as aventuras ao lado do espanhol Vicente, relatou ter vivido um pesadelo em suas últimas postagens. Três agressores foram presos e os demais suspeitos, já identificados, seguem sendo procurados pela polícia local.

Ao lado de Vicente, ela documenta as viagens que fazem pelo mundo de moto há cinco anos, para um público de mais de 140 mil seguidores no Instagram, no perfil dos dois. Em sua última postagem, Fernanda mostra os machucados e diz: "Minha cara está assim, mas não é o que mais me dói. Pensava que íamos morrer. Graças a Deus estamos vivos".

Após a agressão, com hematomas pelo rosto e corpo, o casal relatou em detalhes o que aconteceu durante a madrugada de terror que viveram, enquanto acampavam no distrito de Dumka. Eles estavam na estrada, a caminho do Nepal, quando decidiram parar para passar a noite.

"Aconteceu algo conosco que não desejaríamos a ninguém. Sete homens me estupraram, nos espancaram e nos roubaram", disse ela, aos prantos. Ainda segundo Fernanda, os agressores não roubaram muitas coisas, “porque o que eles queriam era me estuprar”.

Em outra postagem, Vicente mostrou cortes que sofreu nos lábios e pontos em volta da boca. O espanhol relatou que também foi brutalmente atacado pelos agressores, que o atingiram repetidamente na cabeça, com um capacete e uma pedra. "Minha boca está destruída, mas Fernanda é pior do que eu", disse ele.

Indenização

A brasileira e seu marido receberam nesta segunda-feira, 4, um cheque no valor de um milhão de rúpias (cerca de R$ 60 mil) como indenização. 

"Estamos realizando investigação exaustiva e tentaremos garantir um julgamento rápido e uma condenação", disse Anjaneyulu Dodde, comissário adjunto do distrito de Dumka, no Estado de Jharkhand, onde ocorreu o ataque.

A entrega da indenização teve lugar na casa de segurança do governo para onde os dois viajantes, ela de origem brasileira e naturalizada espanhola, e o cidadão espanhol, foram transferidos na noite de sábado, 2.

A lei estabelece penas severas para estupro, que na maioria dos casos não permitem fiança. Um estupro, de acordo com o código penal indiano, deve ser punido com no mínimo 10 anos de prisão, e um estupro coletivo com até prisão perpétua.

O que acontece agora?

De acordo com a polícia local, Fernanda foi socorrida por volta das 23h e levada ao hospital. Pitamber Singh Kherwar, superintendente da polícia do distrito, disse ao The Times of India que a polícia abriu uma investigação e três criminosos foram presos. Os demais suspeitos estão sendo procurados.

Três indianos compareceram a um tribunal pela acusação de estupro coletivo, informou a imprensa local nesta segunda-feira, enquanto a polícia procura outros quatro suspeitos. "Formamos uma equipe para descobrir o paradeiro dos suspeitos", declarou à AFP o policial Pitamber Singh Kherwar.

Três homens foram escoltados ao tribunal no domingo, com as cabeças cobertas, por policiais. Os três permanecem em prisão preventiva. A turista e o marido também compareceram ao tribunal. Ainda falta encontrar e aplicar a justiça a quatro homens que também foram envolvidos no caso.

"Temos que garantir uma punição rigorosa", disse Kherwar, segundo a agência de notícias Press Trust of India (PTI). Kherwar anunciou que uma equipe especial foi criada para examinar a cena do crime e que uma segunda equipe está procurando os demais suspeitos. "Em breve eles serão detidos", prometeu.

Histórico de violência contra a mulher

Em 2022, a Índia teve média de 90 estupros diários, de acordo com o escritório nacional de registros criminais. O país é considerado um dos piores em termos de violência sexual contra mulheres. No entanto, muitos ataques não são denunciados, devido ao estigma que muitas vezes as vítimas sofrem e também devido à falta de confiança no trabalho da polícia.

As condenações raramente são emitidas e muitos casos acabam estagnados no saturado sistema judicial do país. Mas, em 2012, o caso de uma estudante que foi vítima de um estupro coletivo e depois assassinada ganhou as manchetes em todo o mundo.

Jyoti Singh, uma estudante de Psicoterapia de 23 anos, foi estuprada e abandonada, dada como morta, por cinco homens e um adolescente em um ônibus em Nova Délhi, em dezembro daquele ano.  O caso trouxe à tona os elevados níveis de violência sexual na Índia e provocou semanas de protestos, que resultaram na mudança da legislação para punir o crime de estupro com a pena de morte.

(Com Agência O Globo e AFP)

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