O que esperar da reforma ministerial de Jair Bolsonaro

Ministros que queiram concorrer a algum cargo nas eleições de outubro devem deixar os postos na semana que vem. Até 10 chefes de pastas importantes da Esplanada podem ser substituídos
 (Reuters/Ueslei Marcelino)
(Reuters/Ueslei Marcelino)
Por Alessandra Azevedo, de BrasíliaPublicado em 26/03/2022 09:00 | Última atualização em 25/03/2022 18:25Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Com o prazo para desincompatibilização prestes a acabar, em 2 de abril, os ministros do governo Jair Bolsonaro que queiram concorrer a algum cargo nas eleições de outubro devem deixar os postos na semana que vem. A expectativa é de que até 10 chefes de pastas importantes da Esplanada sejam substituídos nos próximos dias.

Assine a EXAME por menos de R$ 0,37/dia e acesse as notícias mais importantes do Brasil em tempo real.

A maioria dos ministros deve tentar uma vaga no Senado, onde o presidente tem tido dificuldades de articulação, mas alguns vão concorrer à Câmara dos Deputados e a governos estaduais. Parte deles ainda não se filiou a nenhum partido e deve fazer isso nos próximos dias. 

Bolsonaro tenta melhorar a relação com o Republicanos, que deu sinais de estar insatisfeito com o governo. A seis meses das eleições, muitos dos substitutos das pastas devem ser servidores de carreira, em vez de políticos. 

Veja como deve ficar cada ministério com as mudanças previstas: 

Secretaria de Governo

Deputada federal licenciada, a ministra Flávia Arruda deve ser candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal. A pasta, responsável pela articulação política do governo com o Congresso, deve passar a ser liderada por Célio Faria Júnior, chefe de gabinete pessoal de Bolsonaro desde 2020. Célio é servidor público federal e economista, especialista em orçamento, e trabalhou na área de Relações Institucionais da Marinha.

Ministério do Turismo

O ministro Gilson Machado também deve se candidatar ao Senado em Pernambuco, na chapa com o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), que tentará o governo do estado. Apesar de a pasta estar na mira de políticos, o mais provável é que Gilson seja substituído pelo secretário-executivo, Marcos José Pereira, que já atuou como diretor de ações socioambientais no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

Ministério do Desenvolvimento Regional

O ministro Rogério Marinho, ex-deputado federal, também deve disputar uma vaga no Senado, pelo PL no Rio Grande do Norte. A pasta pode ter um destino político ou técnico. Na primeira opção, a chefia seria assumida pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ou por algum senador aliado ao governo. A opção técnica, mais cotada, é o secretário-executivo Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, engenheiro civil e especialista em gestão e orçamento público.

Ministério da Agricultura

Deputada federal licenciada, a ministra Tereza Cristina também tentará uma vaga como senadora pelo PP no Mato Grosso do Sul. No lugar dela deve ficar o secretário-executivo Marcos Montes, ex-deputado federal pelo PSD de Minas Gerais, no cargo atual desde 2019.

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

O ministro Marcos Pontes tentará uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Ele ainda não se filiou a nenhum partido, mas deve ir para o PL. O substituto não foi escolhido. A pasta está na mira de políticos do Centrão, mas uma opção interna é o secretário-executivo, Sérgio Freitas de Almeida, engenheiro eletricista.

Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

A ministra Damares Alves disputaria uma vaga no Senado, mas agora estuda a possibilidade de tentar ser deputada federal pelo Distrito Federal. Ela deve se filiar ao Republicanos na semana que vem para poder concorrer. Ainda não está definido o substituto na pasta. 

Ministério da Defesa

O ministro Walter Braga Netto é cotado como possível vice na chapa do presidente Jair Bolsonaro.O mais provável é que, no lugar dele, entre o atual comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira. O governo, porém, ainda estuda outros nomes entre os militares da ativa. 

Ministério do Trabalho e Previdência

O ministro Onyx Lorenzoni vai concorrer ao governo do Rio Grande do Sul pelo PL. O mais cotado para assumir o lugar dele na pasta é o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), José Carlos Oliveira. Outra opção é o secretário-executivo, Bruno Dalcomo.

Ministério da Infraestrutura

O ministro Tarcísio de Freitas sairá para concorrer ao governo do estado de São Paulo. Ele se filiará ao Republicanos. Já está praticamente decidido que a chefia da pasta ficará com o secretário-executivo, Marcelo Sampaio, homem de confiança de Tarcísio.

Ministério da Cidadania

Atualmente no Republicanos, o ministro João Roma pode sair para concorrer ao governo da Bahia pelo PL, partido ao qual se filiará nesta semana. Ainda não se sabe quem substituirá Roma no ministério, caso ele decida realmente ser candidato.