No Rio de Janeiro, casos de meningite em 2022 já superam os de 2021

É chamada de meningite qualquer inflamação localizada nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal
Secretaria de Saúde diz que não há surto da doença no estado (Universal Images/Getty Images)
Secretaria de Saúde diz que não há surto da doença no estado (Universal Images/Getty Images)
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Agência Brasil

Publicado em 30/09/2022 às 19:29.

Última atualização em 30/09/2022 às 19:55.

O estado do Rio de Janeiro registrou aumento nos casos de meningite e de doença meningocócica em 2022, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), que afirma não haver surto da doença em território fluminense.

É chamada de meningite qualquer inflamação localizada nas meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Os micro-organismos causadores podem ser vírus, bactérias, fungos e outros agentes. As meningites virais são as mais comuns e as que costumam evoluir com menor gravidade. Já a doença meningocócica é causada por diferentes tipos de bactérias chamadas meningococos, que podem causar meningites mais graves ou até meningococcemia, a infecção generalizada causada pelo meningococo.

A SES informou ontem, 29, que, entre janeiro e agosto de 2022, o número de casos de doença meningocócica no estado aumentou 55,5% quando comparado com o mesmo período de 2021. Durante todo o ano de 2021, foram registrados 30 casos de doença meningocócica, sendo que oito pacientes foram a óbito. Em 2022, até agosto, já há 28 notificações da doença e sete óbitos.

Se forem considerados todos os casos de meningite, os 977 registrados até agora no estado já superam os 959 contabilizados ao longo de todo o ano de 2021.

Vacinas

O Programa Nacional de Imunizações oferece diferentes tipos de vacina que protegem contra diferentes tipos de meningite bacteriana: a vacina meningocócica C (conjugada), que previne contra o tipo C da doença meningocócica; a vacina Penta, que evita a meningite causada pela bactéria Haemophilus influenzae B, além de outras quatro doenças; e a vacina meningocócica ACWY, que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y do meningococo. Há ainda as meningites bacterianas causadas pelos pneumococos, cujos 10 principais sorotipos são prevenidos pela vacina Pneumocócica 10-Valente.

A vacina meningocócica C (conjugada) é a que está no calendário vacinal brasileiro há mais tempo, desde 2010, porque o sorotipo C é o mais prevalente no país. Apesar disso, a cobertura desse imunizante para menores de 1 ano vem caindo nos últimos anos. Segundo a SES, em 2017, a taxa ficou em 91,32%; em, 2018, em 87,86%; em 2019, reduziu para 76,81%; em 2020, caiu para 57,12%; e em 2021, ficou em 54,49%. Em 2022, até o dia 22 de setembro, a taxa inserida no sistema estava em 36,38%.

A cobertura vacinal do ano de 2022 ainda deve ser atualizada na base de dados, porque os números estão sujeitos a atrasos no preenchimento dos formulários por parte dos municípios.

O esquema vacinal da meningocócica C prevê duas doses, aos 3 e aos 5 meses de idade, e um reforço, que deve ser feito preferencialmente aos 12 meses de idade. A SES lembra ainda que, em julho deste ano, o Ministério da Saúde ampliou a oferta da vacina meningocócica C para trabalhadores da saúde e crianças com até 10 anos de idade. Crianças entre 5 e 10 anos que nunca receberam o imunizante devem tomar apenas uma dose e os trabalhadores da saúde devem receber dose de reforço, mesmo que já tenham esquema vacinal completo.

A vacina meningocócica ACWY é prevista no calendário de crianças e adolescentes de 11 a 14 anos, e a imunização nessa faixa etária é importante para conter a circulação, já que adolescentes e adultos jovens são os principais responsáveis pela transmissão da doença no país.

Cerca de 10% dos adolescentes e adultos são portadores assintomáticos do meningococo na garganta e podem transmitir a bactéria mesmo sem adoecer, por meio de secreções respiratórias, como gotículas de saliva.

Já a vacina Penta protege contra a bactéria Haemophilus influenzae B, que também causa meningite bacteriana, além de prevenir da difteria, tétano, coqueluche, e hepatite B. O imunizante deve ser aplicado nas crianças aos 2, 4 e 6 meses de idade, mas as coberturas também estão em queda: 93,49%, em 2017; 88,16%, em 2018; 55,15%, em 2019; 55,77%, em 2020; e 54,27%, em 2021. Este ano, até o dia 22 de setembro, a taxa está em 34,67%.

A secretaria informa que, mesmo com o fim, hoje, 30, da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação, todas as vacinas destinadas à imunização de crianças e adolescentes continuam disponíveis nos postos de saúde, incluindo os três imunizantes que protegem contra a meningite.

O presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurélio Sáfadi, ressalta que a vacina é a principal ferramenta de prevenção contra a doença meningocócica.

"A manifestação da doença é uma crise de sintomas, que é caracterizada por febre, dor de cabeça e vômito. Essa é a tríade clássica da meningite. Além disso, como há infecção nas meninges, há a rigidez de nuca e outros sinais", descreve. "São sempre casos graves, que levam à prostração, torpor, queda de estado geral, muitas vezes têm manchas no corpo e manifestações de maior gravidade. Via de regra, esse é o quadro da meningite bacteriana".

Sáfadi acrescenta que bebês com a doença vão apresentar gemidos, irritabilidade e abaulamento da moleira, além da febre, vômito e dor de cabeça.

O médico explica que, quando um caso de doença meningocócica é diagnosticado, é preciso fazer o rastreio dos contatos para medicação com antibióticos, já que a maior parte dos portadores da bactéria não manifesta os sintomas da doença, mas pode transmiti-la.

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