Não há volta ao normal no pós-pandemia, diz diretor do Brazil Institute

Na opinião de Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King's College de Londres, os países vão precisar repensar a maneira como estão constituídos

Uma expressão que se ouve muito neste momento de pandemia de covid-19 é o “novo normal”. Mas por quanto tempo as medidas de segurança e as restrições de atividades econômicas vão perdurar?

Na opinião do diretor do Brazil Institute, do King's College de Londres, Vinícius Mariano de Carvalho, não haverá uma volta ao normal no pós-pandemia. Além disso, para ele, a saída da crise sanitária só vai ocorrer quando o mundo todo se esforçar de forma global e conjunta.

“A gente está tentando entender o significado da palavra pan. Ela está ensinando o que é realmente uma grande globalização. Não há um país que conseguirá sair da covid-19 sozinho enquanto houver apenas uma nação em que a doença não esteja controlada”, disse Carvalho ao canal UM BRASIL, uma iniciativa da FecomercioSP. A entrevista será publicada na sexta-feira, 16, mas EXAME teve acesso ao conteúdo, com exclusividade.

O Brazil Institute existe há dez anos e é um braço da renomada universidade King's College, que tem o objetivo de pesquisar e entender os agentes econômicos e políticos brasileiros e suas relações com o Reino Unido.

Para Vinícius de Carvalho, a maneira como a sociedade está constituída, olhando para as relações humanas e aspectos econômicos, já não funciona mais. “Não existe uma normalidade a se voltar. Precisamos reconsiderar o que sempre chamamos de normalidade”, afirma.

A grande ponto colocado por ele, é que todas as sociedades da atualidade têm fissuras, em maior ou menor grau, e a pandemia fez com que estes problemas ficassem cada vez mais expostos. “As fissuras se transformaram em fraturas e nós estamos vendo muitas sociedades extremamente fraturados em virtude da dimensão que a pandemia trouxe. Mostrou que as estratégias dos países estavam sendo mais excludentes do que includentes”, diz.

Carvalho cita o caso dos Estados Unidos, atualmente o país com mais infectados e mortos pela covid-19 em todo o mundo, segundo dados da universidade Johns Hopkins.

Investimento em saúde X militar

Uma das áreas de pesquisa de Carvalho é o campo de defesa e segurança nacional. Na opinião dele, investir em questões militares é tão importante quanto investir em saúde. No começo de setembro, o Brasil inverteu a lógica proposta pelo diretor do Brazil Institute ao enviar o projeto de orçamento ao Congresso Nacional, com previsão de uma verba maior para as Forças Armadas que para o Ministério da Saúde.

“A segurança sanitária é tão relevante para defesa quanto a investimento em tecnologias voltadas para o exercício do poder militar. E não estou falando aqui de armas biológicas, e sim da capacidade de resposta de um país frente a crises, como esta de saúde. Elas afetam diretamente a capacidade de defesa dos países”, diz.

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