Na contramão de Guedes, Lula e FHC pedem manutenção de tarifas no Mercosul

Em mais um gesto de aproximação, ex-presidentes defendem proposta da Argentina de reajustes menores, em contraponto à política de Paulo Guedes

Em mais uma sinalização de convergência contra o Governo Bolsonaro, os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso assinaram, neste sábado (5), uma nota conjunta contra reduções tarifárias unilaterais no Mercosul - estratégia defendida pelo ministro da economia, Paulo Guedes, mas rechaçada pelo presidente argentino Alberto Fernández.

"Concordarmos com a posição do presidente da Argentina, Alberto Fernández, de que este não é o momento para reduções tarifárias unilaterais por parte do Mercosul, sem nenhum benefício em favor das exportações do bloco. Concordamos também que é necessário manter a integridade do bloco, para que todos os seus membros desenvolvam plenamente suas capacidades industriais e tecnológicas e participem de modo dinâmico e criativo na economia mundial contemporânea", diz o comunicado.

Enquanto Paulo Guedes quer uma forte redução de tarifas no Mercosul, Fernández defende reajustes menores, o que, segundo ele, preservaria setores importantes da indústria argentina. O posição é vista pelo governo Bolsonaro como um exemplo do tradicional protecionismo argentino.

Rivais políticos históricos, Lula e FHC recentemente se reuniram na casa do ex-ministro Nelson Jobim, retomando um diálogo interrompido pelo menos desde 1994 pelos embates eleitorais entre PT e PSDB.

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