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Neste domingo, 10, a mina 18 da Braskem, localizada no bairro Mutange em Maceió, sofreu um rompimento. O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, publicou nas redes sociais o momento do ocorrido.

"Às 13h15 de hoje, a mina 18 sofreu um rompimento, no trecho da lagoa próximo ao Mutange. Estarei em instantes sobrevoando a área com os nossos técnicos. A Defesa Civil de Maceió ressalta que a mina e todo o seu entorno estão desocupados e não há qualquer risco para as pessoas. Novas informações sobre o assunto estão sendo obtidas e serão compartilhadas assim que possível", escreveu o prefeito.

O que está acontecendo em Maceió?

Desde a noite de 30 de novembro, a Defesa Civil de Maceió estava em alerta máximo devido ao risco iminente de colapso. O órgão orientou que fosse evitada a circulação de pessoas e de embarcações na lagoa próximo ao local, que foi desocupado por causa do afundamento do solo causado pela mineração.

Em nota, a Defesa Civil alertou para o "risco iminente de colapso" da mina número 18. Estudos mostravam um aumento significativo na movimentação do solo, indicando a possibilidade de rompimento e surgimento de uma imensa cratera.

A mina citada pelo órgão é formada por cavernas abertas pela extração de sal-gema durante décadas de mineração, mas que estavam sendo fechadas desde que o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a atividade realizada pela Braskem havia provocado o fenômeno na região.

De acordo com a Braskem, a movimentação no solo foi registrada "em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro", que foi isolada preventivamente.

No dia 29 de novembro, após pelo menos cinco abalos sísmicos em novembro, o governo federal informou que enviou uma equipe da Defesa Civil Nacional para avaliar a gravidade da situação.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes, em contato com o governador de Alagoas, Paulo Dantas, determinou a ida imediata do diretor de obras, Paulo Falcão, e de um membro do Grupo de Apoio a Desastres (Gade), para acompanhar e monitorar a situação.

O MDR também pediu ao Ministério das Minas e Energia a presença do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que já confirmou que as ações da Braskem são responsáveis pelo afundamento do solo nos bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Em 2018, a população foi evacuada e os locais estão desocupados. Desde então, a Defesa Civil Nacional monitora a situação.

Nas redes sociais, o governador Paulo Dantas afirmou que “esse desabamento pode ocasionar a formação de grandes crateras, por isso as equipes nacionais estão chegando a Alagoas nesta noite. O Governo de Alagoas tem reiteradamente cobrado a Braskem para verdadeiramente assumir sua responsabilidade diante do maior crime ambiental do urbano do mundo”, afirmou.

Em nota, "a Braskem informa que, em decorrência do registro de microssismos e movimentações de solo atípicas pelo sistema de monitoramento, paralisou suas atividades na Área de Resguardo. Tais registros estão concentrados em um local específico, dentro das áreas de serviço da companhia, nas proximidades da Av. Major Cícero de Goes Monteiro.

A área, que já estava com algumas atividades paralisadas para evitar interferência na coleta de dados, foi isolada preventivamente e em cumprimento às ações definidas nos protocolos da companhia e da Defesa Civil. Essa foi uma medida preventiva enquanto se aprofunda a compreensão da ocorrência.

O que acontece agora?

Em nota, a prefeitura de Maceió confirmou uma reunião neste domingo, 10, entre o prefeito JHC e o governador de Alagoas, Paulo Santas. O encontro foi  pra tratar os desdobramentos do episódio e buscar soluções para o ocorrido.

"A Prefeitura de Maceió informa que, diante do rompimento da mina 18, anunciado no início da tarde, o prefeito de Maceio, JHC, solicitou reunião urgente com o governador de Alagoas, Paulo Dantas, a ser realizada ainda neste domingo (10), a fim de tratar dos desdobramentos do episódio e em busca de soluções que contem com a participação do governo estadual."

Na manhã desta segunda-feira, 11, o prefeito viajou a Brasília para uma agenda convocada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, além de reuniões com representantes do Governo Federal.

O gestor antecipou que vai reivindicar junto à União o pagamento imediato dos auxílios para pescadores e marisqueiros, que estão sem poder trabalhar. Outra providência será debater um estudo aprofundado nas águas da lagoa, que entraram em contato com a mina e precisam ser analisadas.

”São muitas coisas para fazer e não podemos ficar perdendo tempo. Ontem à noite mesmo reuni meu secretariado, conversei com a equipe do Governo do Estado e membros do Governo Federal, tudo para dar as respostas com a velocidade que o povo merece”. disse.

O que disse a Braskem?

Em nota, a Braskem afirmou o local estava 100% desocupado desde abril de 2020, e seguia sob monitoramento constante. A empresa paralisou suas atividades na Área de Resguardo, em decorrência das movimentações de solo atípicas na região.

Ainda segundo a corporação, foi provisionado R$ 14,4 bilhões para indenizações, dos quais 4,4 bilhões já foram pagos a moradores e comerciantes da região. Além disso, foi disponibilizado apoio psicológico, cuidado com animais de estimação, suporte para regularização de documentos e mudança.

Veja comunicado da Braskem:

A Braskem reafirma o seu compromisso e manifesta solidariedade irrestrita a todos os moradores da cidade de Maceió. Nossa prioridade continua sendo a segurança das pessoas. É para isso que trabalhamos incansavelmente há quatro anos nos trechos da cidade afetados pelo afundamento do solo.

Desde 2019, já realizamos as seguintes ações na região:

  • Paralisação definitiva da atividade de extração de sal, em maio de 2019
  • Realocação preventiva de cerca de 40 mil pessoas da área definida como de risco pela Defesa Civil
  • Desocupação de 100% dessa área de risco definida em 2020 – moradores dos últimos 23 imóveis, que ainda permaneciam na região, foram realocados na semana passada
  • Apresentação de 19 mil propostas de indenização a moradores e comerciantes, o que representa 99,8% do total, com aceitação de 99%

Além disso, disponibilizamos apoio psicológico, cuidado com animais de estimação, suporte para regularização de documentos e mudança. Os bairros desocupados continuam recebendo serviços de zeladoria que incluem limpeza, controle de pragas e vigilância patrimonial, em conjunto com a segurança pública.

Como medida de prevenção, uma das mais modernas redes de monitoramento do solo foi instalada na região a partir de abril de 2019, e em novembro de 2020 foi iniciado o plano de fechamento definitivo das cavidades (poços de sal) desativadas, que já tem 70% dos trabalhos concluídos.

Medidas adicionais de mitigação, reparação e compensação foram definidas em acordos com órgãos federais, estaduais e municipais. São ações nas áreas social e ambiental, além de um programa de mobilidade urbana, projetos de reurbanização e de conservação do patrimônio histórico.

Para isso, provisionamos R$ 14,4 bilhões, dos quais já foram desembolsados R$ 9,2 bilhões, sendo R$ 4,4 bilhões pagos em indenizações de moradores e comerciantes.

Sobre a movimentação do solo registrada nos últimos dias em um local específico do bairro do Mutange, em Maceió, é importante lembrar que a situação se dá em um trecho da área já 100% desocupada desde abril de 2020, e segue sob monitoramento constante.

Hoje, temos mais de mil profissionais integralmente dedicados a cumprir todos os compromissos assumidos com Maceió, colaborando com as autoridades e priorizando a segurança das pessoas.

Minas e Energia descarta risco de novo rompimento; especialistas contestam

Equipes técnicas do Ministério de Minas e Energia avaliaram os dados da Defesa Civil de Maceió após o rompimento de parte da mina 18, da Braskem, em Mutange, neste domingo, 10, e afirmam que o "incidente foi localizado, sem danos maiores aparentes". Especialistas fazem ressalvas e afirmam que o episódio pode ser o início do rompimento total.

O Ministério afirma ainda que continua monitorando a situação junto às autoridades locais e atuando com foco na redução do impacto à população. Não há informações sobre feridos; as áreas estão desocupadas.

Também participaram da análise dos dados o Serviço Geológico do Brasil e a Agência Nacional de Mineração. "As áreas adjacentes, das demais minas, seguem sem indícios de instabilidade. O evento ocorreu após um aumento na velocidade de subsidência do solo nas últimas 48 horas", diz nota do ministério.

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), também descartou novos abalos. "O rompimento foi concentrado, local. Sobrevoamos e vimos uma movimentação, um fluxo de lama, naquela região da mina 18, na região do Mutange. As pessoas de outras áreas podem ficar tranquilas. Não há nenhum estudo que aponte outro colapso dessa magnitude", afirmou o prefeito.

Caldas afirmou que os danos ambientais só poderão ser registrados após o evento. Na segunda-feira, ele deverá se reunir com o governador Paulo Dantas (MDB) para discutir os próximos passos. Também participarão do encontro representantes dos nove municípios da Região Metropolitana de Maceió e o governo federal, informou Paulo Dantas nas redes sociais.

Especialistas alertam para risco de novos rompimentos

Dilson Ferreira, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), afirma que a movimentação pode indicar o início do rompimento total da mina e a possibilidade de impacto nas outras minas da região - são 35 ao todo.

"A mina tem 60% de sua área dentro da lagoa; os outros 40% estão no continente. A porção que está dentro da lagoa colapsou e iniciou um processo de rompimento. Nas próximas horas, teremos a noção se ela vai se estabilizar. Se a cratera abrir mais, ela pode atingir as outras minas do lado. Tudo é um processo com algumas etapas. Provavelmente teremos outros desmoronamentos até que ela se estabilize", diz o especialista.

O rompimento deste domingo não significa o colapso da mina, mas sim o começo do processo, de acordo com a engenheira geóloga Regla Toujaguez.

"Ainda não é o colapso, mas esse rompimento é o início do processo. Para que o colapso aconteça de fato toda a circunferência deve ceder, algo que ainda não aconteceu, mas agora é preciso ficar em alerta", diz a professora da Universidade Federal de Alagoas.

Ferreira reclama de falta de informações. "Os dados foram omitidos ou não foram coletados. Na universidade, não temos informações suficientes para prever o que vai acontecer. É um apagão de informações. A informação que temos é a informação que a Defesa Civil passa à população."

Imagens divulgadas pela Prefeitura mostram o reflexo do rompimento registrado às 13h15 deste domingo na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange. Com o rompimento, a água da lagoa está entrando na mina. Não há risco para a população porque a área foi desocupada. O rompimento é da ordem de 60 metros de diâmetro de acordo com o prefeito.

"O sistema de monitoramento de solo captou a movimentação por meio de DGPS instalados na região. As autoridades foram imediatamente comunicadas, e a Braskem segue colaborando com elas", informou a Braskem.

Abel Galindo, professor de engenharia civil na Universidade Federal de Alagoas e primeiro a alertar sobre a possibilidade de desabamento de uma das minas da Braskem, décadas atrás, ressaltou: "Essa turbulência foi a água e o solo descendo para dentro da mina. Terminou a novela. A mina não existe mais, está cheia de rochas e pedras. Conforme eu havia dito."

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