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O El Niño aumenta o risco de desmoronamento das minas de sal-gema da Braskem em Maceió. O alerta é de cientistas do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Lapis/UFAL), que desde 2018 monitoram a zona de desastre.

O perigo se chama vórtice ciclônico de altos níveis (VCAN), um fenômeno cuja frequência e intensidade aumentam em anos de desde 2018 , no período de dezembro a fevereiro. Um VCAN tem, em tese, potência para gerar chuvas fortes o suficiente para provocar deslizamentos e fazerem as minas colapsarem. E neste momento há um ativo sobre o Nordeste.

VCANs são fenômenos atmosféricos que se alimentam de calor, eles podem durar semanas e cobrir a área de vários estados. Seu centro é uma área de alta pressão, que comprime, esquenta e seca o ar. Já as bordas têm baixa pressão, com ventos poderosos e chuvas torrenciais.

O coordenador do Lapis, Humberto Barbosa, acrescenta que este ano, o mais quente já registrado, o El Niño se soma ao aquecimento da atmosfera, que também favorece a formação de VCANs. A cada 1 grau Celsius de elevação da temperatura, aumenta em 7% a disponibilidade de umidade na atmosfera. Há, assim, o combustível necessário para extremos meteorológicos.

Foi um VCAN que provocou chuvas superiores a 300 mm em 24 horas em Natal na semana passada. Se tivesse chovido da mesma forma em Maceió, o risco de desmoronamento seria muito aumentado, diz Barbosa.

— É um possível gatilho. Não sabemos qual é a resistência dessas áreas sob alta taxa de umidade e infiltração. Não existe um limiar de resistência conhecido para o tabuleiro de Maceió — afirma Humberto Barbosa, coordenador do grupo de degradação do solo do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Segundo ele, estudos de chuvas e deslizamentos, sugerem que o risco começa quando se atinge o volume acumulado de 230mm em 24 horas ou três dias seguidos com chuvas acumuladas acima 80mm.

— Mas como nunca se viu uma situação dessas antes e o terreno onde ficam as minas, o Tabuleiro do Maceió, já está altamente fragilizado, não podemos afirmar qual é o patamar de risco. Mas ele existe e a população precisa estar ciente — destaca Barbosa.

Esta semana um VCAN está posicionado sobre uma ampla faixa da região Nordeste, mas suas bordas, onde a chuva é mais intensa, estão sobre o oceano. Barbosa salienta, no entanto, que ele está em deslocamento e suas bordas, onde a chuva é mais forte, podem atingir o litoral de Alagoas.

— Esses fenômenos são muito dinâmicos e altamente imprevisíveis. Impossível saber com certeza como ele se comportará na próxima semana — diz Barbosa.

O cientista acrescenta que outro fator de agravamento é que a temperatura do solo em Maceió está elevada e isso aumenta o risco. O solo na área das minas é arenoso e naturalmente mais instável.

— Alta temperatura do solo combinada à grande umidade de chuvas são uma combinação extremamente perigosa porque aumentam a fragilidade do solo — afirma Barbosa.

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