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Metrô de São Paulo tem capacidade de aumentar em 40%, diz Fazenda

Secretário da Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, diz que situação fiscal favorável deixada no estado dará capacidade para governo Tarcísio ampliar metrô e outros investimentos

Felipe Salto, secretário da Fazenda de SP: "Estamos deixando uma Ferrari com tanque cheio de combustível, é só ser bem pilotada", disse sobre o futuro governo Tarcísio (Governo de SP/Divulgação)

Felipe Salto, secretário da Fazenda de SP: "Estamos deixando uma Ferrari com tanque cheio de combustível, é só ser bem pilotada", disse sobre o futuro governo Tarcísio (Governo de SP/Divulgação)

CR

Carolina Riveira

Publicado em 22 de dezembro de 2022 às 14h17.

A malha do metrô de São Paulo tem capacidade para ser aumentada em até 40% com os atuais recursos, contratos já firmados e possibilidades de investimento no radar, avaliou o atual secretário da Fazenda de São Paulo, Felipe Salto.

Salto fez apresentação nesta quinta-feira, 22, sobre os resultados fiscais do estado ao fim de sua gestão, que termina nos próximos dias. O secretário assumiu a Fazenda em SP neste ano - indicado pelo atual governador Rodrigo Garcia (PSDB), que será sucedido pelo governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Dentre os contratos já encaminhados estão a expansão da linha verde até novos bairros da zona leste na capital paulista. Além disso, o secretário aponta que há no horizonte uma série de possibilidades de investimento no metrô paulista que podem ser destravadas na próxima gestão.

"O BID quer emprestar, o BNDES quer emprestar, o Banco Mundial. Todas as instituições de fomento querem emprestar para São Paulo, porque as condições são muito boas", disse. 

"Quando a gente soma tudo isso, e faz uma previsão para os próximos quatro anos, se tudo sair dentro do cronograma esperado, você pode aumentar o metrô em 40%", projetou o secretário. A análise de possibilidades de expansão do metrô, diante da situação fiscal favorável do estado, já havia sido antecipada por Salto à EXAME em entrevista neste mês.

Dente os números apresentados pela Fazenda neste encerramento de gestão, o superávit primário em São Paulo deve fechar 2022 em 13,5 bilhões de reais. A dívida é de 112%, a menor da série histórica.

A disponibilidade de caixa bruta é de quase 86 bilhões de reais, sendo destes 33 bilhões de reais livres, que poderiam ser usados já no ano que vem se necessário. "É um caixa que dá conta de pagar quatro folhas salariais inteiras se for preciso", disse Salto.

Investimentos

Em um cenário fiscal favorável, com alta na arrecadação via ICMS e inflação, o secretário argumentou que a Fazenda tem feito esforços para devolver os recursos à população via investimentos. Salto criticou o que chamou de "austeridade por austeridade" e "síndrome de Tio Patinhas" no debate fiscal - o que, segundo ele, ocorreria se o governo paulista somente fizesse caixa sem um plano para usar os recursos.

O investimento provável no ano de 2022 deve ser de 28,3 bilhões de reais, o que a Secretaria classificou na apresentação no braço de "resultados" da gestão. "É um nível de investimento que não se via desde o final de governo [José] Serra", disse Salto.

Em gastos sociais do estado de SP para mitigar efeitos da pandemia, como auxílios do programa Bolsa do Povo, devem superar 1,3 bilhão de reais em 2021.

Governo Tarcísio

Na futura gestão Tarcísio, o secretário da Fazenda de SP será Samuel Kinoshita, que foi assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes. Salto afirma que já teve algumas "reuniões muito boas" com o sucessor.

"A gestão que sentar nessa cadeira daqui a 15 dias vai ter um ponto de partida diferente de talvez qualquer outra gestão no ministério da Fazenda", diz, sobre o futuro governo Tarcísio. "Estamos deixando uma Ferrari com tanque cheio de combustível, é só ser bem pilotada."

Salto apontou também que a secretaria montou um Sistema de Custos (estrutura embrião dos chamados "spending reviews" que vêm sendo defendidos por especialistas na questão fiscal), capaz de oferecer análise dos gastos e que poderá ser usada pela próxima gestão.

Informações estão sendo consolidadas em frentes como educação, por exemplo, para comparar o gasto das escolas e seu desempenho no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). "O segundo passo é que as secretarias passem a adotar isso como ferramenta [em suas decisões]", disse Salto.

Interlocução com Alckmin

Salto, que antes da gestão na Fazenda em São Paulo era diretor do Instituto Fiscal Independente (IFI), organização apartidária do Senado, é cotado para um cargo no governo Lula (PT).

Perguntado sobre a possibilidade de participar do governo eleito, Salto disse que sua interlocução vem ocorrendo sobretudo com o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). Além de vice, Alckmin foi nomeado nesta quinta-feira para o MIDC, Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior.

"O contato principal é com o ex-governador Geraldo Alckmin", disse. "Nós temos conversado."

Sobre o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o secretário elogiou a gestão fiscal do petista quando foi prefeito de São Paulo, de 2013 a 2016. "Fez uma excelente gestão na prefeitura", disse Salto, citando as renegociações que levaram à redução da dívida paulistana no aspecto fiscal. Na Fazenda, Salto afirmou que Haddad "tem todas as condições para fazer uma excelente gestão".

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