MDB: partido se divide e deve apoiar Flávio (Divulgação/Exame)
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 15h16.
Última atualização em 13 de outubro de 2026 às 17h14.
O MDB chegou dividido ao segundo turno das eleições presidenciais. Enquanto a maioria dos diretórios estaduais deve declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram respaldo à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A divisão foi autorizada pela convenção nacional do partido, que permitiu às direções estaduais definir seus apoios conforme as alianças locais.
O MDB chegou à disputa do segundo turno das eleições dividido. Nesta terça-feira, 13, Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com parte da bancada e receberá o apoio de 17 diretórios estaduais da sigla, incluindo São Paulo.
No mesmo dia, porém, dez diretórios de estados das regiões Nordeste e Norte do país declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente da sigla, Baleia Rossi (SP) afirmou que o apoio desses diretórios foi definido a partir de cinco pontos que "são absolutamente convergentes" entre o plano de Flávio Bolsonaro e os ideais do MDB. Ele citou a melhora da qualidade dos gastos públicos, a valorização do nosso agro, o fortalecimento de entes federativos como municípios e dos estados, o combate ao crime organizado e a "pacificação nacional".
"Precisamos pacificar esse país. E, claro, a defesa incondicional da nossa democracia. A democracia que está no DNA do MDB. Esse ano nós completamos 60 anos de história, de história em favor da democracia nesse país", disse Baleia Rossi.
Lula também deverá receber parlamentares do MDB nesta terça-feira, 13, para formalizar esse respaldo parcial. O petista já contava com o apoio da maior parte da bancada do partido no Senado, por exemplo.
A convenção nacional do MDB havia autorizado os diretórios estaduais a declarar apoio a presidenciáveis de acordo com seus arranjos locais. O partido é o maior do país em número de filiados: tem cerca de 2 milhões. Durante o governo Lula, o partido chefiou três ministérios.
No Congresso, o MDB atualmente tem a quinta maior bancada, tanto em número de deputados (38) como de senadores (9). Nas eleições do dia 5 de outubro, o partido de Ulysses Guimarães elegeu 36 deputados, dois a menos do que na atual Legislatura, e oito senadores, um a menos do que hoje.
O partido, que tem origem na oposição à ditadura militar, terá, a partir do ano que vem, a terceira maior bancada no Senado e a sexta maior na Câmara dos Deputados.
O movimento pró-Flávio Bolsonaro é liderado principalmente pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e pelo recém-filiado Felício Ramuth, vice-governador reeleito de São Paulo. O governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com boa interlocução no partido, também procurou Baleia Rossi, presidente da sigla, para defender o apoio a Flávio.
Em entrevista na semana passada, Nunes disse que o partido não poderia "se furtar de sua responsabilidade", em referência ao apoio. O movimento foi reforçado após Flávio terminar na liderança no primeiro turno, com uma diferença de 1,87 ponto para o presidente Lula.
Também já declarou apoio ao bolsonarismo o ex-presidente da República Michel Temer. O único governador eleito pelo partido no primeiro turno, Daniel Vilela, também saiu em defesa do senador do PL. Vilela é o sucessor de Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás. Diretórios do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, em sua maioria, também vão apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por outro lado, diretórios de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia anunciaram respaldo a Lula. Entre as lideranças que articularam o documento, estão o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), o ex-governador do Pará e senador eleito Helder Barbalho e o senador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho (AL).
Em nota conjunta, esses diretórios defendem o apoio como uma "defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro, exercida por meio do voto direto".
"Nosso posicionamento reafirma o compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a promoção da justiça social. Defendemos um Brasil que avance com oportunidades para todos, crescimento sustentável e diálogo político", diz o documento.
Na nota, os diretórios afirmam apoiar a continuidade de políticas públicas "que fazem diferença na vida dos brasileiros, como o Bolsa Família, o Pé-de-Meia, a Farmácia Popular, o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida, o Brasil Sorridente, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o FIES, o ProUni, o Luz para Todos e a Isenção do Imposto de Renda (IR), assim como todos os programas de infraestrutura e logística".
O documento também convoca "todos os dirigentes estaduais e municipais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e lideranças comunitárias do MDB a se engajarem, de forma plena e organizada, na campanha" por meio de comitês de mobilização em todas as capitais e nos municípios-polo, carreatas e mutirões de rua, atos públicos nas praças, articulação com as bases municipais e presença ativa nas redes sociais.
O MDB está dividido. A maioria dos diretórios estaduais deve apoiar Flávio Bolsonaro (PL), enquanto dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram apoio à reeleição de Lula (PT). A convenção nacional autorizou cada diretório a definir seu posicionamento.
Os diretórios de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia anunciaram apoio ao presidente Lula. O grupo também convocou lideranças estaduais e municipais a participar da campanha.
Segundo as articulações relatadas, a maioria dos diretórios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste deve apoiar Flávio Bolsonaro. A relação completa dos estados que formalizarão esse posicionamento ainda não foi apresentada.
O movimento é articulado principalmente pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e pelo vice-governador reeleito Felício Ramuth. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também defendeu o apoio em conversa com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. O ex-presidente Michel Temer já declarou apoio ao bolsonarismo.
Entre os articuladores estão o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), o senador eleito Helder Barbalho (PA) e o senador Renan Filho (AL). Os diretórios favoráveis a Lula divulgaram uma nota conjunta defendendo a continuidade de programas sociais e políticas públicas do governo federal.
A convenção nacional do MDB autorizou os diretórios estaduais a declarar apoio aos candidatos à Presidência conforme os arranjos políticos locais. Com isso, as direções estaduais podem adotar posicionamentos diferentes no segundo turno, sem uma orientação nacional única.
Nas eleições de 5 de outubro, o MDB elegeu 36 deputados federais e oito senadores. Atualmente, o partido possui 38 deputados e nove senadores. A partir da próxima legislatura, terá a terceira maior bancada do Senado e a sexta maior da Câmara dos Deputados.