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MDB se divide sobre 2º turno: 17 diretórios apoiam Flávio, 10 respaldam Lula

Partido terá 36 deputados e 8 senadores a partir de 2027

MDB: partido se divide e deve apoiar Flávio (Divulgação/Exame)

MDB: partido se divide e deve apoiar Flávio (Divulgação/Exame)

Publicado em 13 de outubro de 2026 às 15h16.

Última atualização em 13 de outubro de 2026 às 17h14.

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O MDB chegou dividido ao segundo turno das eleições presidenciais. Enquanto a maioria dos diretórios estaduais deve declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram respaldo à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A divisão foi autorizada pela convenção nacional do partido, que permitiu às direções estaduais definir seus apoios conforme as alianças locais.


O MDB chegou à disputa do segundo turno das eleições dividido. Nesta terça-feira, 13, Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com parte da bancada e receberá o apoio de 17 diretórios estaduais da sigla, incluindo São Paulo.

No mesmo dia, porém, dez diretórios de estados das regiões Nordeste e Norte do país declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente da sigla, Baleia Rossi (SP) afirmou que o apoio desses diretórios foi definido a partir de cinco pontos que "são absolutamente convergentes" entre o plano de Flávio Bolsonaro e os ideais do MDB. Ele citou a melhora da qualidade dos gastos públicos, a valorização do nosso agro, o fortalecimento de entes federativos como municípios e dos estados, o combate ao crime organizado e a "pacificação nacional".

"Precisamos pacificar esse país. E, claro, a defesa incondicional da nossa democracia. A democracia que está no DNA do MDB. Esse ano nós completamos 60 anos de história, de história em favor da democracia nesse país", disse Baleia Rossi.

Apoios do MDB a Lula

Lula também deverá receber parlamentares do MDB nesta terça-feira, 13, para formalizar esse respaldo parcial. O petista já contava com o apoio da maior parte da bancada do partido no Senado, por exemplo.

A convenção nacional do MDB havia autorizado os diretórios estaduais a declarar apoio a presidenciáveis de acordo com seus arranjos locais. O partido é o maior do país em número de filiados: tem cerca de 2 milhões. Durante o governo Lula, o partido chefiou três ministérios.

No Congresso, o MDB atualmente tem a quinta maior bancada, tanto em número de deputados (38) como de senadores (9). Nas eleições do dia 5 de outubro, o partido de Ulysses Guimarães elegeu 36 deputados, dois a menos do que na atual Legislatura, e oito senadores, um a menos do que hoje.

O partido, que tem origem na oposição à ditadura militar, terá, a partir do ano que vem, a terceira maior bancada no Senado e a sexta maior na Câmara dos Deputados.

O movimento pró-Flávio Bolsonaro é liderado principalmente pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e pelo recém-filiado Felício Ramuth, vice-governador reeleito de São Paulo. O governador reeleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com boa interlocução no partido, também procurou Baleia Rossi, presidente da sigla, para defender o apoio a Flávio.

Em entrevista na semana passada, Nunes disse que o partido não poderia "se furtar de sua responsabilidade", em referência ao apoio. O movimento foi reforçado após Flávio terminar na liderança no primeiro turno, com uma diferença de 1,87 ponto para o presidente Lula.

Também já declarou apoio ao bolsonarismo o ex-presidente da República Michel Temer. O único governador eleito pelo partido no primeiro turno, Daniel Vilela, também saiu em defesa do senador do PL. Vilela é o sucessor de Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás. Diretórios do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, em sua maioria, também vão apoiar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Por outro lado, diretórios de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia anunciaram respaldo a Lula. Entre as lideranças que articularam o documento, estão o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), o ex-governador do Pará e senador eleito Helder Barbalho e o senador e ex-ministro dos Transportes Renan Filho (AL).

Em nota conjunta, esses diretórios defendem o apoio como uma "defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro, exercida por meio do voto direto".

"Nosso posicionamento reafirma o compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a promoção da justiça social. Defendemos um Brasil que avance com oportunidades para todos, crescimento sustentável e diálogo político", diz o documento.

Na nota, os diretórios afirmam apoiar a continuidade de políticas públicas "que fazem diferença na vida dos brasileiros, como o Bolsa Família, o Pé-de-Meia, a Farmácia Popular, o Mais Médicos, o Minha Casa, Minha Vida, o Brasil Sorridente, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o FIES, o ProUni, o Luz para Todos e a Isenção do Imposto de Renda (IR), assim como todos os programas de infraestrutura e logística".

O documento também convoca "todos os dirigentes estaduais e municipais, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e lideranças comunitárias do MDB a se engajarem, de forma plena e organizada, na campanha" por meio de comitês de mobilização em todas as capitais e nos municípios-polo, carreatas e mutirões de rua, atos públicos nas praças, articulação com as bases municipais e presença ativa nas redes sociais.


Perguntas frequentes

O MDB vai apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno? +

O MDB está dividido. A maioria dos diretórios estaduais deve apoiar Flávio Bolsonaro (PL), enquanto dez diretórios das regiões Norte e Nordeste anunciaram apoio à reeleição de Lula (PT). A convenção nacional autorizou cada diretório a definir seu posicionamento.

Quais estados do MDB declararam apoio a Lula? +

Os diretórios de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia anunciaram apoio ao presidente Lula. O grupo também convocou lideranças estaduais e municipais a participar da campanha.

Quais estados do MDB devem apoiar Flávio Bolsonaro? +

Segundo as articulações relatadas, a maioria dos diretórios das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste deve apoiar Flávio Bolsonaro. A relação completa dos estados que formalizarão esse posicionamento ainda não foi apresentada.

Quem lidera o apoio do MDB a Flávio Bolsonaro? +

O movimento é articulado principalmente pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e pelo vice-governador reeleito Felício Ramuth. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também defendeu o apoio em conversa com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. O ex-presidente Michel Temer já declarou apoio ao bolsonarismo.

Quais lideranças do MDB articulam o apoio a Lula? +

Entre os articuladores estão o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), o senador eleito Helder Barbalho (PA) e o senador Renan Filho (AL). Os diretórios favoráveis a Lula divulgaram uma nota conjunta defendendo a continuidade de programas sociais e políticas públicas do governo federal.

Por que o MDB pode apoiar dois candidatos diferentes? +

A convenção nacional do MDB autorizou os diretórios estaduais a declarar apoio aos candidatos à Presidência conforme os arranjos políticos locais. Com isso, as direções estaduais podem adotar posicionamentos diferentes no segundo turno, sem uma orientação nacional única.

Quantos deputados e senadores o MDB elegeu? +

Nas eleições de 5 de outubro, o MDB elegeu 36 deputados federais e oito senadores. Atualmente, o partido possui 38 deputados e nove senadores. A partir da próxima legislatura, terá a terceira maior bancada do Senado e a sexta maior da Câmara dos Deputados.

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