Brasil

Lula diz acreditar que a economia vai crescer mais do que as projeções feitas

Lula afirmou que "credibilidade, estabilidade e previsibilidade", tríade usada por ele durante a campanha, têm de estar na ordem do dia

07.02.2023 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante café da manhã com Mídia Independente e Alternativa. Palácio do Planalto. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Ricardo Stuckert/PR/Flickr)

07.02.2023 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante café da manhã com Mídia Independente e Alternativa. Palácio do Planalto. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Ricardo Stuckert/PR/Flickr)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 7 de fevereiro de 2023 às 16h51.

Última atualização em 7 de fevereiro de 2023 às 17h19.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, avaliou que a economia brasileira vai crescer mais do que as atuais projeções. "Precisamos começar a financiar os setores que queremos privilegiar, médios e pequenos empreendedores e empresas", declarou, em café da manhã com a "mídia independente".

Ele disse que a ordem de financiamento deve valer para todo o governo, incluindo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e Banco do Nordeste. "Acho que é assim que a gente vai dar o primeiro salto na nossa roda-gigante para ela começar a gerar o emprego que nós precisamos", acrescentou.

Lula afirmou que "credibilidade, estabilidade e previsibilidade", tríade usada por ele durante a campanha, têm de estar na ordem do dia. "As pessoas precisam confiar que o que anuncia vai acontecer, o governo tem que dar sinais", afirmou o presidente, em meio à ofensiva sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

De acordo com o presidente da República, na volta da viagem aos Estados Unidos, entre sexta-feira e sábado desta semana, ele vai se reunir com ministros para cobrar resultados nas entregas de obras.

Preço dos combustíveis

Apostando na mudança da política de preços da Petrobras para controlar o valor dos combustíveis, Lula estimou que o conselho da empresa deve demorar mais um mês até começar suas deliberações com a nova presidência. Indicado por Lula, o novo presidente da Petrobras é Jean Paul Prates, que foi senador pelo PT do Rio Grande do Norte.

No café da manhã com integrantes da chamada "mídia independente", Lula lembrou que apenas na segunda-feira conseguiu empossar o novo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

"Somente agora a gente conseguiu indicar a presidência do BNDES, somente agora a gente conseguiu indicar a presidência da Petrobras que tomou posse. Mas ainda está sozinha numa sala porque o conselho ainda não tomou posse, nem a diretoria. Vai demorar um tempo ainda. Possivelmente a gente tenha um mês pela frente até que o conselho delibere. E no restante nós vamos tocando o barco", declarou o presidente da República.

Ao longo do encontro, promovido no Palácio do Planalto, Lula voltou a dizer que vai acabar com o garimpo ilegal no País e afirmou que muitos dos garimpeiros já estão deixando as terras ianomâmis.

Autonomia do BC e política monetária

Protagonista da ofensiva sobre o Banco Central, Lula afirmou que o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, deve explicações ao Congresso Nacional. No Palácio do Planalto, Lula pediu "responsabilidade com o País" a Campos Neto na condução da política monetária e disse esperar que os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), que integram o Conselho Monetário Nacional com Campos Neto, estejam acompanhando as discussões.

Ligado ao governo, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) vai apresentar nesta terça um requerimento de convocação de Campos Neto na Câmara para explicar a política monetária, tendência antecipada pela reportagem.

Lula afirmou que "não deveria ser normal" o presidente da República discutir com o chefe do BC. Em seguida, recuou. "Eu não discuto com o presidente do Banco Central. Eu fiz duas críticas à imprensa. Ele deve explicações não a mim. Ele deve explicações ao Congresso Nacional, a quem o indicou. É verdade que temos duas pessoas no Conselho Monetário Nacional e tem mais gente para a gente indicar no Banco Central. Eu espero que o Haddad esteja vendo, esteja acompanhando e esteja ansioso do que tem de fazer", declarou o presidente no café da manhã com jornalistas da "mídia independente".

Ao longo da conversa, Lula voltou a dizer que o Brasil "não tem inflação de demanda", o que não justificaria a manutenção da taxa básica de juro em 13,75%. "Eu acho que as pessoas que acreditavam que a independência do Banco Central ia mudar alguma coisa no Brasil, que ia ser melhor, que os juros iam ser mais baixos, as pessoas que tomaram essa posição que têm que ficar olhando se valeu a pena ou não", seguiu o presidente.

Lula, mais uma vez, chamou Campos Neto de "esse cidadão". "Eu acho que esse cidadão indicado pelo Senado tem a possibilidade de maturar, de pensar, de saber como vai cuidar deste País. Porque ele tem muita responsabilidade. Ele tem mais responsabilidade que o Meirelles tinha no meu tempo. Porque naquele tempo que o Meirelles era do Banco Central, era fácil de jogar a culpa no presidente da República. Agora não. Agora a culpa é do Banco Central", afirmou o petista. "Porque o presidente não pode trocar o Banco Central. É o Senado que pode mexer ou não".

Pela lei da autonomia do BC, o presidente da autarquia tem mandato de quatro anos. O Conselho Monetário Nacional (CMN), contudo, pode submeter ao presidente da República a proposta de exoneração, que teria de ser aprovada por maioria absoluta do Senado.

Lula tem desferido críticas a Campos Neto por discordâncias sobre a política monetária, mas também pelo fato de o presidente do BC ser identificado como um bolsonarista.

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