Kassab: dirigente partidário defende acordo de terras raras realizado por Caiado (Leandro Sanches/ LIDE/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 27 de abril de 2026 às 15h33.
Última atualização em 27 de abril de 2026 às 15h35.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu nesta segunda-feira, 27, que o próximo presidente da República precisa ter coragem para fazer ajustes necessários, inclusive no Judiciário.
"Deveremos ter um presidente para fazer os ajustes e aperfeiçoamentos necessários que o Brasil precisa, inclusive no Judiciário", disse Kassab em conversa com jornalistas após almoço com empresários promovido pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, criado pelo ex-governador de São Paulo, João Doria.
Mais cedo, o pré-candidato de Kassab, o ex-governador Ronaldo Caiado, afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa cortar na própria carne e reconhecer o "clamor nacional" para a criação do código de conduta proposto pelo presidente da corte, Edson Fachin.
O ex-chefe do executivo de Goiás defendeu ainda que, caso os ministros não adotem novas posturas, os senadores podem tomar providências e "caminhar para um processo de impeachment".
As falas ocorrem em meio ao escândalo do banco Master e à visão da população de que os ministros estão envolvidos no caso.
O levantamento divulgado em março pela AtlasIntel mostrou que 66,1% dos brasileiros acreditam haver envolvimento direto dos ministros com o escândalo do banco.
Em outra pergunta, 89,9% dos entrevistados afirmaram ao instituto que há algum nível de influência externa no julgamento do caso Master na Corte.
Outra pesquisa, a Genial/Quaest, mostrou que, após o caso, o índice de confiança no STF é o menor em 4 anos. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados responderam que não confiam no STF, enquanto 43% confiam e 8% não souberam ou não responderam.
Somado ao caso master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o pré-candidato à presidência, Romeu Zema, estão em embate público.
Ainda no evento do Lide, Kassab afirmou que o partido ainda não iniciou a discussão sobre o candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado à Presidência da República.
“A questão da vice não está sendo discutida porque nós temos tempo", afirmou.
Segundo Kassab, a prioridade inicial foi definir o cabeça de chapa, diante das restrições legais impostas aos governadores que pretendiam disputar a eleição.
“Nós tínhamos pressa em definir o candidato porque [...] eles tinham prazo para renunciar, então nós tínhamos pressa.”Com a escolha de Caiado já consolidada e as convenções marcadas para julho, o dirigente afirma que o tema perdeu urgência.
“No momento em que nós definimos o candidato [...] nós não temos pressa. Em nenhum momento foi discutida a questão da vice”, disse.
A expectativa é que o debate avance nas próximas semanas. “A partir de junho, a gente discutirá isso — o Caiado, a direção partidária — para que a gente tenha um nome que possa somar para ganhar as eleições e que ajude o Caiado a governar”, afirmou.
Kassab reforçou que o critério para escolha será “eleitoral e administrativo”. O dirigente partidário é aventado como um possível nome na chapa.
"Iremos buscar, no momento certo, examinadas as circunstâncias do momento — não temos pressa para definir — qual o melhor perfil para ajudar o Ronaldo Caiado”, disse.
Kassab defendeu o acordo realizado pela gestão de Caiado sobre terras raras com os Estados Unidos. Segundo o dirigente, o governador busca acordos para internalizar etapas da cadeia produtiva no Brasil.
A ideia, segundo ele, é garantir que o material extraído seja processado no país, gerando empregos e divisas, em contraste com modelos históricos de exportação de commodities sem beneficiamento.
"Ele fez um acordo de cooperação em que busca a tecnologia para que o que seja apurado aqui seja trabalhado aqui, seja beneficiado aqui, para que o Brasil gere mais empregos, consiga mais divisas", afirmou.
O acordo tem três pilares. Será realizado um levantamento de todo o potencial mineral de Goiás, em parceria com o governo americano. Em seguida, o Estado terá prerrogativas para identificar as áreas de interesse e criar políticas para a exploração de minerais naquelas áreas.