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Governo do Pará confirma ao menos 11 mortos em naufrágio

O número de mortos foi corrigido pelas autoridades; de acordo com órgãos oficiais, a lancha não tinha permissão para transportar passageiros e partiu de um porto clandestino

Vale do Jari, na região do Pará: ao menos 11 mortes confirmadas em naufrágio próximo à Ilha de Cotijuba (AMBIPAR/Divulgação)

Vale do Jari, na região do Pará: ao menos 11 mortes confirmadas em naufrágio próximo à Ilha de Cotijuba (AMBIPAR/Divulgação)

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Estadão Conteúdo

9 de setembro de 2022, 08h09

O governo do Pará confirmou a morte de ao menos 11 pessoas em um naufrágio na quinta-feira, 8, próximo à Ilha de Cotijuba. A embarcação estava irregular e transportava 82 pessoas, das quais 63 sobreviveram. Há ainda oito desaparecidos.

O número de mortos foi corrigido pelas autoridades em entrevista coletiva no fim da tarde da quinta-feira. Inicialmente, a Marinha e a Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) falavam em 14 óbitos.

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De acordo com órgãos oficiais, a lancha não tinha permissão para transportar passageiros e partiu de um porto clandestino na localidade de Camará, na Ilha de Marajó. As vítimas estão sendo levadas para o Instituto Médico Legal (IML), em Belém.

Dezenas de barcos, mergulhadores e helicópteros procuraram por desaparecidos ao longo do dia. As buscas foram suspensas à noite e serão retomadas na manhã desta sexta-feira. A embarcação continua submersa no rio e há suspeitas de que mais vítimas estejam presas à estrutura.

Uma escola municipal localizada no distrito de Cotijuba, próxima à região onde houve o naufrágio, em Belém, foi adaptada para receber os sobreviventes resgatados. Um plantão multiprofissional está atendendo as vítimas. "Estamos dando atenção principalmente às crianças que ficaram órfãs", disse o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.

O que dizem os sobreviventes

São muitos os depoimentos de desespero dos passageiros da lancha Dona Lourdes II: Seu Ivanildo embarcou na cidade de Cachoeira do Arari com a mulher, cinco filhos e a sogra. Duas filhas estão desaparecidas e a sogra morreu. "Foi tudo muito rápido, o motor parou e a maresia começou a entrar", relata.

Isabel Cristina viajava na parte traseira da embarcação e foi arremessada no rio pela força da água que invadiu a lancha. "Éramos pelo menos 12 pessoas à deriva. Começamos a bater o pé para tentar chegar na beira antes de a maré levar a gente", conta. Muitos familiares se deslocaram de barco, de regiões ribeirinhas, em busca de informações sobre os sobreviventes.

O que se sabe até agora

A embarcação fazia o trajeto entre a localidade de Camará, na cidade de Cachoeira do Arari, no arquipélago de Marajó, para Belém. O naufrágio ocorreu próximo à Ilha de Cotijuba, por volta de 9h30. A lancha Dona Lourdes II é da empresa M. Souza Navegação, que já havia sido notificada pela Arcon por operar sem autorização.

Segundo as primeiras apurações, a proprietária da embarcação foi identificada, bem como o filho da mesma, Marcos de Sousa Oliveira, que era o responsável pela viagem que transportava os passageiros do Marajó á capital do Estado. A causa do naufrágio não foi informada pelas autoridades.

O Lourdes II era o terceiro barco comandado por Marcos, depois de duas embarcações anteriores terem sido retiradas de circulação pela Marina do Brasil por apresentarem irregularidades.

"Houve reincidência, já que os responsáveis colocaram uma nova embarcação para fazer o trajeto, e a Marinha também a apreendeu em uma ação de fiscalização", informou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), em nota.

Nas redes sociais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), candidato à reeleição, lamentou às mortes. "Nós estamos todos mobilizados desde as primeiras horas para resgatar as pessoas que ainda não foram encontradas", afirmou.

Segundo ele, o proprietário da embarcação já havia sido notificado de irregularidades outras três vezes. "Ele pegou uma terceira embarcação com essa ambição desmedida por continuar mesmo clandestinamente trabalhando. E aconteceu essa tragédia", afirmou.

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