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Economia não se restringe apenas ao BC, diz presidente da Vulcabrás

Para Milton Cardoso, é hora de o país contar com políticas mais amplas para o desenvolvimento

Fábrica da Vulcabras no Rio Grande do Sul: setor calçadista espera que taxa de juros caia (Germano Lüders/EXAME.com)

Fábrica da Vulcabras no Rio Grande do Sul: setor calçadista espera que taxa de juros caia (Germano Lüders/EXAME.com)

Tatiana Vaz

Tatiana Vaz

Publicado em 24 de novembro de 2010 às 16h53.

São Paulo - A indicação de Alexandre Tombini para a presidência do Banco Central foi bem recebida pelo presidente da Vulcabrás/Azaleia, uma das maiores fabricantes de calçados do país.

Embora reconheça a importância do BC, Cardoso afirma que a mudança de governo deveria ser uma oportunidade de ampliar o leque de ferramentas para promover o desenvolvimento econômico. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida a EXAME.com.

EXAME.com – Como o senhor avalia a nomeação de Alexandre Tombini para a presidência do Banco Central?
Milton Cardoso -
Acho bem positiva essa mudança, que marca a entrada de um funcionário de carreira, com muita experiência e competência para o cargo.

EXAME.com - Há uma expectativa de que a presidente eleita Dilma Rousseff baixe os juros na marra (ou nem tanto). Na sua opinião, isso seria bom para o país?
Cardoso -
Está na hora do Brasil mudar seu comportamento e parar de pensar que a diminuição da taxa de juros disparará a inflação. Temos hoje uma inflação localizada no setor de alimentos e acredito que políticas de apoio ao aumento da produção agrícola seriam mais eficientes neste sentido. Por outro lado, a simples queda da taxa de juros ocasionaria a redução dos gastos do governo, bem como uma menor relação dívida/PIB, sem afetar os interesses do governo.

EXAME.com – Para a Vulcabrás/Azaleia e o setor calçadista isso também seria positivo?
Cardoso –
Seria excelente para todo o Brasil e para nós com certeza, já que não perderíamos o patamar de consumo interno que atingimos hoje.

EXAME.com – Quais suas expectativas em relação à política cambial?
Cardoso –
O câmbio tem sofrido uma grande deterioração, e o governo precisa reagir a isso. Temos tido um excesso de investimentos no país, em grande parte especulativo, e isso tudo precisa ser controlado para que o povo brasileiro não pague por investimentos que não saem do papel.

EXAME.com – A Vulcabrás/Azaleia tem sentido o impacto dessa desvalorização do dólar?
Cardoso –
Sentimos porque perdemos competitividade com a queda do dólar. Hoje, 70% do que vendemos na Argentina (temos uma fábrica no país) é feito por lá, apenas 30% é exportado do Brasil. Essa porcentagem era muito maior antes, mas ficou mais barato produzir os calçados e exportar para países da América Latina da Argentina.

EXAME.com – O senhor acredita que a queda dos juros e o controle do câmbio serão colocados em prática pelo novo Banco Central?
Cardoso –
Acabamos de eleger uma presidente cuja proposta eleitoral era essa, e acredito sim que isso será colocado em prática para o bem de todos nós.

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