Discreto, José Sarto (PDT) estreará no Executivo em Fortaleza aos 61 anos

Deputado há sete mandatos, o candidato eleito na capital do Ceará tem fama de aglutinador e obteve o apoio de uma aliança de amplo espectro ideológico

O prefeito eleito de Fortaleza, José Sarto (PDT), de 61 anos, exerce mandato político há mais de 20 anos, mas, até recentemente, era uma figura pouco conhecida até mesmo na capital cearense, a quinta maior cidade do Brasil, com quase 2,7 milhões de habitantes. Com 98% das unas apuradas, foi eleito com 51,69% dos votos válidos. Capitão Wagner (PROS) ficou com 48,31%.

Discreto e com fama de conciliador e aglutinador, Sarto construiu sua trajetória rumo ao Palácio do Bispo, a sede da prefeitura de Fortaleza, por sua atuação mais nos bastidores do que na linha de frente da política.

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Um dos desafios de sua campanha foi justamente torná-lo mais conhecido dos eleitores. Para isso, o pedetista teve a vantagem de usar 40% do total do horário gratuito em rádio e TV destinado aos candidatos a prefeito de Fortaleza durante a campanha no 1º turno. Sarto também conseguiu colar seu nome ao do atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), cuja gestão é avaliada como ótima ou boa por mais da metade da população da cidade, de acordo com pesquisas do Ibope.

Este vai ser o primeiro cargo no Executivo de Sarto, que nasceu no município de Acopiara, no interior do Ceará, e se mudou ainda na infância para Fortaleza, onde fez seus estudos na rede pública municipal. Formou-se em medicina na Universidade Federal do Ceará e se especializou em ginecologia e obstetrícia, realizando estágios nos Estados Unidos. Mais recentemente, ingressou no curso de mestrado de ciência política do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. De acordo com seu perfil divulgado no site da Assembleia Legislativa do Ceará, o prefeito eleito de Fortaleza fala inglês, francês e alemão.

Sarto entrou na vida pública realizando um trabalho humanitário no Fundo Cristão para Crianças. Iniciou a carreira política em 1988, quando se elegeu vereador em Fortaleza pela primeira vez. Quatro anos depois, foi reeleito e tornou-se presidente da Câmara Municipal, chegando a assumir interinamente a prefeitura em diversas ocasiões. Em 1994, estreou na Assembleia Legislativa como o deputado estadual mais votado de Fortaleza. Está atualmente no sétimo mandato consecutivo de deputado estadual e foi eleito presidente da Assembleia Legislativa para o biênio 2019-2020.

Nessa trajetória, Sarto mostrou pouco apego a siglas partidárias. Foi filiado ao PDC (1985-1992), PMDB (1992-1999), PPS (1999-2005), PSB (2005-2013), Pros (2013-2016) e PDT (desde 2016). Boa parte das mudanças de partido ocorreu para acompanhar seus padrinhos políticos, os irmãos Cid Gomes (senador) e Ciro Gomes (ex-candidato à presidência da República).

Com bom trânsito em todas as correntes ideológicas, Sarto ganhou a eleição com o apoio de uma ampla aliança. Antes do 2º turno, ele já tinha o apoio de PP, PTB, PL, PSB, PSD, Cidadania, Rede, DEM e PSDB . No 2º turno, sete dos nove candidatos derrotados no 1º turno declararam apoio à sua candidatura (os outros dois se mantiveram neutros). Entre as figuras que declararam apoio a Sarto nesta eleição estão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e o governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

Entre as promessas de governo de Sarto e sua coligação “Fortaleza cada vez melhor” estão a inclusão social, a redução das desigualdades e a geração de emprego e renda. Sarto afirma que promover inclusão social é o melhor caminho para reduzir a violência. O Ceará, puxado por Fortaleza, foi o estado que registrou maior crescimento de assassinatos no país no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado — o aumento dos casos foi atribuído à guerra de facções e à greve de policiais militares.

Em meados de outubro, Sarto teve de fazer uma pausa de duas semanas na campanha após apresentar sintomas de covid-19. Ele foi hospitalizado, mas se recuperou sem necessidade de cuidado intensivo. O candidato pedetista disse que uma de suas prioridades como prefeito será imunizar os profissionais de saúde e a população de idosos de Fortaleza. “Vamos vacinar os idosos em casa”, afirmou. Nos últimos dias, a capital cearense registrou um aumento do número de casos do novo coronavírus. Até agora, a cidade teve quase 67.000 casos confirmados e 4.000 óbitos causados pela covid-19.

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