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Decisão sobre destino de Josué na Fiesp é adiada para janeiro

No edital publicado, os sindicatos deixam claro que, apesar da mudança de data, os itens da pauta seguem os mesmos, tendo por trás o objetivo de destituir Josué do cargo que ocupa desde janeiro

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Fiesp: , Josué Gomes foi convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mas o empresário oficializou sua negativa (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Fiesp: , Josué Gomes foi convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mas o empresário oficializou sua negativa (Antônio Cruz/Agência Brasil)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 20 de dezembro de 2022 às, 09h20.

Última atualização em 20 de dezembro de 2022 às, 09h39.

Os 86 sindicatos que se uniram contra o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, concordaram em deixar a assembleia da entidade para 16 de janeiro, data marcada por Gomes na semana passada, em uma "briga por editais" publicados ao longo das últimas semanas. Por trás da mudança de data, explicaram fontes, está a necessidade de prover o "princípio da ampla defesa ao diretor-presidente", já que, se a assembleia fosse mantida para a próxima amanhã, Josué não participaria do encontro por estar fora do Brasil em viagem com sua família.

No edital publicado, os sindicatos deixam claro que, apesar da mudança de data, os itens da pauta seguem os mesmos, tendo por trás o objetivo de destituir Josué do cargo que ocupa desde janeiro. O executivo, dono da empresa do setor têxtil Coteminas, substituiu Paulo Skaf do comando da Fiesp. Skaf ficou por cerca de duas décadas à frente da entidade e, agora, é o nome por trás do levante contra Josué. Procurada, a Fiesp não comentou o assunto.

Segundo uma pessoa que acompanha o processo, os sindicatos foram na prática, obrigados a aceitar a nova data da assembleia para cumprir com o estatuto da Fiesp, que determina o direito de ampla defesa do presidente, em caso de uma eventual destituição. Segundo essa mesma pessoa, caso não houvesse a mudança, o resultado da assembleia poderia ir para a Justiça e até mesmo prolongar a manutenção de Josué no cargo até o fim de seu mandato.

A menos que Josué renuncie ao cargo, a única maneira de outro presidente assumir a Fiesp é por meio de uma assembleia. Hoje, há três candidatos para substituir Josué Gomes: Rafael Cervone Netto, seu primeiro-vice-presidente e figura muito próxima de Paulo Skaf; Dan Ioschpe (da Iochpe-Maxion); e Marcelo Campos Ometto. Para tirar Josué do cargo, bastam os votos de 50% do total de 112 sindicatos da Fiesp - ou seja, existiria em tese uma ampla maioria para retirar do cargo o presidente que passou a comandar a entidade há menos de um ano.

Muitos representantes dos sindicatos que estão ao lado de Josué, no entanto, tentam manter contato com os sindicatos que assinaram a manifestação promovida por Paulo Skaf. Há quem diga que, por enquanto, a assembleia não teria o objetivo de tirar Josué no cargo, apenas de "discutir sua atuação".

O principal ponto de descontentamento, segundo filiados, seria a ausência do presidente no dia a dia da entidade. Muitos dos sindicatos, mesmo aqueles que são contrários ao "impeachment", dizem que falta contato direto entre Josué e as entidades. Muitos deles reclamam que nem sequer receberam um contato do novo presidente. Os representantes de setores mais significativos para a indústria paulista são contra o que chamam de "golpe na Fiesp" e acreditam que um retorno a um nome chancelado por Skaf poderia prejudicar a imagem da entidade.

Na última semana, Josué Gomes foi convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mas o empresário oficializou sua negativa na sexta-feira. Mesmo que alguns representantes da Fiesp acreditassem que essa poderia ser uma "saída honrosa" da crise instaurada na entidade, executivos mais próximos afirmavam que se Josué aceitasse ele assumiria um ministério carregando a "pecha" de "derrotado" na federação.

Mas a negativa de Josué, filho de José Alencar, que foi vice-presidente de Lula e faleceu em 2011, teve relação com a sua empresa, já que ele teria de deixar o comando da Coteminas para assumir o cargo. Além disso, queria evitar potencial conflito de interesse pelo fato de a empresa ter financiamentos no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (Colaborou Fernando Scheller)

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