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Cresce preferência do governo para apoiar Brito à presidência da Câmara após caso Brazão

Diferentemente dos outros dois favoritos que competem pelo cargo, Brito foi o único que votou para manter Brazão encarcerado

Plenário da Câmara dos Deputados (DF) (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

Plenário da Câmara dos Deputados (DF) (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

Estadão Conteúdo
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Agência de notícias

Publicado em 11 de abril de 2024 às 14h46.

Última atualização em 11 de abril de 2024 às 15h27.

A votação na Câmara dos Deputados que referendou a prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) aumentou a preferência do governo a Antônio Brito (PSD-BA) na disputa pela presidência da Câmara em 2025. Diferentemente dos outros dois favoritos que competem pelo cargo, Brito foi o único que votou para manter Brazão encarcerado.

Elmar Nascimento (União-BA), um dos favoritos do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), entrou em campanha pela soltura do parlamentar e acabou derrotado. Marcos Pereira (Republicanos-SP) optou pela ausência. Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), que corre por fora, acompanhou a escolha de Brito.

A decisão da Casa foi acompanhada de perto por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula ligou para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), após a votação para discutir a vitória ante a oposição e uma ala do Centrão, que trabalhou para derrubar a prisão e enviar uma mensagem ao STF.

Foi uma vitória com uma breve margem de vantagem: 277 deputados escolheram autorizar a prisão de Brazão, preso preventivamente acusado de ser o mandante do assassinato da ex-vereadora do Rio Marielle Franco. Eram necessários 257 votos.

A ligação, aliás, aconteceu durante a festa de aniversário de Marcos Pereira, em um evento que reuniu todos os quatro principais nomes que pleiteiam suceder Lira, petistas e líderes da oposição. O evento também contou com a presença de ministros petistas, como Fernando Haddad (Fazenda), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Luiz Marinho (Trabalho). O vice-presidente Geraldo Alckmin também apareceu.

Deputados interpretam o placar da votação realizada nesta quarta-feira, 10, como também uma derrota para Lira e Elmar. Existe uma visão, sobretudo entre os deputados mais experientes, que é preciso demarcar a defesa da prerrogativa dos deputados. O resultado mostra que talvez nem Elmar teria tantos votos assim para alcançar a presidência da Câmara e nem Lira pode ser o fator único para decidir o seu sucessor.

Por um outro ponto de vista, há quem creia que ainda derrotado, Elmar manda uma importante mensagem de que é um defensor dos interesses da Casa. Compartilhou essa leitura a interlocutores o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PRD-SP), um dos que trabalharam nos bastidores para manter a prisão. Cunha também esteve no aniversário de Marcos Pereira.

Consciente da derrota, Elmar crê que a postura avaliada por ele como independente pode ser um peso para Lula no longo prazo.

Ele, porém, tem um obstáculo muito grande para conquistar a atenção do presidente, já que União e PT são rivais na Bahia e o nome dele enfrenta resistência tanto de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, como de Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil.

A aliados, Pereira diz que sabe que está atrás de Brito na disputa pela preferência do governo, mas que o agrada ser o plano B. Isso o permite ainda ter algum acesso à oposição e alguns deputados bolsonaristas.

Mesmo com ampla presença de ministros e deputados petistas, o aniversário teve a presença de ministros do governo Bolsonaro: Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil, João Roma (PL-BA), que foi ministro da Cidadania, e Tereza Cristina, ex na Agricultura.

Nomes do bolsonarismo raiz como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP) e alguns dos filhos de Bolsonaro, porém, não foram. Alguns deles estão na Europa, participando de eventos do Parlamento Europeu.

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