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Cratera em Maceió: solo afundou mais 10,8 cm em área onde está mina da Braskem

Desde a quinta, 30, Defesa Civil informa que região está em estado crítico e em alerta máximo diante de iminente colapso da mina de sal-gema

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Maceió: Desde a quinta, 30, Defesa Civil informa que região está em estado crítico e em alerta máximo diante de iminente colapso da mina de sal-gema (Leo Caldas/EXAME/Exame)

Maceió: Desde a quinta, 30, Defesa Civil informa que região está em estado crítico e em alerta máximo diante de iminente colapso da mina de sal-gema (Leo Caldas/EXAME/Exame)

A Defesa Civil de Maceió (AL) informou, na manhã deste domingo, 3, que o solo na área afetada por atividade mineradora da Braskem, no bairro Mutange, afundou 10,8 centímetros nas últimas 24 horas. A velocidade com que a mina número 18 tem se deslocado permanece em 0,7 centímetros por hora. Até o momento, o solo da área já afundou 1,69 metros, quase a altura média de um homem.

Apesar de a erosão ter desacelerado, a situação permanece crítica. Um novo sismo com magnitude de 0,89 a cerca de 300 metros de profundidade foi registrado no local, na madrugada deste sábado, 2. A Defesa Civil permanece em alerta máximo devido ao risco iminente de colapso da mina, que está na região do antigo campo do CSA.

Desde a quinta-feira, 30, o órgão informa que a região está em estado crítico e em alerta máximo diante de um iminente colapso da mina de sal-gema. A situação fez com que cerca de 5 mil pessoas tivessem que deixar suas casas na última semana. Desde 2019, mais de 60 mil moradores se mudaram da região devido à gravidade da situação.

Estabilidade pode levar anos

O prefeito de Maceió (AL), João Henrique Caldas, o JHC, afirmou em comunicado, no fim da tarde de sábado, que a velocidade de afundamento do solo tem diminuído consideravelmente nas últimas horas. Isso não muda o cenário de risco iminente de colapso na mina 18 da Braskem, no bairro Mutange, mas pode indicar a possibilidade de que o rompimento seja menos destrutivo e abrupto que o esperado até agora. Especialista ouvido pelo GLOBO, no entanto, crê que uma situação de estabilidade pode levar anos para ser alcançada.

"A velocidade de afundamento tem diminuído, chegamos a ter 5cm por hora e agora estamos com 0,7cm por hora. Isso significa dizer que temos uma tendência de diminuição de afundamento naquela região. Os 12 DGPSs (equipamentos de detecção) que medem esse afundamento naquela área chegaram em alerta máximo, mas hoje só um deles permanece assim", disse JHC. "Nossos sismos também diminuíram consideravelmente. Não podemos afirmar que vai estabilizar, mas esse é um caminho de estabilização. Estamos vencendo um dia de cada vez."

O Ministério Público do Trabalho de Alagoas (MPT-AL) determinou que a Braskem tem cinco dias para apresentar um plano de gerenciamento de risco, de monitoramento, de emergência e de evacuação da área ameaçada pelo colapso da mina 18. O cronograma deve ser apresentado na próxima reunião da mineradora com o órgão, prevista para o próximo dia 6.

No prazo, a empresa ainda deve inserir nos autos do inquérito civil a relação de todas as empresas prestadoras de serviço terceirizado, junto ao nome dos respectivos responsáveis pela segurança dos trabalhadores em atividades da Braskem.

Medo entre moradores

Para moradores de regiões próximas ao local em que deve ocorrer o primeiro colapso, ouvidos pela GloboNews, a rotina é de muito medo e incerteza. Ladelson Pinho sintetiza o temor de quem vive próximo: "Aqui, todo mundo tá com medo. Ninguém sabe o que vai acontecer e o que não vai acontecer. Todo mundo fica em pânico."

Daiana vive com mais sete pessoas em uma casa no bairro do Bom Parto, um dos cinco afetados pelo alerta da Defesa Civil de Maceió, mas conta que "já morreu" devido às condições e à falta de estrutura vividas no local: "Agora, a gente vai sair porque é o jeito, mas o meu marido não queria. Ou a gente vai sair, ou vai morrer aqui. Aliás, a gente já morreu, porque todo dia é um medo com roubo, mosquito, barata. Vivemos a Deus dará."

Todas as famílias foram realocadas, diz Braskem

Uma das preocupações que ainda existia era em relação aos moradores de 23 famílias que ainda insistiam em permanecer em áreas de risco da cratera. De acordo com a Braskem, a região já foi 100% desocupada. A Defesa Civil, por força de determinação judicial, agiu para realocar essas pessoas.

No bairro do Mutange, onde fica a mina 18, a realocação dos moradores foi iniciada em dezembro de 2019. Não há ninguém vivendo no "bairro fantasma" mais desde abril de 2020.

De acordo com o município e a empresa, os dados atuais de monitoramento demonstram que a acomodação do solo segue concentrada na área da mina 18 e que essa acomodação poderá se desenvolver de duas maneiras: um cenário é o de acomodação gradual até a estabilização; o segundo é o de uma possível acomodação abrupta.

Em nota, a Braskem afirma que a extração de sal-gema em Maceió foi totalmente encerrada em maio de 2019, e que vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). "Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025", diz a empresa.

Segundo a companhia, das 35 cavidades, 9 receberam a recomendação de preenchimento com areia. Destas, 5 tiveram o preenchimento concluído, em outras 3 os trabalhos estão em andamento e 1 já está pressurizada, indicando não ser mais necessário o preenchimento com areia. Além dessas, em outras 5 cavidades foi confirmado o status de autopreenchimento.

"As demais 21 cavidades estão sendo tamponadas e/ou monitoradas, sendo que em 7 delas o trabalho já foi concluído. As atividades para preenchimento da cavidade 18 estavam em andamento e foram suspensas preventivamente devido à movimentação atípica no solo", acrescenta.

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