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Bolsonaro, Guedes e Skaf: aliança ganha musculatura

Presidente da Fiesp, Paulo Skaf lidera o Conselho Superior de Diálogo para o Brasil e busca fortalecer aproximação com o governo

Bolsonaro na Fiesp em fevereiro: presidente vai novamente à instituição nesta quinta-feira, 5 (Carolina Antunes/Presidência da República/Flickr)

Bolsonaro na Fiesp em fevereiro: presidente vai novamente à instituição nesta quinta-feira, 5 (Carolina Antunes/Presidência da República/Flickr)

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Da Redação

Publicado em 5 de março de 2020 às 06h04.

Última atualização em 5 de março de 2020 às 07h34.

São Paulo — O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, são os convidados de honra da cerimônia de lançamento de um grupo de discussões de empresários sobre a agenda econômica do país, o Conselho Superior de Diálogo para o Brasil, liderado por Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que acontece nesta quinta-feira, 5, na sede da entidade, na capital paulista.

A aproximação entre o presidente da maior federação empresarial do país e o governo Bolsonaro vem ganhando musculatura e pavimenta novas articulações para a eleição para o governo do estado de São Paulo, que acontece em 2022. Skaf acenou no mês passado que pode deixar seu partido, o MDB, para disputar as eleições pelo Aliança pelo Brasil, sigla que Bolsonaro pretende criar.

Também no início de fevereiro, Skaf declarou seu apoio ao presidente durante um evento com Bolsonaro para a inauguração do Colégio Militar de São Paulo. Na ocasião, Bolsonaro disse, em tom de brincadeira, que poderia até contratar Skaf para ser seu “porta-voz”, tal a sintonia entre os dois. O presidente não esconde que vê em seu aliado paulista um forte candidato a dirigente do Aliança pelo Brasil.

A intenção de levar Skaf ao pódio do partido Aliança pelo Brasil, no entanto, não é unanimidade entre os apoiadores do presidente Bolsonaro. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aventou a ideia de que o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) seria o nome ideal para ocupar a presidência estadual da nova legenda, que ainda precisa de mais assinaturas para ser criada. Boa parte da ala mais conservadora do PSL defende a posição da deputada. Com os encontros oficiais e declarações públicas de apoio mútuo entre Bolsonaro e Skaf, o jogo pode pender para o presidente da Fiesp.

O fim do “Bolsodoria”, como ficou conhecida a aproximação do governador João Doria (PSDB) ao candidato do PSL durante as eleições de 2018, também joga a favor de Skaf na disputa por um lugar de destaque junto ao governo federal. Em setembro de 2019, o governador de São Paulo chegou a dizer que o discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU foi “inadequado” e “inoportuno”.

Foi o início do estremecimento da relação com Bolsonaro. Em seu pronunciamento na ONU, Bolsonaro condenou a esquerda e a forma como os incêndios na Amazônia vinham sendo tratados pela imprensa internacional.

Com o apoio do presidente à disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, Skaf deve chegar com mais fôlego ao final da corrida eleitoral estadual. Nas últimas eleições para o governo do Estado, em 2018, Skaf recebeu 21% dos votos e perdeu a vaga ao segundo turmo ao então governador Márcio França. Em 2022, o cenário pode ser outro – pelo menos, do que depender do presidente da Fiesp.

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