Avaliação negativa do governo Lula no mercado financeiro sobe de 47% para 52%, mostra Genial/Quaest

A avaliação positiva caiu três pontos percentuais, de 12% para 9%, e a avaliação regular recuou dois pontos, de 41% para 39%

Mercado financeiro: pessimismo do setor tem como plano de fundo a meta fiscal (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Mercado financeiro: pessimismo do setor tem como plano de fundo a meta fiscal (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 22 de novembro de 2023 às 08h49.

Última atualização em 22 de novembro de 2023 às 09h38.

A parcela do mercado financeiro que avalia de forma negativa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu cinco pontos percentuais entre setembro e novembro, de 47% para 52%, aponta a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 22. A avaliação positiva caiu três pontos percentuais, de 12% para 9%, e a avaliação regular recuou dois pontos, de 41% para 39%.

A explicação para o pessimismo dos agentes do mercado com o governo é vista na avaliação da política econômica. A proporção que vê uma piora na economia nos próximos 12 meses chegou à 55% em novembro após ser apenas 21% em julho. Entre os que acham que a economia brasileira vai melhorar houve uma queda de 15 pontos percentuais, de 36% para 21%. 

Entre os motivos para o sentimento de piora do cenário econômico brasileiro, o consenso do mercado, cerca de 77%, aponta para a falta de uma política fiscal que funcione. Nas últimas semanas, o governo discutiu a possibilidade de mudança da meta de déficit zero em 2024.

Apesar da maioria do mercado desconfiar da capacidade do governo em cumprir esse objetivo, a mudança poderia sinalizar que a União não realizaria os cortes necessários e gastaria mais, o que pioraria o cenário fiscal e descumpriria o arcabouço em vigor. Após idas e vindas, o governo manteve a meta.

“O pessimismo atual do mercado está mostrado na opinião de que essa mudança na meta deve impactar negativamente a inflação, o desemprego e a bolsa”, analisa Felipe Nunes, diretor da Quaest pesquisa e consultoria e professor da UFMG.

Avaliação de Haddad

A polêmica em torno da meta fiscal impactou ainda mais à percepção negativa que o mercado passou a ter do ministro da Economia, Fernando Haddad. Apesar do trabalho bem avaliado em comparação com o governo no geral, sua avaliação vem caindo ao longo do segundo semestre.

Nunes, da Quaest, avalia que a vantagem de Haddad é que o mercado ainda vê força em seu trabalho. Metade dos entrevistados acredita que sua força não mudou, mesmo depois do debate sobre a meta. Outros 12% que acham que ele se fortaleceu. Ou seja, 61% do mercado ainda acredita em seu poder.

“O que Haddad tem que fazer é se concentrar na aprovação da agenda arrecadatória no Congresso. O mercado está mais desconfiado da capacidade do governo aprovar sua agenda no Legislativo”, afirma o diretor da Quaest.

A pesquisa ouviu 100 profissionais de fundos de investimentos sediados em São Paulo e no Rio de Janeiro das 72 maiores casas de investimento do Rio de Janeiro e de São Paulo, entre os dias 16 e 21 de novembro de 2023.

Mais de Brasil

Lula cobra articulação política de Alckmin e Haddad

Pasta da Saúde fecha acordo com Moderna para compra de 12,5 milhões de vacinas contra covid

Vamos ampliar pagamento do Pé-de-Meia para todos os estudantes inscritos no CadÚnico, afirma Lula

Lewandowski defende alterar Constituição para aumentar poder da União na segurança pública

Mais na Exame