Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Cerimônia sobre medidas para microempreendedores individuais, no Palácio do Planalto. (Ricardo Stuckert)
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 21h30.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 15, que é o responsável pela avaliação de seu governo, que atualmente tem saldo levemente negativo de acordo com as pesquisas. De acordo com o Datafolha, 49% aprovam a gestão petista e 50% a desaprovam.
"Tudo é responsabilidade minha. Eu sou o governo. Se eu não consegui ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o governo que eu fiz, não posso ficar jogando a culpa em ninguém. Eu tenho que jogar a culpa em mim", disse Lula durante sabatina realizada pela TV Globo.
Lula reafirmou que acredita que vai ganhar as eleições e 25 de outubro.
"A situação hoje é adversa. Passamos dois anos tentando recuperar esse país. Foram dez ministérios desmontados (durante o governo de Jair Bolsonaro). Para a economia, tivemos que fazer uma PEC da transição", afirmou.
O presidente defendeu o que considera ser o legado de seu governo. "Fizemos muita coisa. Eu apenas lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz. Por mais que a gente faça no Brasil, sempre tem que se fazer mais", afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.
A disputa opõe dois projetos com diferenças em áreas como economia, segurança pública, políticas sociais, trabalho e funcionamento das instituições. Os planos de governo dos candidatos foram apresentados em 15 de agosto de 2026.
Lula aposta na continuidade e na ampliação de programas sociais, no investimento público e no fortalecimento de políticas de inclusão. Na economia, propõe manter o arcabouço fiscal e combinar o equilíbrio das contas com crescimento econômico e justiça tributária. Na segurança pública, prioriza inteligência, integração entre forças policiais e combate ao financiamento do crime organizado.
Flávio defende reduzir a estrutura administrativa federal, rever regras fiscais e tributárias e endurecer a legislação penal. Entre suas propostas estão cortar pelo menos dez ministérios, buscar crescimento econômico de 4% ao ano durante uma década e promover mudanças nas competências do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na área trabalhista, os candidatos também apresentam diferenças: Lula defende o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem corte salarial, enquanto Flávio propõe maior flexibilidade nas relações de trabalho. Na política ambiental, Lula estabelece como objetivo zerar o desmatamento até 2030, enquanto Flávio prevê zerar o desmatamento ilegal até 2029.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 15, mostra uma disputa apertada entre o presidente e Flávio Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto. Nos votos válidos, Flávio registra 51%, contra 49% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos estão tecnicamente empatados.
Na comparação com o levantamento divulgado em 8 de outubro, a diferença caiu de quatro para dois pontos percentuais: Flávio passou de 52% para 51%, enquanto Lula oscilou de 48% para 49%. Em votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos, o senador tem 47% das intenções de voto, ante 45% do presidente.
O levantamento ouviu 2.520 pessoas com 16 anos ou mais entre 13 e 15 de outubro, com nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número BR-00466/2026.
A pesquisa também aponta rejeição elevada para os dois candidatos: 46% dos entrevistados dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 44% afirmam o mesmo sobre Flávio. Os índices estão tecnicamente empatados. Segundo o Datafolha, 93% dos eleitores afirmam estar decididos sobre o voto, enquanto 7% admitem que ainda podem mudar de candidato.
A disputa ocorre em meio a diferenças programáticas e à troca de acusações entre os candidatos. Flávio tem criticado medidas anunciadas pelo governo às vésperas da eleição, como o Prospera MEI, que classificou como uma tentativa de influenciar o voto dos empreendedores. Também acusa o governo de aumentar impostos e gastos públicos e promete reduzir a estrutura administrativa, a burocracia e a carga tributária.
Lula, por sua vez, defende a continuidade de políticas sociais e investimentos públicos. As diferenças entre os dois projetos incluem ainda a jornada de trabalho, o papel do Estado na economia, a segurança pública e as propostas para o STF.