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Trigo: problemas climáticos no Sul inviabilizam nova safra recorde no Brasil

Além do prejuízo com excesso de chuvas em setembro, StoneX alerta que projeção de mais precipitações nas próximas semanas pode agravar perdas

Trigo: estimativa da StoneX de produção caiu para 10,5 milhões de toneladas – recuo de 5,9% frente ao projetado em setembro, quando a previsão era que o país colhesse 11,19 milhões de toneladas (Mohamed Abd El Ghany/Reuters)

Trigo: estimativa da StoneX de produção caiu para 10,5 milhões de toneladas – recuo de 5,9% frente ao projetado em setembro, quando a previsão era que o país colhesse 11,19 milhões de toneladas (Mohamed Abd El Ghany/Reuters)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 25 de outubro de 2023 às 13h52.

Os problemas climáticos no Sul frustraram definitivamente a perspectiva de uma nova safra recorde de trigo no Brasil. A avaliação é da StoneX, que cortou sua estimativa de produção para 10,5 milhões de toneladas – recuo de 5,9% frente ao projetado em setembro, quando a previsão era que o país colhesse 11,19 milhões de toneladas.

“Além das chuvas excessivas recentes, os mapas climáticos indicam mais volumes importantes de precipitação nas próximas semanas e novos cortes na estimativa do cereal não estão descartados”, avalia o consultor em gerenciamento de riscos, Jonathan Pinheiro.

Leia mais: Trigo: Clima ruim e preço em baixa transformam promessa de safra recorde em incerteza e prejuízo

As preocupações com a safra são maiores no Rio Grande do Sul, que é o principal produtor nacional, e em Santa Catarina. Só no Rio grande do Sul, a StoneX prevê uma redução de 20,8% na produção, com o estado colhendo cerca de 1,2 milhão de toneladas a menos do que no ciclo 2022/23. Já no Paraná, os problemas estão concentrados nas áreas ao sul do estado.

“As perdas no Rio Grande do Sul também devem condicionar mudanças nos fluxos do cereal, com exportações menores de trigo e de menor qualidade, além de eventualmente necessitar comprar um grão de maior qualidade para panificação em outros estados, como Paraná”, explica Pinheiro.

Na avaliação da StoneX, Santa Catarina também poderá precisar comprar trigo em outras regiões e até mesmo importar o cereal diante dos prejuízos causados pelo clima. Já o Paraná, além de fornecer mais trigo aos vizinhos, tende a reforçar sua participação nas exportações, pois parte significativa do que colheu registra boa qualidade e produtividade.

Ajustes na oferta e demanda

A consultoria ainda observa que, diante da perspectiva de menor produção de trigo no Sul, a estimativa é de ajustes no balanço de oferta e demanda nacional, com aumento da previsão de importação e queda das exportações. Os estoques finais esperados para o ciclo 2023/24 passaram de 855,1 mil toneladas para 544,6 mil toneladas.

Quanto ao fornecimento de trigo para o Nordeste, a StoneX analisa que há possibilidade de um aumento nas importações tanto pelos preços competitivos no mercado internacional quanto pelas preocupações com qualidade e perdas de safra no Sul.

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