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Lavoro fatura seu primeiro bilhão em venda de sementes

Com o resultado, empresa controlada pelo fundo Pátria Investimentos avança no bilionário mercado de sementes

Grãos: mercado estimado em R$ 37,7 bilhões (Lucas Ninno/Getty Images)

Grãos: mercado estimado em R$ 37,7 bilhões (Lucas Ninno/Getty Images)

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Luciano Pádua

12 de dezembro de 2022, 10h34

A Lavoro, empresa de distribuição de insumos agrícolas, atingiu neste ano a marca de R$ 1 bilhão com a venda de sementes na safra 21/22. Com o resultado, a empresa, controlada pelo fundo Pátria Investimentos, avança no bilionário mercado de sementes, que tem Agrogalaxy (AGXY3), Agro Amazônia e Sinagro como grandes players, e se posiciona entre as maiores distribuidoras de sementes do Brasil.

O movimento da companhia mira em um mercado que vale R$ 37,7 bilhões, segundo estimativas da consultoria Kynetec Brasil, especializada em dados para o agronegócio. A estimativa, obtida de forma exclusiva por EXAME, mostra que a soja é o cultivo mais valioso: R$ 20,7 bilhões. A cultura é seguida pela do milho safrinha, cujo valor é de R$ 10,3 bilhões, e pelo milho da safra do verão, que vale R$ 3 bilhões.

“Desde que a Lavoro foi fundada, a empresa continua em expansão no mercado de sementes – e nosso objetivo é ser o principal player neste setor essencial", afirma Jhonathan Costa, diretor de sementes da Lavoro. "A Lavoro Agrocomercial, primeiro investimento da 'tese Lavoro', nasceu do atendimento a empresas de sementes. Hoje, esse segmento representa aproximadamente 17% do nosso faturamento."

Lavoro e a agressiva estratégia de fusões e aquisições

Desde 2017, a empresa aposta em uma agressiva estratégia de fusões e aquisições, inclusive fora do Brasil, com operações relativas à incorporação de redes como a AGSE, Gral e Cenagro, da Colômbia, além das brasileiras Agrovenci, Central Agrícola, Grupo Cultivar e Produtec. A mais recente foi a compra da Sollo Sul Insumos Agrícolas, rede de distribuição que atende 5 mil produtores rurais no Sul, em agosto. Presente em seis cidades do Paraná, a empresa faturou cerca de R$ 360 milhões no ano passado com a venda de insumos agrícolas e grãos.

Hoje, a Lavoro emprega mais de 3.000 pessoas na América Latina. No Brasil, onde concorre com empresas como a AgroGalaxy, que é controlada pelo Aqua Capital, e o gigante canadense Nutrien, o faturamento chegou a R$ 7,2 bilhões em 2021. Este ano, a expectativa é chegar a R$ 10 bilhões.

Em setembro, a companhia anunciou que listará suas ações nos Estados Unidos, a estreia de uma empresa do agro da América Latina no maior mercado de capitais mundial. Por meio de uma combinação de negócios com a TBP Aquisition Corporation, uma SPAC da holding de investimentos The Production Board, com sede em São Francisco, nos EUA, a empresa aguarda a tramitação dentro das normas do mercado norte-americano para estrear o ticker "LVRO" na Nasdaq.  A confirmação dessa operação é esperada até o final desse ano.

A ideia da operação é ampliar a participação de mercado, "por meio da expansão de revendas, melhorias operacionais contínuas e aquisições adicionais", segundo comunicou em nota a empresa à ocasião do anúncio. Para 2023, a Lavoro pretende expandir a atuação em outros tipos de sementes, como trigo, milheto, sorgo, ervas para pastos, e outras plantas de cobertura.

Revendas agrícolas: mercado em expansão acelerada

Em apresentação a investidores, a Lavoro informou deter aproximadamente 10% do market share do mercado geral de varejo de insumos agrícolas, seguida de perto pela Agrogalaxy, Sumitomo e Bunge.

O mercado de varejo de insumos agrícolas cresceu com uma taxa anual composta (CAGR) de 16% de 2017 a 2021, saltando de 114 para R$ 207 bilhões no período. A empresa também se beneficia do boom nos preços de commodities agrícolas, que turbinou a lucratividade em regiões como Mato Grosso e Paraná, principais polos de atividade da Lavoro.

Além disso, trata-se de um mercado com altas oportunidades de consolidação. Atualmente, as 10 maiores empresas de revendas agrícolas detêm 39% do mercado. Comparativamente, nos Estados Unidos, os seis maiores players desse mercado respondem por 66% do total. No Brasil, mais de mil empresas compõem 22% do mercado, o que permite possibilidade de aquisições ou fusões futuras.

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