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Três perguntas para o fundador do Partido Pirata

Rick hipnotizou a plateia de campuseiros defendendo a circulação irrestrita de conteúdos na internet

Rick defendeu que os jovens brasileiros se esforcem para mudar as regras de copyright em seu país (Flickr/campus/divulgação/info)

Rick defendeu que os jovens brasileiros se esforcem para mudar as regras de copyright em seu país (Flickr/campus/divulgação/info)

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Da Redação

Publicado em 28 de julho de 2012 às 13h06.

São Paulo -O controverso fundador do Partido Pirata da Suécia, Rick Falkvinge, esteve em Recife esta semana, onde participa da primeira edição da Campus Party em Pernambuco.

Durante sua palestra de 40 minutos, na noite de sexta-feira, na Campus, Rick hipnotizou a plateia de campuseiros defendendo a circulação irrestrita de conteúdos na internet e defendeu que os jovens brasileiros se esforcem para mudar as regras de copyright em seu país.  Após sua apresentação, Falkvinge conversou com a INFO.

Por que você fundou o partido pirata?

Eu sentia que era necessário mudar a forma como o copyright é usado e permitir a todas as pessoas ter acesso livre à cultura e ao conhecimento. Certa vez, conversei com uma garota de nove anos nascida no Paraguai e vi que, por meio da web, ela tinha acesso às mesmas coisas que eu, um homem adulto, nascido num país estruturado e isso mexeu comigo de um jeito irremediável.

Então, pedi um empréstimo e sai do emprego afim de me dedicar integralmente a essa causa. Eu esperava que esse dinheiro me sustentasse até o partido se erguer de fato, coisa que não aconteceu. O resultado foi passar um tempo vivendo de doações. Algumas pessoas entenderam aquela minha fase e me ajudaram a continuar na busca desse sonho, enquanto outras aproveitaram para tripudiar. No final eu aprendi que se você luta por algo realmente grande não está livre de passar por essas fases ruins.

É possível repetir, fora da Suécia, a organização de um partido pirata?

Sim, isso será possível no Brasil, por exemplo. Este é um país com milhões de jovens ansiosos por inclusão digital e democracia. Há todas as condições para as pessoas abraçarem a ideia de uma internet livre e democrática no Brasil e em outras nações. É claro que isso não acontecerá de forma rápida ou simples. Nossa trajetória, na Suécia, não foi fácil também.

Ao se contrapor aos direitos autorais, vocês não destroem o sustento de artistas, estúdios e gravadoras?

Eu vejo a internet como um espaço público, onde podemos manifestar livremente nossa opinião e compartilhar o que bem entendermos. Se alguém quer ficar rico ou ganhar muito dinheiro, deve procurar outra ocupação ou trabalho remunerado que não seja bloquear conteúdo online em troca de pagamento.

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