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Pesquisadores brasileiros usam Foursquare como solução de big data

Equipe da UFMG, que ainda é composta por um inglês, analisou hábitos alimentares de usuários do Foursquare; método parece ser mais eficiente que pesquisa tradicional

 (nan palmero / Flickr)

(nan palmero / Flickr)

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Gustavo Gusmão

8 de maio de 2014, 17h51

O aplicativo Foursquare é usado para dar check-in em diferentes estabelecimentos, inclusive – e principalmente – restaurantes e lanchonetes. Então por que não aproveitar os dados de localização dos usuários para uma pesquisa? Pois é quase isso que um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, junto com um inglês, conseguiu fazer: usando como base informações fornecidas pelos usuários do app, os cinco conseguiram determinar e comparar hábitos e preferências alimentares de populações de 16 países pelo mundo.

As informações vêm do MIT Technology Review. O site comparou a praticidade da metodologia do grupo – formado porThiago Silva, Pedro Melo, Jussara Almeida, Antonio Loureiro e Mirco Musolesi – com a mais tradicional, da World Values Survey. O sistema em questão é baseado em uma rede de cientistas sociais espalhados pelo mundo, que conduziu, entre 1981 e 2008, mais de 250 mil entrevistas em 87 sociais diferentes. O resultado é incrivelmente completo, mas, ao mesmo tempo, exigiu anos e dinheiro para ficar pronto.

Em compensação, a análise baseada no Foursquare proposta pelo quarteto da UFMG paece exigir muito menos tempo e, claro, recursos financeiros. Tudo graças à relativa simplicidade do método: como mostra o site do MIT, o primeiro passo foi baixar quase cinco milhões de tuítes relacionados à rede de check-ins, que redirecionavam cliques ao site. Depois que os cinco descartaram todas as marcações que não tinham a ver com alimentação, ficaram com 280 mil check-ins relativos a bebidas, 400 mil a fast-food e outros 400 mil a outros restaurantes.

Todos os estabelecimentos visitados foram divididos em diferentes subcategorias, como pizzaria, padaria, café, loja de cupcakes, entre outras. E como os posts no Foursquare mostram local, data e horário, os cientistas ainda conseguiram estabelecer quando os habitantes de um país mais visitavam determinados locais. Com tudo isso em mãos, eles ainda compararam os hábitos alimentares entre cidades dos 16 países analisados: Brasil, Argentina, Austrália, Chile, Inglaterra, França, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, México, Rússia, Singapura, Espanha, Turquia e Estados Unidos.

Os resultados, como destaca o MIT, foram do óbvio ao revelador. Por exemplo: locais próximos uns dos outros, como as cidades de Natal, Recife, BH, São Paulo, Rio e Porto Alegre, têm horários bem similares para beber – o que era esperado. Mas sabia que os parisienses costumam fazer o mesmo – ou ao menos fazer check-in em estabelecimentos do tipo – em horários parecidos aos de todas essas cidades brasileiras? Hábito similar também é visto em Las Vegas, enquanto os nova-iorquinos parecem ir a fast-foods nos mesmos períodos que os recifenses.

Aliás, os resultados – com exceção de dois pontos – foram bem similares aos obtidos pela World Values Survey, como a equipe de pesquisadores percebeu depois. Ou seja, a metodologia proposta pela equipe da UFMG parece ser bem promissora, especialmente se levarmos em conta a base de 45 milhões de usuários do Foursquare. Se quiser ler o trabalho na íntegra (em inglês) e conferir mais alguns dados encontrados pelo estudo, clique aqui.