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Pesquisa questiona eficácia do sistema de medição do Apple Watch

Novo estudo aponta que o relógio inteligente da Apple exagera na hora de alertar os usuários sobre eventuais riscos de doenças cardíacas

Apple Watch: aparelho pode estar exagerando em alertas, mostra estudo (Apple/Divulgação)

Apple Watch: aparelho pode estar exagerando em alertas, mostra estudo (Apple/Divulgação)

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Rodrigo Loureiro

Publicado em 1 de outubro de 2020, 17h17.

Última atualização em 1 de outubro de 2020, 17h35.

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, pode ter revelado um problema com o Apple Watch, os relógios inteligentes da fabricante da maçã. De acordo com os pesquisadores, o aparelho pode não ser a melhor forma de medir o pulso cardíaco.

A pesquisa aponta que apenas 10% dos usuários que procuraram atendimento médico após notarem números anormais em seus relógios realmente tinham algum problema. O restante, não. Ou seja, a Apple está fazendo com que mais pessoas busquem por hospitais.

Isso é um problema principalmente em países como os Estados Unidos, onde o acesso a saúde pode custar bem caro. Pior, ainda pode sobrecarregar o sistema médico.

Autora do estudo, Heather Heaton, professora assistente de medicina de emergência da universidade americana disse ao The Verge que o estudo se baseia na análise de registros de saúde de centenas de pacientes que que buscaram por atendimentos em diferentes regiões dos Estados Unidos entre dezembro de 2018 e abril de 2019.

Os dados apontavam que pelo menos 264 pacientes disseram que seus Apple Watches sinalizaram ritmo cardíaco preocupante. Desses, apenas 30 pacientes foram diagnosticados com problemas cardíacos após a visita ao médico.

Para Heaton, o fenômeno é semelhante à busca por atendimento médico após pacientes procurarem na internet por sintomas. O problema é que os relógios já fazem esse monitoramento (e o alerta) de forma automática.

Além da Apple, o estudo ainda aponta que as empresas Samsung e a Fitbit foram outras fabricantes de dispositivos semelhantes que foram utilizados por usuários que buscaram atendimento médico sem necessidade. A porcentagem, porém, foi menor.

Apesar de serem úteis para o monitoramento da saúde, ainda não há uma pesquisa que comprove realmente a eficácia das medições. O estudo mais recente questiona exatamente isso.