Precisamos falar de Maitês

Em junho de 2020, ouvir mais especialistas negros e falar de empresários negros é obrigação; nenhum país pode ser rico ignorando metade de sua população

Na edição passada o empreendedor Paulo ­Rogério Nunes estreou como colunista da EXAME.­ Seu texto tratou de um enorme mercado que existe na sociedade brasileira, o de 1,7 trilhão de reais movimentados por ano pelos negros. Dias depois, Nunes falou com a redação da EXAME sobre a (escassa) cobertura jornalística de negócios e empreendimentos criados por esses brasileiros. Na conversa, Nunes e seu sócio, o americano David Wilson, empreendedor e editor, afirmaram que nenhum país pode ser rico ignorando metade de sua população.

Nesta edição da ­EXAME, a personagem de capa é Maitê Lourenço, psicóloga de formação e fundadora da BlackRocks, uma plataforma que acelera negócios criados por empreendedores negros e que tem entre seus parceiros gigantes como Facebook e Oracle. Seu time de mentores já tem mais de 100 pessoas. Maitê Lourenço e Paulo Rogério são negros, assim como Rachel Maia, presidente da Lacoste no Brasil, e a empreendedora Luana Génot, também personagens desta edição da EXAME.

Estamos em junho de 2020, e ouvir mais especialistas negros, falar de empresários negros e tratar dos desafios da integração étnica é obrigação de uma publicação com o peso da EXAME, há 52 anos referência na cobertura de economia e negócios no Brasil. Mundo afora, manifestações contra o racismo ganharam as manchetes nas últimas semanas e mostraram que há outras emergências para além do coronavírus, as quais, impulsionadas pela pandemia, vieram à tona. A crise global de saúde pública, especialmente dramática no Brasil, apontou que mudanças e reformas não podem ficar para depois.

Outra pauta inadiável é a integração definitiva das mulheres no mercado de trabalho e dos homens nas tarefas domésticas, algo que também ficou escancarada com o isolamento forçado das últimas semanas. “As mulheres contra a crise” e sua importância para a retomada da economia são o tema de nossa reportagem de capa.

Igualmente inadiável é o ataque às mudanças climáticas, outra pauta desta edição. Os danos causados pelo aquecimento global, afinal, podem ser mais lentos, mas serão muito mais duradouros do que os causados pelo novo coronavírus. Na entrevista, o historiador econômico Joel Mokyr fala que o que tira seu sono são as investidas de líderes populistas contra a democracia.

Respeito aos direitos humanos, integração social, sustentabilidade, democracia. Pautas tão fortes quanto urgentes — e que são o fio condutor desta edição da EXAME. São temas que, como afirma Luana Génot, “precisam ser tratados exaustivamente na sociedade, no governo e nas empresas para que as pessoas tomem conhecimento do assunto e ajudem a promover mudanças”. O óbvio precisa ser dito. Conte com a EXAME.

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