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Paz, amor e lucros nos festivais de música

Festivais de música pop existem há décadas, mas a decadência da indústria fonográfica transformou os antigos encontros em uma poderosa indústria do showbiz

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Última edição do festival Glastonbury, na Inglaterra: público de 177 000 espectadores (Ian Gavan/Getty Images)

Última edição do festival Glastonbury, na Inglaterra: público de 177 000 espectadores (Ian Gavan/Getty Images)

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Felipe Carneiro

Publicado em 18 de fevereiro de 2011 às, 11h40.

Se você ainda acha que festival de rock é sinônimo de um encontro de jovens seminus, cobertos de lama, “viajando” no solo de guitarra de algum hippie no palco, talvez seja hora de se aventurar por algum show ao ar livre e ver quanto as coisas mudaram desde Woodstock. Mudaram tanto que até o príncipe Charles foi visto na última edição do Glastonbury, maior festival do Reino Unido. Seu caçula, o príncipe Harry, prestigiou o festival Womad, em julho passado, e o primeiro-ministro David Cameron é figurinha fácil no festival de Cornbury. A presença da realeza e do alto escalão político britânico é apenas o último dos sinais de quanto evoluíram os shows: de 2005 para cá, a “plebe” do Reino Unido redescobriu o prazer de ouvir música ao ar livre.

Puxada pelos festivais, a venda de ingressos para shows aumentou 29%. Em 2010, a receita total gerada pela venda de ingressos, comida, bebida e produtos licenciados nos eventos realizados no país chegou a 720 milhões de dólares, sendo 505 milhões só de ingressos: um recorde. “Os festivais entraram para o cotidiano das massas, não são mais exclusividade de fanáticos por música e hoje se converteram num mercado extremamente atraente”, diz Michael Oliver, analista de lazer do centro de pesquisas britânico Mintel e autor de um estudo sobre a ascensão dos festivais no país — um fenômeno que se repete em muitos países do mundo, inclusive no Brasil.

O crescimento do negócio está intimamente ligado à rápida decadência da indústria fonográfica. Entre 2005 e 2009, a venda de álbuns na Inglaterra caiu 19%. “Em todo o mundo, a internet mudou a forma como as pessoas lidam com a música. No dia a dia, a relação é cada vez mais solitária e gratuita, por meio dos iPods, mas ao mesmo tempo as pessoas estão saindo mais para conhecer novas bandas e ver seus artistas preferidos ao vivo”, diz Chris Carey, economista sênior da PRS, órgão que coleta e paga royalties e direitos autorais no Reino Unido. Desde 2008, os músicos britânicos ganham mais dinheiro com suas performances ao vivo do que com a venda de discos.


Com as vendas de álbuns em queda livre, as gravadoras foram obrigadas a cortar os custos de divulgação de seus artistas, e os festivais se firmaram como uma forma simples e até lucrativa de mostrar ao público seus contratados. “As gravadoras tentaram até fazer seus próprios festivais, mas a vantagem desses encontros é justamente a diversidade, e elas queriam organizar eventos apenas com seus artistas. Não tinha como dar certo”, diz Melvin Benn, diretor executivo da Festival Republic, que organiza, entre outros, o Glastonbury.

O modelo de negócios de um festival dificilmente é igual a outro. Alguns são bancados por empresas, como o V Festival — terceiro maior do Reino Unido, organizado pela empresa de telecomunicação Virgin. Os pequenos dependem mais da venda de comida e bebida. Mas é possível dizer que, no caso dos festivais para mais de 20 000 pessoas, os patrocínios respondem por não mais do que 15% da receita.

Comida, bebida, produtos licenciados e acomodação valem mais 15%, o que significa que cerca de 70% do dinheiro tem de vir da bilheteria. “É um negócio altamente arriscado, pois gastamos muito dinheiro sem nenhuma garantia de que os ingressos serão vendidos”, diz Benn. Levando-se em conta que em 2008 eram apenas 500 festivais no país e hoje são 700, é uma aposta que tem valido a pena.

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