Para além da cloroquina: farmacêutica Apsen busca outras receitas para crescer

Maior fabricante no país do remédio desacreditado contra a covid-19, a Apsen busca outras receitas para crescer

Pouco conhecida até antes da pandemia, a farmacêutica brasileira Apsen começou a aparecer no noticiário em 2020. Sediada na Zona Sul de São Paulo, ela é a maior fabricante de hidroxicloroquina no país, com 78% do mercado. O remédio é alardeado pelo presidente Jair Bolsonaro como tratamento para a covid-19, mesmo com a comprovação de que não funciona.

O medicamento é uma parte pequena do faturamento da companhia, dizem os executivos — menos de 10%. A propaganda do presidente serviu para pouca coisa na empresa. A Apsen diz focar na venda para pacientes que já usavam o remédio antes da pandemia (o medicamento é indicado no tratamento de artrite reumatoide e lúpus). “Não temos nenhum tipo de proximidade com o presidente”, diz Renata Spallicci, uma das sócias da Apsen.

A empresa faturou quase 1 bilhão de reais em 2020. A meta agora é chegar a 2 bilhões de reais em 2025. A aposta é em melhorias em medicamentos já existentes. “O objetivo é gerar mais conforto para o paciente. Por exemplo, com remédios com menos efeitos colaterais, ou que precisem ser tomados apenas uma vez ao dia”, diz Márcio Castanha, vice-presidente da Apsen.

O movimento segue uma tendência global. Enquanto grandes farmacêuticas, como a Pfizer, criam remédios e vacinas do zero, o que demanda inovação de ponta, empresas locais, como a Apsen, focam melhorias no que já existe. Para isso, a Apsen quer investir 200 milhões de reais na linha de produção e em inovação — 25% disso emprestados pelo estatal BNDES em 2020. A empresa diz que nada disso tem a ver com o auê em cima da hidroxicloroquina.

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