O resultado das empresas em 2010 é memorável. Mas não é o suficiente

As 500 maiores empresas do país faturaram 1,3 trilhão de dólares em 2010, com lucro recorde de 87 bilhões, segundo levantamento de Melhores e Maiores 2011. O resultado é excelente, mas o Brasil não pode se contentar em ter apenas um bom ano

São Paulo - Há pelo menos 25 anos, a economia brasileira não oferecia motivos de comemoração tão fortes quanto os apresentados em 2010. A festa de premiação das empresas destacadas pela edição especial MELHORES E MAIORES 2011, de EXAME, realizada na noite de 6 de julho em São Paulo, refletiu o momento de crescimento vigoroso que o Brasil atravessou com um desfile de resultados exuberantes no universo corporativo.

As 500 maiores empresas cresceram 9,5%, dois pontos acima da expansão do produto interno bruto, e exibiram um faturamento conjunto de 2,1 trilhões de reais, o equivalente a quase 1,3 trilhão de dólares.

O resultado foi coroado com um lucro total próximo de 87 bilhões de dólares — recorde em 38 anos de acompanhamento da economia por parte de MELHORES E MAIORES.

Outro recorde batido foi o de emprego. Com a criação de 173 000 postos de trabalho ao longo do ano, essas empresas mantinham 2,9 milhões de funcionários contratados diretamente ao final de 2010.

Juntas, elas recolheram aos cofres públicos 170 bilhões de dólares somente em impostos sobre as vendas. São indicadores, sem dúvida, de um país que prosperou como há muito não se via.

O prêmio da Empresa do Ano, conferido à cinquentenária Promon Engenharia, foi representativo de um dos setores em que a economia brasileira registra maior efervescência: o de infraestrutura.

Participante de grandes obras, como refinarias e plataformas da Petrobras e o porto Açu, do grupo EBX, a Promon é uma empresa de engenheiros — profissionais que, felizmente, voltaram a ser valorizados no país — e tem uma cultura empreendedora peculiar. Dos seus 1 521 funcionários, 85% são acionistas da companhia.

“Nunca tivemos tantas condições e tanta energia para empreender”, disse Luiz Ernesto Gemignani, presidente do conselho de administração da Promon. O faturamento registrou aumento real de 36%, para 536 milhões de dólares, com lucro de 49 milhões.


O brilho dos resultados da Promon e das demais premiadas, no entanto, não pode criar ilusões. O Brasil tem muito ainda por fazer na caminhada para alcançar o status de uma nação desenvolvida. É preciso considerar que o país usufrui as benesses de uma coincidência rara de fatores positivos.

Entre eles se destacam a manutenção de preços elevados de commodities no mundo e, no plano interno, uma transição demográfica que amplia temporariamente a proporção de população produtiva.

Trata-se de um momento — possivelmente único na história — propício a uma arrancada na quali­dade nos padrões da educação, da infraestrutura e das instituições, ganhando competitividade internacional.

“Podemos aproveitar para avançar em desafios estruturais, tornar mais eficiente a alocação dos recursos e aumentar a produtividade da nossa economia”, disse, em seu discurso, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, representante do governo na festa. “Só assim será possível obtermos um crescimento econômico ainda mais robusto no futuro.”

A fala de Tombini coincidiu com o recado que Roberto Civita, editor e presidente do conselho de administração do Grupo Abril, transmitiu à plateia de cerca de 1 500 empresários e executivos que lotaram o Clube Monte Líbano para assistir à premiação.

“A hora de fazer as mudanças é agora, enquanto as circunstâncias trabalham a nosso favor. Não podemos esperar por mais uma crise para despertar”, disse Civita.

“Como representantes da elite de homens e mulheres de negócios — e, sobretudo, como cidadãos brasileiros —, precisamos lutar para que o país não tenha mais um ano de glórias, mas décadas de real prosperidade. Nossas virtudes têm de ser ainda maiores que nossa fortuna.”

A mudança de humor na economia que a esta altura do ano já está configurada é um reforço à reflexão sobre a urgência de retomar as reformas.

Há uma atmosfera de incerteza em relação aos rumos da economia mundial e certa frustração com os primeiros meses do governo Dilma Rousseff, em que se combinam uma deterioração do quadro econômico, novos escândalos políticos e uma paralisia da agenda reformista no Congresso. Quanto à cena externa, nada podemos fazer. Mas, no que diz respeito à agenda do país, não podemos pôr a culpa nos gringos.

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