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O Brasil começa a se firmar como um mercado atraente para produtos eletrônicos

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Loja de eletrônicos: paixão nacional crescente (Alexandre Battibugli/EXAME.com)

Loja de eletrônicos: paixão nacional crescente (Alexandre Battibugli/EXAME.com)

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Maurício Oliveira

Publicado em 17 de junho de 2011 às, 15h23.

São Paulo - Em uma madrugada recente, em maio, cerca de 200 pessoas podiam ser vistas formando fila, calmamente, dentro de um shopping de São Paulo. Nos primeiros minutos daquele dia, sob aplausos e brindes de champanhe, o iPad 2, tablet da Apple, começava a ser vendido no Brasil.

As cenas ilustram bem a crescente paixão dos brasileiros por novidades tecnológicas — em menos de 24 horas, o produto esgotaria em lojas de todo o país. Mas os desejos de consumo dos brasileiros vão muito além dos tablets.

Em uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria Accenture, o Brasil ficou em primeiro lugar em um ranking que mede o interesse da população por eletrônicos.

O resultado colocou o Brasil à frente de outros sete países, entre eles Estados Unidos, Japão e os outros Brics. No último ano, os consumidores brasileiros também foram os que mais compraram quatro dos 20 produtos pesquisados — celulares, TVs de alta definição, câmeras digitais e netbooks.

Apenas no primeiro trimestre do ano, as vendas de eletrônicos no Brasil cresceram 12%. “Há cada vez mais pessoas interessadas em consumir tecnologia no país”, diz Marcelo Fortes, que coordena o grupo de mídia e tecnologia da Accenture.

O bom momento dos eletrônicos resulta de uma soma de fatores. O mais evidente deles é o maior poder aquisitivo da população graças ao cres­cimento econômico mais forte dos últimos anos. Mas há outros. Mês a mês, o real valorizado vem contribuindo para a queda de preços dos produtos importados.

Por fim, o perfil demográfico do país sopra a favor, especialmente na comparação com as nações desenvolvidas e mais velhas — em geral, o público mais entusiasmado com produtos de tecnologia vai dos 18 aos 27 anos de idade.

A disposição para gastar com eletrônicos já chama a atenção dos grandes fabricantes. Até há pouco tempo, a japonesa Nikon atuava no Brasil apenas por meio de dois distribuidores. Em maio, a companhia inaugurou uma subsidiária no país.


Com investimento de 10 milhões de dólares, escritório na avenida Paulista e 45 funcionários contratados, a nova unidade será responsável pelas áreas de vendas, marketing e assistência técnica local. Na mira está o segmento de câmeras digitais — um mercado que, apenas no ano passado, cresceu 40% por aqui.

Até o final do ano, a Nikon espera faturar no Brasil 100 milhões de reais. Em três anos, a meta é saltar de 1% para 15% do mercado nacional de máquinas compactas e de 15% para 40% de máquinas de lentes intercambiáveis.

“Queremos ter 2 000 pontos de venda em todo o país”, diz Koji Maeda, presidente da Nikon no Brasil. “Estudamos inclusive a possibilidade de passar a fabricar produtos localmente.”
 
Presença local

No ano passado, a Canon abriu uma loja virtual focada apenas no mercado brasileiro. A finlandesa Nokia, que possui hoje seis lojas próprias, deverá expandir em breve seu negócio de varejo com o lançamento de quiosques localizados dentro de unidades de grandes redes varejistas.

O primeiro será aberto ainda neste semestre em Belém, numa parceria mantida em sigilo. “A meta é estar em todos os principais shopping centers do Brasil até 2013”, afirma Fernando Rheingantz, diretor de varejo da Nokia.

A pesquisa da Accenture mostrou também algumas peculiaridades do mercado local. Entre elas, o levantamento evidenciou que, embora a internet seja bastante utilizada para pesquisar modelos no Brasil, o consumidor de eletrônicos valoriza visitas e conversas ao vivo com vendedores.

Adquirir produtos numa loja física ainda é a modalidade preferida de 60% dos brasileiros — a média geral dos outros sete países avaliados é 38%. Também é comum, entre os compradores locais, queimar etapas em gerações de produtos.


“Enquanto os consumidores de outros países tendem a evoluir gradualmente, passo a passo, o brasileiro pode passar direto de um modelo básico de câmera digital para outro muito mais sofisticado”, afirma Fortes, da consultoria Accenture.

Perfil de consumo

Na subsidiária da Sony no Brasil, 70% da verba da área de marketing hoje vai para pesquisas sobre o comportamento dos consumidores. “No passado, desenvolvíamos um produto e esperávamos que ele encontrasse seu público”, diz o gerente de marketing da Sony, Carlos Paschoal.

Em novembro, a empresa iniciou um estudo com visitas em domicílio para entender como o brasileiro está gastando com produtos eletrônicos fabricados pela companhia.

Detectou assim um público novo, que não vinha sendo atendido. Recentemente, a empresa reduziu no país o preço de seu modelo de entrada em câmeras fotográficas digitais de 700 para 349 reais na tentativa de atrair a nova classe média.

O avanço dos eletrônicos no Brasil ocorre a despeito de um obstáculo antigo: a altíssima carga tributária sobre produtos da categoria. Os impostos do iPad, para ficar em um exemplo, correspondem a quase 55% do preço final.

Com o enquadramento recente dos tablets na chamada Lei do Bem, que reduz a tributação em cerca de 30%, espera-se que o mercado nacional desses produtos tenha um grande impulso.

Criado em abril passado, o movimento “Preço justo já”, que reivindica menores impostos sobre produtos eletrônicos de diversos tipos, já reúne mais de 570 000 assinaturas.

Uma anistia mais ampla de outros produtos da categoria, a exemplo do que ocorreu com artigos de informática em meados da década de 2000, no entanto, parece estar longe no horizonte.

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