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Casualidade em alta

CEO da Aramis, Richard Stad fala sobre as mudanças impostas pela pandemia ao guarda-roupa dos executivos
 (Divulgação/Massimo Failutti)
(Divulgação/Massimo Failutti)
Por Daniel SallesPublicado em 02/05/2022 10:00 | Última atualização em 02/05/2022 12:36Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Quais tendências a pandemia trouxe para o modo como os homens se vestem?

Fizemos uma pesquisa há pouco tempo e concluímos que o homem agora quer se sentir confortável e, ao mesmo tempo, estar bem vestido. Reposicionamos a Aramis porque, depois de tantos dias de home office, os consumidores querem continuar trabalhando à vontade, seja onde for. Querem roupas que permitam trabalhar de casa e sair para jantar. O estilo casual-sofisticado que desenhamos contribui com o dinamismo de nossos clientes. Lançamos, por exemplo, uma camisa de malha que garante o mesmo conforto de uma camiseta. Também apostamos em calças com uma tecnologia que dá mais conforto ao sentar e levantar.

Quais peças de roupa perderam e quais ganharam força com a pandemia?

A procura pelas peças de alfaiataria voltou, mas as vendas de gravatas e itens mais formais reduziram. Até sapatos estão dando espaço para os sneakers, pois agora dá para usá-los com um costume e ser considerado bem vestido. Desmembramos a calça e o paletó dos costumes para mostrar a versatilidade dessas peças. Graças à nova camisa, mais funcional, essa categoria voltou ao patamar de antes da pandemia. 

Os profissionais que trabalham em escritório estão se vestindo de maneira diferente? 

Conheço funcionários de escritórios de advocacia que agora se permitem usar roupas bem mais casuais no dia a dia. Ok, quando é preciso, voltam para a formalidade. É algo que se repete em vários outros segmentos mais tradicionais. Ninguém quer se vestir como gosta só no fim de semana ou depois do expediente. Equivale a não se expressar com liberdade. 

A forma como os CEOs se vestem também mudou?

Sim, e me vejo como exemplo. Por falar nisso, fizemos uma calça que ganhou o apelido de Rich. Não é jeans nem uma peça de alfaiataria, pois fica no meio do caminho. Remete ao que chamo de business moderno, no qual sempre apostei ao me vestir. Hoje me visto para trabalhar de maneira muito mais casual, não muito diferente dos momentos de lazer. Estamos lançando uma linha de activewear que aproxima a mobilidade do esporte ao mundo da moda. Ando muito a pé e de patinete. E devo dizer que tenho contato frequente com um grupo de CEOs bem relevantes e vejo que eles também estão aderindo à informalidade. Isso não diminui o prestígio deles ou coloca a competência de ninguém em xeque. 

De que forma a pandemia afetou os planos de expansão da Aramis? 

Estamos reposicionando a marca desde 2018, saindo do mundo da alfaiataria e indo mais para o casual. Mas, como a marca ia muito bem, tudo isso vinha numa velocidade menor. A pandemia, obviamente, foi muito desafiadora para todo mundo. Só que a enxerguei como uma oportunidade para levar a Aramis para outro patamar. Meu jeito de lidar com a pandemia foi fazer muita coisa, do rebranding à contratação de novas pessoas. Se compararmos o faturamento de 2021 com o de 2019, crescemos 24,7% em receita. Até lançamos um marketplace no meio da pandemia. Estamos com 98 lojas, entre próprias e franquias, e chegamos a 1.000 multimarcas.

Muita gente disse que a pandemia decretaria a morte das lojas físicas. por que elas resistiram?

O varejo nunca esteve tão robusto. Claro que a digitalização do vendedor e do cliente final são bem-vindas. Mas a experiência nas lojas físicas ainda é muito relevante. Ir a uma loja, recorrer a um bom consultor, faz toda a diferença. Uma pesquisa recente concluiu que nossos clientes gostam de ir até as lojas. O NPS do nosso varejo é 88, uma nota alta. Mostra o quão importante é a conexão do vendedor com o consumidor.  

 

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