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Empresários seguem à espera de um sinal do novo governo

Para o presidente da CNI, o governo Jair Bolsonaro deve atrair investimentos para o Brasil. Mas antes precisa mostrar o que de fato vem pela frente

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Robson de Andrade, da CNI:  “Não temos medo da abertura comercial” (CNI/Divulgação)

Robson de Andrade, da CNI: “Não temos medo da abertura comercial” (CNI/Divulgação)

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Fabiane Stefano

Publicado em 8 de novembro de 2018 às, 05h18.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2019 às, 15h51.

A euforia que acometeu os empresários após a eleição do presidente Jair Bolsonaro não chegou à sede da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília. Acostumado às promessas que tardam a ser cumpridas — ou que nunca saem do papel —, Robson Braga de Andrade, presidente da entidade, olha com comedimento para o governo em formação. As amostras iniciais — como a proposta de criação de um superministério da Fazenda — não agradaram. “Discussões relevantes de política de desenvolvimento industrial deixarão de ser feitas”, diz Andrade.

Os empresários parecem animados com o presidente eleito, Jair Bolsonaro. Como o senhor avalia o entusiasmo inicial?

De fato, existe uma animação grande com a eleição de um governo liberal, capaz de continuar as reformas iniciadas com o presidente Michel Temer. E vejo que há disposição de antecipar a aprovação dessa pauta ainda neste ano. Agora, investimento mesmo, para valer, só depois que vierem sinais mais concretos.

A rotina do governo, que costuma ser bem complicada, pode minar essa euforia inicial?

Muita gente acha que só o desejo de mudança seria capaz de fazer um milagre no Brasil. Isso não é verdade. Não vislumbramos ainda como será o relacionamento do governo Bolsonaro com as diferentes esferas do poder. É verdade que é um governo eleito há pouco mais de uma semana. Por essa razão, não sabemos como será na prática. É ainda uma incógnita.

O que acha da ideia de fusão do Ministério da Fazenda com as pastas do Planejamento e da Indústria e Comércio Exterior?

Sou contra a junção porque um planejamento independente é que é capaz de levar para o presidente da República contrapontos importantes. Se tudo ficar centralizado na Fazenda — e nada contra a figura do Paulo Guedes —, discussões relevantes de política de desenvolvimento industrial deixarão de ser feitas.

Quais discussões são essas?

Não estou falando de incentivos fiscais e subsídios, mas o Brasil é um país continental e há muitas diferenças regionais. Como levar investimentos ao Nordeste sem um diferencial competitivo?

Paulo Guedes tem falado numa abertura comercial gradual. Como analisa essa proposta?

Não temos medo da abertura comercial nem medo dos acordos internacionais. O que não podemos é reduzir alíquotas de importação sem criar um ambiente de negócios adequado às empresas brasileiras. Temos muitos impostos escondidos na cadeia produtiva devido à nossa burocracia e à complexidade tributária.

O Mercosul deve ser prioridade nas relações exteriores?

Não podemos abandonar o Mercosul. Argentina e Paraguai são parceiros comerciais importantes. É verdade que nos atrapalham algumas vezes, retardam o processo de negociação, mas os pontos negativos são menores do que os positivos. Dos produtos manufaturados exportados, 25% vão para Argentina, Paraguai e Uruguai. É preferível consertar o que está errado a abandonar.

Qual o maior problema que Bolsonaro deve atacar?

A grande discussão hoje é a da geração de emprego. Fala-se muito em criar vagas, mas o perfil do emprego está mudando e os governos parecem não se dar conta. Não existe mais o investimento numa grande siderúrgica ou mineradora. Deveríamos incentivar startups e empresas médias. Elas geram emprego quase imediato, muitas vezes com baixo investimento, e são capazes de inovar. É a agenda da tecnologia e da indústria 4.0.

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