Juliette desabafa sobre xenofobia: "Vai ter sotaque nordestino em grandes publicidades sim"

Cantora contou que pediram para "neutralizar" seu sotaque em um teste para dubladora
Juliette: "Existe xenofobia sim, isso está enraizado na nossa cultura e a gente precisa questionar" (Globo/João Cotta/Divulgação)
Juliette: "Existe xenofobia sim, isso está enraizado na nossa cultura e a gente precisa questionar" (Globo/João Cotta/Divulgação)
R
Redação

Publicado em 11/06/2022 às 16:01.

Última atualização em 11/06/2022 às 16:08.

A cantora Juliette, vencedora do BBB 2021, desabafou em seu stories no Instagram e também em uma live na rede social sobre ataques xenófobos ao seu sotaque nordestino.

"Eu leio alguns comentários, mas não fico triste. De uns fico rindo e sobre outros fico irritada mesmo, principalmente os xenofóbicos. Tem muita coisa sobre o meu sotaque. Chegam a dizer: 'Por que ela não neutraliza esse sotaque, canta a musica do jeito que ela é?'".

Assine a EXAME e fique por dentro das principais notícias. Tudo por menos de R$ 0,37/dia

A cantora mandou seu recado para os 'haters': "Vão escutar sotaque nordestino em grandes publicidades sim. Porque nós somos múltiplos e consumimos. Consumimos outros tipos de músicas além do forró, da nossa cultura tão bonita. A gente canta rock, rap, funk e hip hop".

Denúncia sobre teste de dublagem

Juliette se surpreendeu com a repercussão ao tema e sobre sua denúncia sobre um teste de dublagem. Chamada para ser uma dubladora personalidade, que ela pontua ser diferente de um dublador profissional, assim que chegou a empresa pediu para ela "diminuir o sotaque".

"Isso só reforçou algo sobre o qual eu já vinha falando. Eu fiz Letras e entendo o fenômeno. Esse foi só um exemplo que dei. Falei também de encarar o sotaque nordestino de forma caricata e rir, dos meus amigos não conseguirem alugar um imóvel".

A mensagem que quer deixar, segundo ela, é simples: "Existe xenofobia sim, isso está enraizado na nossa cultura e a gente precisa questionar. Não é normal. Vários estudiosos questionam a neutralização do sotaque. Não é sobre mim, é sobre algo maior. É assim que evoluímos e tentamos equilibrar a sociedade onde nos vivemos".