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Sem apoio do Sebrae, incubadoras paulistas estão ameaçadas

A instituição rompeu a parceria sem aviso prévio no começo do ano, o que pode levar incubadoras ao fechamento

Laboratório dentro de uma incubadora: 70% das empresas podem ter dificuldades (Divulgação/Cietec)

Laboratório dentro de uma incubadora: 70% das empresas podem ter dificuldades (Divulgação/Cietec)

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Da Redação

Publicado em 10 de dezembro de 2010 às 16h25.

São Paulo - Desde abril deste ano o Sebrae de São Paulo foi obrigado a romper vários convênios, inclusive com incubadoras, por ordem da Justiça do Trabalho. Com isso, as 65 incubadoras paulistas começaram a enfraquecer. “A rede está vivendo momentos delicados, inclusive perdendo os agentes de inovação”, diz Sérgio Risola, diretor do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), uma das maiores incubadoras de empresas do país.

O Sebrae foi condenado pela Justiça do Trabalho por não ter uma relação trabalhista formal com alguns consultores que prestavam serviços de treinamento e consultoria em diversos projetos, incluindo o de incubadoras. Por isso, cursos e outros serviços foram cancelados para evitar multas. O rompimento reflete diretamente nas contas das incubadoras. Muitas não conseguem manter os salários de gerentes e começam a se desfazer aos poucos. “Foi uma crueldade. As principais vitimas são as pequenas empresas, incubadas ou não, que contavam com o apoio do Sebrae e perderem de repente”, opina Guilherme Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).

Segundo Risola, 70% das mais de mil empresas incubadas do estado de São Paulo estão sem apoio, assistência e capacitação. “Já temos incubadoras que fecharam e algumas estão literalmente virando um condomínio de empresas”, diz. O executivo não quis nomear os locais em que a situação é mais crítica. Para Plonski, as dificuldades eram inevitáveis já que a parceria foi desfeita sem que as incubadoras tivessem tempo de se adaptar. “Algumas encontraram apoio em outras instituições e outras têm uma vulnerabilidade maior e correm o risco de serem descontinuadas”, explica o presidente da Anprotec.

Segundo a consultora do Sebrae de São Paulo, Evelin Astolpho, a principal mudança foi apenas formal. “A gente deixou de ter uma relação formal mas não deixou de atender as empresas”, diz. Para ela, as incubadoras não deveriam depender apenas do apoio do Sebrae. “é importante ter a participação de várias instituições, como associações comerciais, universidades, a FIESP e sindicatos”, explica.

Apesar da esperança de que a situação seja resolvida, um novo acordo ainda não foi fechado. Em agosto o Sebrae divulgou um novo edital para a contratação de serviços para as empresas incubadas ainda sem conclusão. “Temos entendimentos bem avançados com o SEBRAE nacional, que está analisando uma proposta da Anprotec”, diz. “Estamos conversando para rever os modelos de negócios das incubadoras para evitar que o problema atual se repita”, afirma Plonski. Mesmo assim, o executivo da Anprotec garante que está otimista de que o movimento ficará ainda mais forte depois que repensar o sistema.

O novo edital do Sebrae propõe 20 milhões de reais para apoiar as incubadoras, só 20% do que havia sido destinado entre 2009 e 2010. Em anúncio oficial, a instituição garante está cumprindo “integral e fielmente o que foi determinado pela Justiça do Trabalho e, por isso, encerrou alguns convênios no âmbito do Estado, entre eles os das incubadoras” e que o novo edital reforça o obejtivo da entidade em “aprimorar gerencial, tecnológica e mercadologicamente as micro e pequenas empresas”. Mesmo assim, Risola alerta que o problema em São Paulo pode ser espalhar para outros estados se um novo acordo não for fechado em breve.

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