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Novos negócios movimentam economia do Complexo do Alemão

Empresários de comunidade pacificada no Rio de Janeiro intensificam movimento de formalização

André Luís Ramos, dono do jornal Plantador Fiel que circula no Morro do Alemão (Fábio Chippe/Agência Sebrae de Notícias)

André Luís Ramos, dono do jornal Plantador Fiel que circula no Morro do Alemão (Fábio Chippe/Agência Sebrae de Notícias)

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Da Redação

Publicado em 3 de outubro de 2011 às 11h20.

Brasília - Menos de um mês após a ocupação policial do Complexo do Alemão - conjunto de 13 favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro - vários empreendedores que se mantinham na informalidade passaram a crescer e ganhar espaço dentro da comunidade. A polícia invadiu o Complexo em dezembro do ano passado e expulsou os traficantes da região.

O dono de um jornal informativo de bairro, André Luis Ramos; a sacoleira, Clarice Eugênia da Silva e ainda o prestador de serviços de sonorização, Isaías dos Santos Ferreira são três exemplos de novos empreendedores individuais que apostaram no crescimento. Com apoio do Sebrae eles formalizaram suas atividades e agora sonham com novas conquistas.

O Plantador Fiel, jornal informativo de André Luís Ramos, 24 anos, começou a circular gratuitamente no Complexo do Alemão após a pacificação, com uma tiragem entre cinco e oito mil exemplares. O jovem é hoje um empresário ocupado e acumula diversas funções na edição do jornal de 12 páginas, como coordenação e venda de anúncios. André tem uma história como a de muitos outros que vivem em situação de risco social. Ex-morador de rua, ex-empregado do tráfico e ex-presidiário, apostou em qualificação e conseguiu melhorar sua condição de vida.

“É fácil se envolver com o crime. A sorte é que fui preso, senão acho que já estaria morto”, relata. André foi parar no Instituto Padre Severino, centro de reclusão para menores infratores, onde ficou dos 15 aos 17 anos, e lá aprendeu a dominar programas de edição de imagem e diagramação. Pela primeira vez vislumbrou um futuro promissor. Mas a ideia só começou a se concretizar com a pacificação do Complexo.


A atuação formal permitiu uma parceria com uma gráfica que, em troca de anúncios, cedeu o escritório onde André montou o local de trabalho. Os empresários planejam agora somar esforços para incrementar os negócios. “Só com esse novo mercado o faturamento aumentou cerca de 20%”, avalia Anderson Fragoso dono da gráfica.

Metas
Clarice Eugênia da Silva foi a primeira moradora do Complexo do Alemão a ser formalizada, em dezembro de 2010, durante o evento Empresa Bacana, parceria da prefeitura com o Sebrae no Rio de Janeiro. Como sacoleira, vendia suas mercadorias de porta em porta, mas agora está prestes a abrir sua primeira loja. Entusiasmada, planeja espaços para exposição de mercadorias e discute com o vidraceiro o tamanho das prateleiras. “Antes só podia ir à casa de conhecidos. Na loja, todo mundo vai poder entrar e vou vender com cartão”, conta.

Depois da inauguração da loja ela pretende investir na qualificação. “Conheço os cursos do Sebrae. Estou muito interessada porque quero entender tudo da minha empresa. Antes, não tinha a ideia de crescer, agora tenho metas e vou cumpri-las”, afirma.

Diferenciação
Ganhar espaço no mercado sempre foi uma preocupação de Isaías dos Santos Ferreira. Com um serviço de carro de som, aprendeu por experiência que cada evento exige um cuidado específico. “Em passeatas e atos públicos, por exemplo, o som tem que ser mais alto. Já em festas e procissões, mais direcionado”, explica.


Baseado nessa percepção ele desenvolveu um sistema simples, mas engenhoso. A plataforma montada na carroceria do carro permite que as caixas possam ser remanejadas, um diferencial em relação ao som sempre igual de quem trabalha com caixas fixas. A formalização foi outro passo acertado. “Tenho um estúdio aqui no Complexo, onde faço gravação de jingles, vinhetas e trilhas para festas. Ficava muito frustrado porque perdia clientes por não ter nota fiscal. Agora meu faturamento cresceu entre 20% e 30%”, admite.

Formalizados
Empreendedores e amigos, o empresário de som Isaías e o editor André do jornal Plantador Fiel, decidiram criar um banco de empreendedores. A ideia, que começou a ser colocada em prática no final do primeiro semestre, é cadastrar quem faz o que, conferir visibilidade aos produtos e serviços, e criar um blog para abrir um canal de comunicação mais rápido e integrado.

"As grandes empresas que estão chegando precisam saber o que pode ser encontrado aqui. Temos muitas iniciativas boas, que podem atender as demandas que aparecerem e isso pode gerar mais trabalho para a comunidade", enfatizam.

Nas comunidades pacificadas já foram registrados mais de mil empreendedores individuais, de um total de 60 mil formalizados na cidade do Rio. Até agora, já foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em 18 morros cariocas. Para atender ao interesse crescente, foi criado no ano passado, o projeto Sebrae nas Comunidades, que permite esclarecer dúvidas e conhecer em detalhes os benefícios da formalização.

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