PME

Na Bossanova, 1 mil startups e desejo por criar "multiverso" empreendedor

Micro venture capital atingiu marca de 1 mil empresas no portfólio, mas não quer parar por aí

João Kepler, CEO da Bossanova: fundo investiu na milésima startup e agora pretende virar "hub" para empreendedores (Divulgação/Divulgação)

João Kepler, CEO da Bossanova: fundo investiu na milésima startup e agora pretende virar "hub" para empreendedores (Divulgação/Divulgação)

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Maria Clara Dias

9 de março de 2022, 14h30

Os telões da Times Square, em Nova Iorque, estampavam o logo da Bossanova na última segunda-feira, ao lado de anúncios de marcas e empresas estadunidenses. A ação celebra um clima que, nesta semana, tem sido de comemoração: o micro venture capital brasileiro que aporta em startups de estágio inicial atingiu a marca de 1.000 empresas investidas. Juntas, elas valem 6,5 bilhões de reais.

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É a primeira vez que um fundo de VC brasileiro chega ao feito. Agora, a Bossanova perde apenas para a americana Y Combinator em número de startups investidas no Brasil e América Latina. Apesar do entusiasmo, o consenso por lá é de que ainda há muito a percorrer. “Chegamos até aqui depois de uma construção imensa e pela vontade de ir até as startups, ao invés de esperar por elas”, diz João Kepler, CEO e fundador da Bossanova.

Mesmo com a pandemia, que chacoalhou os planos do fundo — a meta era ter 1.000 investidas ainda em 2020 — Kepler afirma que o desempenho da Bossanova fugiu à curva nos últimos tempos. “Calculamos errado e não há problema algum em falar isso. Mas ainda assim, 2021 foi um excelente ano para nós”, diz. A média do desinvestimento, por lá, é de 7,2 vezes o capital investido e em um prazo médio de dois anos e meio.

Desde 2016, já são 63 exits (saídas), termo que define a última etapa do ciclo de investimento de uma startup, quando ela é vendida de forma definitiva. Os exemplos mais bem-sucedidos são os das startups Melhor Envio, comprada pela Locaweb por 83 milhões de reais; Agenda Edu, comprada pelo Grupo Eleva; Kinvo, comprada pelo banco BTG Pactual (do mesmo grupo que controla a EXAME) por 72 milhões de reais e a Repassa, adquirida pela Renner.

“O nosso plano é exatamente esse”, diz Kepler. “Fazer com que essas startups virem alvo de grandes empresas”.

Atingir a meta das 1.000 startups no portfólio era algo já anunciado pelo fundo desde 2016. Agora, aumentar essa carteira não será um marco difícil de alcançar — a Bossanova tem hoje 2.000 startups na fila de espera.

O multiverso empreendedor

Enquanto estuda a próxima métrica numérica relacionada ao portfólio, Kepler afirma que a proposta do fundo continuará sendo apostar em quantidade, melhorando o desenvolvimento econômico do maior número de empreendedores.

Hoje a Bossanova aporta cheques de, em média, 350.000 reais. Segundo Kepler, a ideia é manter esse padrão, ao invés de entrar em rodadas mais avançadas, como a série A, por exemplo. “Com 1 milhão de reais, hoje podemos investir em três empresas, ao invés de reduzir o alcance e depositar o cheque em apenas uma”, diz.

Dar conta desse crescimento pedirá por mais tecnologia. Na Bossanova, isso vai se dar com um novo sistema operacional que irá automatizar a tomada de decisão, assinatura de contratos e outros processos até então “humanos”. “A intenção é acelerar, permitindo o crescimento mas sem crescer necessariamente o time”, explica.

A demanda também fez surgir uma nova necessidade por lá: ser acessível a todos esses empreendedores. Afinal, como responder a tantas empresas simultaneamente, e de forma que atenda às necessidades particulares de cada uma? A resposta esteve na criação do que Kepler chama hoje de comunidade. “Criamos uma comunidade pós-investimento com inúmeros serviços à disposição”.

A ideia é que nessa comunidade, empreendedores e investidores se apoiem, tenham acessos a eventos periódicos e serviços de apoio educacional.

Junto do braço educacional, um novo banco está sendo estruturado para sustentar o plano da Bossanova em atender a todas as necessidades de um empreendedor e, consequentemente, mantê-lo na rede. A ideia é que os fundadores das empresas investidas possam ter acesso facilitado a serviços como cartão de crédito internacional e antecipação de recebíveis, por exemplo.

Antecipando todos os cenários possíveis, a Bossanova deve ter uma espécie de multiverso para empreendedores. “Queremos ir além do cheque, pois quanto mais profissionalizado fica o mercado, mais decidido o empreendedor fica na hora de escolher a qual VC recorrer. Queremos ter tudo para que sejamos essa escolha e ele não precise sair da Bossanova atrás de outro fundo”, diz.

Na prática, o que a Bossanova está fazendo é criar um ecossistema em torno da marca para ampliar o mix de serviços à disposição de um cliente (no caso, o empreendedor), e ganhar a preferência ante os demais concorrentes — uma prática cada vez mais comum em diferentes setores da economia, em especial o varejo.

“O meu sonho mesmo é chegar a 5.000 startups nos próximos três anos, mas ainda temos um longo caminho e entendemos a importância de sermos parceiros e apoiadores do empreendedorismo nacional”, diz. "Seremos também uma casa de investimentos, ao invés de um fundo de venture capital tradicional".

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